A população está envelhecendo a passos largos no Brasil. De acordo com o IBGE, a porcentagem de pessoas com mais de 60 anos pulou de 9,8% em 2005 para 14,3 em 2015. Em 2050, os idosos vão corresponder a 29,3% dos brasileiros. O XII Fórum da Longevidade, realizado pelo Grupo Bradesco Seguros em São Paulo, no dia 18, reuniu especialistas no tema para discutir como a sociedade, o país e o mundo estão se preparando para acolher essa população. Os palestrantes abordaram ainda o que cada indivíduo pode fazer para adicionar qualidade aos anos extras de vida. Não basta viver mais - é preciso viver melhor.
Na abertura, o VP do banco Bradesco e Presidente do Grupo Bradesco Seguros, Octavio de Lazari Junior, ressaltou a importância do evento para a empresa. "A longevidade está no DNA do Grupo Bradesco Seguros". Se temos a expectativa de viver 30 anos mais do que nossos avós e bisavós, o desafio é acrescentar qualidade ao tempo conquistado. A ciência já demonstrou que podemos ser agentes dessa mudança por meio das nossas atitudes.
O arquiteto e urbanista alemão Matthias Hollwich começou a pesquisar o envelhecimento ao completar 40 anos. Dos estudos sobre como a arquitetura poderia melhorar a outra metade de sua vida resultou o livro "New Aging - Living Smarter Now to Live Better Foverer" (Novo Envelhecimento: vivendo com mais esperteza agora para viver melhor para sempre, em tradução livre), inédito no Brasil.
Ele defende que lugar de idoso não é no asilo, mas em moradias que facilitem interação social entre várias gerações, motivem a mobilidade e incentivem a prática de exercícios. Hollwich, que considera a longevidade um presente, acredita que a sociedade precisa criar mecanismos para incorporar os idosos, em vez de segregá-los. Pessoas da terceira idade, por sua vez, devem se manter ativas e não ficar trancadas em casa. Para ele, o design é um aliado da acessibilidade. Lares com banheiros adaptados e carros sem motorista, por exemplo, promovem segurança e independência.
Para envelhecer bem, é preciso acumular quatro capitais ao longo da vida, segundo o médico e consultor do Grupo Bradesco Seguros, Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil. São eles: saúde, conhecimento, social e financeiro. A soma desse conjunto torna o indivíduo resiliente para encarar os desafios e perdas inerentes à existência. Outro ingrediente é ter propósito, isto é, acordar com o objetivo de conquistar sonhos. "Viver é bom, morrer cedo é que não presta", afirma.
Não existe milagre para ter saúde, mas é possível conquistá-la com pequenas escolhas. De acordo com Marilia Louvison, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP, algumas atitudes são tomar vacina, fazer sexo com proteção, exercitar-se, seguir uma alimentação equilibrada, hidratar-se e aquietar a mente. "Podemos ser a melhor versão de nós mesmos", diz.
Na sequência, a geriatra Claudia Burlá falou sobre a importância da resiliência para superar obstáculos associados ao envelhecimento. "Há um grande conflito interno quando as doenças se instalam. Se não tivermos capacidade de compreensão e adaptação, será frustrante lidar com o declínio funcional", aponta. De acordo com Burlá, devemos ouvir a voz do nosso corpo para prevenir enfermidades.
Chegou o momento para os conhecimentos sobre longevidade serem amplamente difundidos, segundo Gabrielle Kelly, diretora do Centro de Bem-estar e Resiliência, na Austrália. A entidade criada por ela no sul de seu país estuda o valor da psicologia positiva na construção de bem-estar mental e resiliência, conceitos que podem ser ensinados, mensurados e aprendidos.
Em um trabalho com a terceira idade, Kelly descobriu que os idosos querem aprender atividades novas, fortalecer relações importantes, integrar grupos, compartilhar. O programa lançado por sua entidade atinge 1,3 milhão de pessoas. Entre os pontos importantes estão otimismo, precursor da resiliência, exercício físico, nutrição e sono. "As evidências são claras de que esses fatores são importantes não apenas para o funcionamento biológico dos seres humanos, mas psicológicos também", afirma.
O Fórum da Longevidade é uma iniciativa pioneira que o Grupo Bradesco Seguros tem orgulho de patrocinar, segundo Marco Antonio Gonçalves, diretor-geral da organização de vendas do Grupo Bradesco Seguros. "Todos queremos uma vida mais longeva aos nossos amigos e familiares, e sabemos que há muito a se fazer para alcançarmos uma sociedade preparada para o envelhecimento da população", disse.
Levou mais de 100 anos para a população idosa superar a jovem nos países europeus. No Brasil, no entanto, essa inversão acontece em somente duas décadas. Essa foi uma das comparações feitas pela britânica Karen Glaser, professora do King's College de Londres.
A taxa de fertilidade brasileira, hoje, é inferior à americana e à britânica. O envelhecimento da população impõe desafios econômicos para os quais nem mesmo os países ricos encontram soluções. "Estão todos olhando uns para os outros", diz.
De acordo com Glaser, uma medida essencial é aumentar a participação dos idosos no mercado de trabalho, o que exige dedicação contra a discriminação etária, em andamento no Reino Unido. Promover um estilo de vida saudável é importante para que os indivíduos consigam lidar com as doenças do envelhecimento e se manter ativos.
Tão importante quanto preservar a saúde física é cuidar da financeira. A sociedade precisa se dar conta de que está envelhecendo rapidamente, e se preparar para isso, segundo o economista Paulo Tafner, especialista em Previdência. Tafner apresentou os números brasileiros do passado e as projeções para o futuro, em um cenário preocupante. Se nos anos 1980 havia 9,2 trabalhadores ativos para cada inativo, a proporção será de 2,6, em 2040, e 1,6, em 2060. "Cada neto terá um velhinho para chamar de seu", brinca.
Para a jornalista Mara Luquet, viver custa caro. É necessário poupar e investir ao longo da vida, e jamais se aposentar. Luquet recentemente deu uma guinada na carreira, ao trocar um contrato com a Rede Globo pela dedicação integral ao seu site de finanças pessoais: Letras e Lucros. "Juntar dinheiro nos dá a liberdade de não sermos refém de um salário para encarar novos desafios", diz.
Com o objetivo de disseminar o conceito de longevidade e contribuir para um futuro melhor a todas as gerações, o Grupo Bradesco Seguros premia reportagens sobre o envelhecimento. Dos 168 trabalhos inscritos em 2017, foram escolhidos seis: três da categoria mídia impressa e três da digital. A cantora Wanderléa e a comissão julgadora subiram ao palco para congratular os vencedores. Além do certificado e do troféu, os ganhadores receberam de R$ 3 mil a R$ 10 mil. Conheça os trabalhos premiados:
"Esperamos dias mais justos e felizes para toda a geração que busca a longevidade e a saúde", afirma Manoel Peres, Diretor Geral da Bradesco Saúde e Mediservice. Segundo ele, é importante que cada pessoa assuma a responsabilidade de difundir os assuntos debatidos no fórum, em casa, nos consultórios, nos escritórios e nas escolas. "Queremos envelhecer bem e deixar legado de um mundo melhor", diz.
No lançamento do portal Viva a Longevidade, patrocinado pelo Grupo Bradesco Seguros, a consultora de branding e inovação Marilia Barrichello afirma que planejar o futuro é um desafio em um país hedonista e presentista como o Brasil. "Vamos viver mais, mas como? Queremos ficar aprisionados ou colher o que plantamos ao longo da vida", pergunta. Veja a fala completa abaixo.
O portal Viva a Longevidade tem três embaixadores: Robson Caetano (bem-estar), Mara Luquet (finanças), e Alexandre Kalache (saúde e conhecimento). De acordo com Caetano, alegria é o segredo para uma vida longa e saudável, curtindo o momento, sem se preocupar demais com o futuro, nem se apegar ao passado. Já Luquet diz que aplica na vida pessoal o que prega na profissional, sem o rigor dos economistas. "Empreender no Brasil é coisa para desavisado. Mas eu tinha um mínimo de condições que me permitiam fazer isso", diz. Já Kalache acredita que a sociedade está mais atenta ao tema do envelhecimento hoje do que há dez anos. Em termos de políticas públicas, no entanto, o Brasil está longe do ideal.
O senso comum considera que corpo e mente são separados, e por isso precisam ser exercitados de maneiras diferentes, de acordo com Pedro Calabrez, neurocientista e pesquisador do Laboratório de Neurociências Clínicas da Unifesp. "O cérebro é tão parte do corpo quanto o dedão", diz ele.
Calabrez explica que, por causa do processo evolutivo, as espécies tendem a preservar energia - ou seja, queremos ficar deitados no sofá. É preciso lutar contra a preguiça e colocar em prática as atitudes saudáveis. Além disso, aprender novos conhecimentos é excelente para manter o cérebro ativo na velhice. Ser bilíngue, por exemplo, pode retardar o aparecimento dos sintomas de Alzheimer em cinco anos.
Converse com pessoas que pensem diferente de você. Se é músico, aprenda física. Se é médico, literatura. Acomodação é morte
O Grupo Bradesco Seguros premia trabalhos acadêmicos, como meio de reconhecer e estimular a produção de conhecimento científico sobre a longevidade, assim como contribuir para a compreensão do envelhecimento no país. Em 2017, os vencedores receberam troféus, certificados e prêmios de R$ 5 mil a R$ 10 mil da comissão julgadora e dos convidados especiais Cláudio Lins e Christiane Torloni. Confira os vencedores:
Nesta categoria que valoriza a troca de experiência entre as gerações, o propósito é incentivar e divulgar histórias de vida sobre longevidade. Trata-se de uma maneira de garantir a identidade cultural e promover a qualidade de vida. Dos 141 inscritos nesta edição, foram escolhidos três, que ganharam troféus, certificados e prêmios de R$ 1 mil a R$ 5 mil. Conheça os campeões:
O músico Toquinho contou como mantém o vigor aos 71 anos: "Toco diariamente, componho muito, sempre tenho projetos. O que eu mais gosto de fazer é improvisar no palco". O artista dedilhou seus clássicos no violão e presenteou o público com histórias de parcerias com Jorge Ben Jor, Chico Buarque e Vinicius de Moraes.
O Grupo Bradesco Seguros vem realizando esse fórum com o objetivo de convidar a pensar, disse Jorge Pohlmann Nasser, Diretor Geral da Bradesco Vida e Previdência e da Bradesco Capitalização. "Quanto tempo dura o eterno? Às vezes 1 segundo", completou. Segundo Nasser, não devemos viver cada dia como se fosse o último, mas o primeiro.