Contagem regressiva

Guilherme Costa Do UOL, em São Paulo
Arte/UOL

Falta um ano. No dia 14 de junho de 2018, a Rússia disputará contra um rival ainda não definido o primeiro jogo da Copa do Mundo de futebol. Depois de toda a polêmica, toda a festa e toda a catarse que marcaram a última edição do evento, no Brasil, o que esperar da competição?

A Copa de 2014 nos ensinou que é preciso ter cautela com qualquer análise de ambiente. Um ano antes, o Brasil acompanhava manifestações nas ruas, temia atrasos nas obras e já começava a discutir denúncias de corrupção. Quando a bola rolou em Itaquera, tudo (ou quase tudo) havia mudado. Ainda houve escândalos, é verdade, mas é impossível não lembrar com carinho de tudo que permeou a “Copa das Copas”.

A Rússia, por todos os fatores inerentes à natureza do país, tem uma realidade absolutamente distinta. A preparação para receber o Mundial é muito mais fechada, mas não menos polêmica. A um ano de a bola rolar no Luzhniki Stadium, em Moscou, já é possível dizer muito sobre o que veremos em 2018.

Fifa / Reprodução

A abertura: 14/06/2018 - 12h (de Brasília) - Moscou

Arte/UOL Arte/UOL

A Copa volta à Europa. Mas que Europa?

A última Copa realizada na Europa foi a de 2006, na Alemanha. Foi um evento marcado pelas altas temperaturas e pelo clima quente também entre o público. Naquela edição, fizeram sucesso os Fan Fests, espaços montados pela Fifa para reunir as pessoas que não tinham ingressos e que desejavam assistir aos jogos em ambiente festivo.

Em 2018, a Copa voltará à Europa. Mas que Europa? O continente mudou muito no hiato entre um evento e outro, com um novo contexto político e ascensão de grupos conservadores em vários países. O nacionalismo e a criação de fronteiras mais sólidas são assuntos presentes na pauta de toda a região.

Outro fator joga contra a repetição do clima festivo de 2006: a logística. A Rússia é o maior país do mundo, com 17 milhões de quilômetros quadrados e nove fusos diferentes. Ainda que as 12 sedes da Copa sejam concentradas no oeste do mapa e que a organização tenha prometido um limite de três horas para qualquer deslocamento entre cidades que receberão os jogos, o desafio ainda é tão presente quanto em 2014. 

Política em ebulição, dimensões continentais do país, dificuldade de deslocamento entre as sedes... Já viu esse filme, né? Quatro anos depois, o desafio da Rússia é mostrar que pode repetir o Brasil no quesito festa, pelo menos.

Os estádios da Copa

  • Otkrytie Arena

    Em Moscou, tem capacidade para 45,3 mil lugares, foi construído para a Copa, custou R$ 762 milhões e receberá cinco jogos em 2018, além da Copa das Confederações.

    Imagem: Fifa / Reprodução
  • Saint Petersburg Stadium

    Em São Petersburgo, tem capacidade para 70 mil lugares, foi construído para a Copa, custou R$ 4,96 bilhões e receberá sete jogos em 2018, além da Copa das Confederações.

    Imagem: OLGA MALTSEVA / AFP
  • Kazan Arena

    Em Kazan, tem capacidade para 45,3 mil lugares, não foi construído para a Copa, custou R$ 756 milhões e receberá seis jogos em 2018, além da Copa das Confederações.

    Imagem: Fifa / Reprodução
  • Fisht Olympic Stadium

    Em Sochi, tem capacidade para 47,6 mil lugares, não foi construído para a Copa, custou R$ 1,2 bilhão e receberá seis jogos em 2018, além da Copa das Confederações.

    Imagem: Dmitri Lovetsky / AP
  • Luzhniki Stadium

    Em Moscou, tem capacidade para 81 mil lugares, não foi construído para a Copa, custou R$ 1,9 bilhão e receberá sete jogos em 2018, incluindo abertura, semifinal e final - está fora da Copa das Confederações.

    Imagem: Fifa / Reprodução
  • Kaliningrad Stadium

    Em Kaliningrado, tem capacidade para 35,2 mil lugares, foi construído para a Copa, custou R$ 580 milhões e receberá quatro jogos em 2018 - está fora da Copa das Confederações.

    Imagem: Fifa / Reprodução
  • Nizhny Novgorod Stadium

    Em Nizhny Novgorod, tem capacidade para 44,8 mil lugares, foi construído para a Copa e receberá seis jogos em 2018 - está fora da Copa das Confederações.

    Imagem: RUSLAN SHAMUKOV / AFP
  • Cosmos Arena

    Em Samara, tem capacidade para 44,9 mil lugares, foi construído para a Copa, custou R$ 840 milhões e receberá seis jogos em 2018 - está fora da Copa das Confederações.

    Imagem: Fifa / Reprodução
  • Volgograd Arena

    Em Volgogrado, tem capacidade para 45,5 mil lugares, foi construído para a Copa e receberá quatro jogos em 2018 - está fora da Copa das Confederações.

    Imagem: Fifa / Reprodução
  • Mordovia Arena

    Em Saransk, tem capacidade para 45 mil lugares, foi construído para a Copa, custou R$ 897 milhões e receberá quatro jogos em 2018 - está fora da Copa das Confederações.

    Imagem: Fifa / Reprodução
  • Rostov Arena

    Em Rostov-on-Don, tem capacidade para 45 mil lugares, foi construído para a Copa, custou R$ 1 bilhão e receberá cinco jogos em 2018 - está fora da Copa das Confederações.

    Imagem: Fifa / Reprodução
  • Central Stadium

    Em Ekaterimburgo, tem capacidade para 35 mil lugares, foi construído para a Copa, custou R$ 630 milhões e receberá quatro jogos em 2018 - está fora da Copa das Confederações.

    Imagem: Fifa / Reprodução

A Rússia em números

  • 17 milhões

    De quilômetros quadrados é a área do país, o maior do planeta

  • 9

    É a quantidade de fusos diferentes na Rússia

  • 12

    É o número de estádios da Copa de 2018

  • 11

    Cidades receberão os jogos. Moscou terá dois estádios

  • 2 mil quilômetros

    É o deslocamento máximo entre as sedes da Copa

  • 8

    Estádios foram construídos para o Mundial

  • R$ 165 bilhões

    Foi o gasto de Sochi para receber as Olimpíadas de inverno em 2014

  • R$ 4,96 bilhões

    É o custo do Saint Petersburg Stadium, o mais caro da Copa

Fifa / Reprodução Fifa / Reprodução

Saint Petersburg Stadium: o estádio mais caro e mais problemático da Copa

O Saint Petersburg Stadium, em São Petersburgo, é a arena mais polêmica da Copa do Mundo de 2018. Entretanto, esse é apenas um dos títulos superlativos do aparato, que também é o mais caro, o que mais passou por revisões de projeto, o que mais levou tempo para ser concluído e o que precisou de intervenções mais urgentes.

A história da arena começou em 2007, quando o Zenit São Petersburgo, amparado por recursos da patrocinadora Gazprom, começou a construção de um novo estádio. Em 2009, porém, a empresa de energia desembarcou do projeto, que foi assumido pelo governo local. Isso aconteceu pouco antes de a Rússia ter sido escolhida para sediar a Copa – o anúncio foi feito em 2010 –, o que alterou sobremaneira o projeto. Antes pensado para receber 40 mil pessoas, o equipamento teve de ser espichado para comportar 70 mil espectadores.

A ampliação mudou tudo no estádio. O projeto teve de ser refeito – foram pelo menos sete revisões –, e o cronograma também mudou. A obra levou dez anos e consumiu pelo menos US$ 1,5 bilhão (R$ 4,96 bilhões), maior montante entre todas as arenas da Copa de 2018 e mais da metade de todo o custo do Brasil com todos os equipamentos de 2014.

O problema é que todo esse dinheiro não foi suficiente para entregar um aparato perfeito. Em maio, menos de um mês após ter sido inaugurado, o Saint Petersburg Stadium precisou passar por reformulação total no gramado, que foi retirado e deu lugar a um novo piso. A versão anterior foi amplamente reprovada por atletas e até pelo comitê organizador da Copa.

Os desafios da Rússia

MAXIM SHEMETOV / Reuters MAXIM SHEMETOV / Reuters

Segurança

Há dois motivos para a organização da Copa de 2018 ter um temor sobre a segurança: os hooligans e a onda de terrorismo que tem atingido a Europa nos últimos meses. No primeiro caso, a Rússia aposta em um cartão de identificação para torcedores - a ideia é filtrar violentos e evitar brigas como as que envolveram russos e ingleses na Eurocopa de 2016. No segundo assunto, o posicionamento político do país também contribui: em abril, depois de o governo ter impedido um ataque suicida em São Petersburgo, uma TV local anunciou que há um plano para ataques sistemáticos no ano que vem. Os organizadores não responderam.

Alexei Druzhinin / AP Alexei Druzhinin / AP

Política

A crise política da Rússia está diretamente ligada às ameaças que envolvem o país para 2018. Há eleições nacionais marcadas para março de 2018, no aniversário da anexação da Crimeia, e todo o processo que precede o pleito tem sido marcado por protestos. Nesta semana, o governo começou a interrogar pelo menos 1,5 mil presos em manifestações pelo país. O próprio Alexei Navalny, que lidera a oposição e pretende disputar a presidência com Vladimir Putin (foto), foi condenado a 30 dias de detenção por ter desafiado autoridades. A onda de protestos no país é a maior desde 1991, ano do fim da União Soviética.

Dmitri Lovetsky / AP Dmitri Lovetsky / AP

Estádios

Os quatro estádios da Copa das Confederações ficaram prontos a tempo, ainda que o gramado da arena de São Petersburgo tenha sido reprovado e trocado em cima da hora. A questão na Rússia é a conclusão das outras oito obras - não apenas pelo prazo, mas pelas condições. Segundo o jornal inglês "The Guardian", o presidente da Fifa, Gianni Infantino, admitiu que há trabalhadores em condições subumanas no projeto. Em carta enviada a dirigentes de confederações, o mandatário teria dito que havia norte-coreanos em situação "assustadora" envolvidos nas construções russas para receber o Mundial.

MAXIM ZMEYEV / AFP MAXIM ZMEYEV / AFP

Como questões culturais afetam a Copa de 2018

A lista de polêmicas da Copa de 2018 também tem uma série de aspectos que fazem parte de parte dos russos. É o caso da relação com a comunidade LGBT – o país tem histórico de combate a qualquer tipo de “propaganda”, o que causou enorme polêmica em 2014, quando Sochi recebeu os Jogos Olímpicos de inverno.

A Rússia também é um território em que pululam manifestações racistas. Foi assim em uma festa realizada em maio, por exemplo, em Sochi. No evento, um grupo se fantasiou como camaroneses, com direito a rostos pintados de preto (o que por si só já poderia ser considerado ofensivo). Um deles, contudo, foi ainda mais longe e pendurou no pescoço um cacho de bananas.

Dias antes do início da Copa das Confederações, a lista de polêmicas no país que vai receber a Copa ainda ganhou mais um elemento. O COL distribuiu a jornalistas credenciados um guia sobre o torneio, e o material dizia que a cobertura deveria “respeitar limites da competição e de evento relacionados”. Reportagens fora das cidades-sede só poderão ser realizadas mediante a um cadastro extra, o que foi identificado por alguns veículos como tentativa de censura. Como forma de protesto, o jornal alemão “Bild” se recusou a enviar uma equipe ao país neste ano.

Houve casos de racismo na Rússia no passado e até atualmente, mas não se trata de uma tendência dominante em nosso país

Alexei Sorokin, diretor do COL (Comitê Organizador Local) da Copa do Mundo de 2018

MAXIM SHEMETOV / REUTERS MAXIM SHEMETOV / REUTERS

Vitaly Mutko: quem é o "dono" da Copa do Mundo de 2018

O período que precede a Copa de 2018 não teve ameaças de “chutes no traseiro” ou cobranças públicas como as que a Fifa fez ao Brasil no quadriênio anterior. Isso tem a ver com questões da própria entidade, é claro, mas também diz muito sobre como é organizado o torneio – e o esporte – na Rússia. Ao contrário da estrutura descentralizada de 2014, submetida a vontades e planos de diferentes esferas do poder público, o próximo Mundial tem um “dono”: toda a articulação é conduzida por Vitaly Mutko, 58.

Ex-presidente do Zenit São Petersburgo e atual mandatário da RFU (Federação Russa de Futebol), Mutko comanda também o COL (comitê organizador local) da Copa de 2018 e é vice-primeiro ministro do país, cargo ao qual foi alçado em 2016, quando foi deposto do Ministério do Esporte em meio a um escândalo de doping que alijou dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro a equipe de atletismo do país europeu.

O acúmulo de cargos e a ascensão em meio a um escândalo são boas medidas do poder que Mutko exerce na Rússia. O dirigente já havia presidido a candidatura do país ao posto de sede da Copa, e na época chamou atenção por ter sugerido que havia corrupção no projeto inglês para receber o torneio.

A lista de polêmicas de Mutko também envolve a participação do dirigente nos Jogos Olímpicos de inverno de Vancouver, em 2010. Ele passou 20 dias no Canadá para acompanhar a delegação russa, mas um relatório posterior mostrou consumo de 97 cafés da manhã a um custo total de US$ 4,5 mil (R$ 14,9 mil). A diária do hotel em que o executivo estava hospedado era de US$ 1,5 mil (R$ 4,9 mil) e já incluía a refeição.

Além das polêmicas, Mutko é conhecido por ser extremamente centralizador. É ele que comanda toda a articulação com a Fifa atualmente, o que dá celeridade às demandas da entidade em relação ao que aconteceu no Brasil. No entanto, há outro lado nessa história: com tanto poder nas mãos de uma pessoa, existe um trabalho maior de convencimento e uma barreira maior em qualquer assunto que o contrarie.

Anote aí: as datas-chave para a Copa de 2018

  • Copa das Confederações

    17/06/2017 a 02/07/2017

  • Data Fifa

    28/08/2017 a 05/09/2017

  • Data Fifa

    02/10/2017 a 10/10/2017

  • Data Fifa

    06/11/2017 a 14/11/2017

  • Sorteio dos grupos da Copa

    01/12/2017

  • Data Fifa

    19/03/2018 a 27/03/2018

  • Copa do Mundo

    14/06/2018 a 15/07/2018

E o Brasil? Como estava um ano antes?

Quando o Brasil iniciou contagem de um ano para o Mundial de 2014, o país estava envolvido com outra regressiva: àquela altura, no dia 12 de junho, faltavam dias para a Copa das Confederações de 2013, cuja abertura foi realizada no dia 15.

Inicialmente, a ideia da Fifa era ter todos os estádios da Copa prontos antes da Copa das Confederações. Todavia, apenas seis arenas foram entregues um ano antes – e muitas delas a poucos dias do evento preparatório.

Atraso também já era um tema recorrente em outras obras no Brasil. Em 2013, 75% do as intervenções de mobilidade estavam fora do cronograma ou haviam sido descartadas.

A reta final da preparação do Brasil para a Copa ainda foi permeada por uma ebulição política no país. A Copa das Confederações de 2013 aconteceu em meio ao auge de protestos e manifestações populares nas ruas, em processo que culminou com a crise política vigente até hoje.

A primeira Copa da "nova" Fifa

Dmitry Lovetsky / AP Dmitry Lovetsky / AP

Havia outra Fifa quando a Copa do Mundo foi realizada pela última vez. Em 2014, quando o evento aconteceu no Brasil, a entidade que comanda o futebol em âmbito global era presidida por Joseph Blatter, que estava no cargo desde 1998. Menos de um ano depois da abertura realizada em Itaquera, contudo, o suíço renunciou em meio a uma avalanche de escândalos desencadeados por uma investigação do FBI sobre contratos da instituição esportiva, processo que incluiu dirigentes brasileiros como José Maria Marin, hoje em prisão domiciliar.

SERGEI KARPUKHIN / AFP SERGEI KARPUKHIN / AFP

Em eleição realizada no início de 2016, o também suíço Gianni Infantino foi escolhido para suceder Blatter no comando da Fifa. Isso mudou tudo: o atual mandatário passou a receber salários menores (R$ 5 milhões anuais, menos da metade dos R$ 11 milhões de Blatter), mudou algumas das diretorias estratégicas e incutiu rapidamente uma mentalidade mais aberta. Também foi artífice de uma ampliação na Copa, que passará a ter 48 seleções em 2026. A Rússia será o primeiro estandarte de todo esse processo de mudança.

Estamos reconstruindo a reputação da Fifa depois de tudo que aconteceu

Gianni Infantino, presidente da Fifa

Como a Fifa "perdeu" R$ 1,6 bi a dois anos da Copa

Em 2015, um ano depois da Copa no Brasil, a Fifa havia registrado receita de US$ 1 bilhão (R$ 3,3 bilhões). Um ano depois, o dinheiro que entrou no caixa da entidade despencou para US$ 500 milhões (R$ 1,6 bilhão). Como é possível perder metade do faturamento em uma temporada? A explicação tem a ver com as mudanças de gestão na própria instituição esportiva.

Com a ascensão de Gianni Infantino, eleito em 2016, a Fifa mudou algumas práticas administrativas que vigoravam no período em que a entidade era comandada por Joseph Blatter. Uma das alterações foi a maneira como o dinheiro é registrado em balanços: valores amealhados durante o quadriênio de uma Copa eram lançados paulatinamente, diluídos ano a ano; agora, todas as receitas relacionadas ao Mundial são divulgadas apenas no ano do evento.

A mudança fez com que a Fifa fechasse o balanço fiscal de 2016 com déficit de US$ 369 milhões (R$ 1,2 bilhão), mas isso não significa uma recessão. A entidade projeta amealhar US$ 5,6 bilhões (R$ 18,55 bilhões) com a Copa de 2018 (foram US$ 5,4 bilhões, ou R$ 17,88 bilhões, em 2014) e já atingiu quase 80% desse valor. Além disso, dispõe de pelo menos US$ 1 bilhão (R$ 3,3 bilhões) em caixa.

De Dunga a Tite: como o Brasil mudou antes da Copa

Jim Rogash / AFP Jim Rogash / AFP

Escolhido pela CBF para reconstruir a seleção brasileira depois do fracasso na Copa de 2014, Dunga tinha alguns elementos que a entidade valorizava. Sofreu muito quando jogador, por exemplo, e conseguiu ser campeão mundial a despeito da desconfiança ou das críticas sobre o perfil da equipe nacional em 1994. O jeito ?cascudo? e pragmático, contudo, não funcionou. Eliminado precocemente em duas edições de Copa América e sexto colocado na qualificação para a Rússia-2018 (fora da zona de classificação, portanto), o técnico foi demitido em 2016.

SAEED KHAN / AFP SAEED KHAN / AFP

Um dos mantras da comissão técnica liderada por Dunga era sobre a dificuldade das Eliminatórias sul-americanas para a Copa. Com Tite, ficou até difícil pensar nisso. O técnico egresso do Corinthians assumiu a seleção em 2016 e transformou um time combalido no primeiro classificado para a Rússia-2018. Foram oito vitórias em oito partidas na qualificação e até escolhas questionadas do treinador, como o retorno do meio-campista Paulinho ao time nacional, deram certo quase imediatamente. A questão para ele agora é provar que o auge não chegou cedo demais.

Gostaria de estar mais próximo do Mundial para jogar em condições que temos hoje, atuando bem e conquistando vitórias

Fernandinho, volante da seleção brasileira, no dia 7 de junho de 2017

Os jogos do Brasil com Tite

  • Eliminatórias

    01/09/2016 - Equador 0 x 3 Brasil

  • Eliminatórias

    06/09/2016 - Brasil 2 x 1 Colômbia

  • Eliminatórias

    06/10/2016 - Brasil 5 x 0 Bolívia

  • Eliminatórias

    11/10/2016 - Venezuela 0 x 2 Brasil

  • Eliminatórias

    10/11/2016 - Brasil 3 x 0 Argentina

  • Eliminatórias

    15/11/2016 - Peru 0 x 2 Brasil

  • Amistoso

    25/01/2017 - Brasil 1 x 0 Colômbia

  • Eliminatórias

    23/03/2017 - Uruguai 1 x 4 Brasil

  • Eliminatórias

    28/03/2017 - Brasil 3 x 0 Paraguai

  • Amistoso

    09/06/2017 - Brasil 0 x 1 Argentina

  • Amistoso

    13/06/2017 - Austrália 0 x 4 Brasil

Percebi que só faltam 12 jogos para a Copa. Serão cinco ou seis antes da convocação, quatro oficiais e uns três para termos tempo hábil de trabalhar a equipe

Tite, técnico da seleção brasileira

Tite, técnico da seleção brasileira

Quando chegarmos mais perto da Copa, a possibilidade de fazer testes vai ficar diminuída. Agora é o momento em que eu posso executar

Tite, técnico da seleção brasileira

Tite, técnico da seleção brasileira

Quem já tem vaga garantida?

  • Brasil

    Primeiro país a garantir em campo uma vaga no Mundial, sem contar a própria Rússia. Time comandado por Tite venceu oito jogos consecutivos nas Eliminatórias e assegurou classificação na 14ª rodada da qualificação

  • Irã

    No dia 12 de junho, uma vitória por 2 a 0 sobre o Uzbequistão fez do Irã o terceiro classificado. Será a quinta participação do país na Copa do Mundo (eles já estiveram em 1978, 1998, 2006 e 2014)

A Copa já tem favorito?

Quando a Alemanha chegou à Copa de 2014, o técnico Joachim Löw tinha de administrar um elenco repleto de lesões e indefinições sobre o time titular. A Espanha já havia sido campeã europeia em 2008, mas também não entrou no Mundial de 2010 como favorita. E agora? É possível adiantar quem vai se dar bem na Rússia-2018?

A lista poderia começar com a França, por exemplo. Mas os gauleses, dono da geração mais promissora do futebol europeu, têm sofrido até nas Eliminatórias. Atualmente ocupam o segundo lugar no Grupo A – apenas a Suécia, dona da melhor campanha, conseguiria vaga direta no Mundial do ano que vem.

A qualificação europeia para o Mundial também tem Portugal e Itália em segundo lugar. Se o torneio acabasse do jeito que está, ambos teriam de passar por um playoff para garantir lugar na Rússia. Algo similar ao atual momento da Argentina, quinta colocada na América do Sul, posição que obrigaria o time de Messi e companhia a disputar uma repescagem contra um rival da Oceania.

Diante de um cenário tão incerto, quem é favorito? A própria Alemanha, que tem liderado seu grupo nas Eliminatórias, é atualmente uma das mais cotadas em casas de apostas. A manutenção do trabalho, a geração consolidada e o histórico vencedor são argumentos favoráveis aos germânicos.

O Brasil, pelo que apresentou nos últimos meses, também está bem cotado em casas de apostas. Foi o primeiro país a garantir em campo uma vaga no Mundial, tem jogadores de talento e uma das camisas mais pesadas do futebol mundial.

A última Copa de Messi x Cristiano Ronaldo

Eleito pela Fifa o melhor jogador do mundo na temporada passada e dono de quatro prêmios individuais da entidade, o português Cristiano Ronaldo tem 32 anos. O argentino Lionel Messi, 29, já foi laureado em cinco temporadas. Da galeria de títulos ao volume de gols anotados, passando pelo protagonismo em clubes e seleções, há uma enorme lista de coincidências entre as trajetórias esportivas dos dois atletas que polarizaram o futebol mundial nas últimas temporadas. Em 2018, ambos terão a chance de derrubar na Rússia a mais incômoda delas: o fato de não terem vencido a Copa do Mundo.

Messi esteve a instantes da glória em 2014, mas a Argentina comandada pelo camisa 10 do Barcelona sucumbiu na prorrogação e perdeu a taça para a Alemanha em um Maracanã lotado. Ronaldo não foi além de uma semifinal em 2006, ano em que a seleção guiada pelo atacante do Real Madrid foi superada pela França na Alemanha.

Outra coincidência entre os dois craques? Ambos sempre foram questionados, em medidas diferentes, pelo desempenho em suas seleções. Ronaldo ganhou um enorme argumento favorável nessa discussão em 2016, quando Portugal venceu a Eurocopa na França. No mesmo ano, depois do quarto vice, Messi anunciou que não pretendia mais defender a seleção da Argentina – o camisa 10 mudou de ideia e voltou meses depois.

Cristiano Ronaldo e Messi ainda não têm presença assegurada na Copa de 2018, na Rússia. No entanto, já é possível dizer que a chance de um último duelo entre os dois num Mundial é elementos que mais chamam atenção no torneio. As discussões sobre quem é melhor certamente vão prosseguir depois, mas esse pode ser um elemento decisivo nesse duelo.

A Copa na TV

Parceira da Fifa desde os anos 1970, a Globo assinou em 2012 um contrato com a entidade para exibir as Copas de 2018 (Rússia) e 2022 (Qatar). Por isso, ainda que o canal não tenha mostrado os últimos amistosos da seleção brasileira (contra Argentina e Austrália), é na emissora carioca que o público brasileiro poderá ver pela TV as próximas edições do Mundial.

No contrato com a Fifa, cujos valores são mantidos em sigilo, a Globo tem prerrogativa de sublicenciar a outros canais os direitos de mídia da Copa. Em 2010 e 2014, a Bandeirantes dividiu com a emissora carioca a exibição do torneio em rede aberta. As conversas sobre 2018 estão próximas de um acordo para manutenção da parceria, mas um novo contrato ainda não foi assinado.

O cenário é um pouco menos incerto na TV fechada. O Sportv, via Globo, já tem direitos assegurados para a Copa de 2018. Os canais Fox Sports também asseguraram possibilidade de exibir o torneio. A ESPN, que exibiu o evento em 2014, segue em negociação.

A questão dos direitos de mídia também é uma discussão na própria Rússia. A Fifa só fechou com a TV pública Match-TV, por exemplo, a menos de 15 dias do início da Copa das Confederações de 2017. O negócio abarcará o Mundial e a competição preparatória.

Segundo a agência de notícias “TASS”, o acordo selado em cima da hora tem a ver com a pedida inicial da Fifa. De acordo com o veículo russo, um bloco que incluiu a própria Match-TV e as emissoras Canal 1 e VGTRK conversava com a Fifa, mas havia rechaçado qualquer possibilidade de bancar os US$ 120 milhões (R$ 392 milhões) pedidos pela entidade, valor que representaria o quádruplo do que foi cobrado pelas mesmas propriedades no ciclo passado.

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Quem são os brasileiros que podem jogar "em casa" na Rússia

Dois jogadores brasileiros esperam defender a Rússia no ano que vem. O goleiro Guilherme e o lateral direito Mário Fernandes jogam no país que vai receber a próxima edição do Mundial e já conseguiram documentação para defender a seleção local.

Guilherme, mineiro de 31 anos, construiu quase toda a carreira no futebol russo. Migrou para o país depois de uma passagem pelo Atlético-PR e defende atualmente o Lokomotiv Moscou. Naturalizou-se em 2015, foi convocado para a Eurocopa de 2016 e também apareceu na lista para a Copa das Confederações de 2017.

Mário Fernandes, 26, é outro brasileiro que foi convocado para a Copa das Confederações. O lateral direito chegou a ter convocações para a seleção de seu país natal, mas sua passagem mais marcante na equipe canarinho aconteceu em 2011, quando recusou chamado para o Superclássico das Américas. Ele defende atualmente o CSKA Moscou e só não estará em ação pela seleção russa nas próximas semanas porque sofreu uma fratura e foi cortado.

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