Ernesto Rodrigues/Folhapress O Santos conquistou o Campeonato Paulista pela segunda vez consecutiva, neste domingo (8), depois de vitória por 1 a 0 sobre o Audax. Foi o quinto título em oito decisões seguidas, uma verdadeira hegemonia estadual.
A euforia, no entanto, deve durar pouco. No dia 14, a equipe estreia contra o Atlético-MG no Campeonato Brasileiro, um torneio que tem dado dor de cabeça ao time da Vila Belmiro.
O roteiro é antigo e bem conhecido dos torcedores: bom desempenho no estadual e posição de coadjuvante no torneio nacional. Desde 2007, quando terminou na segunda colocação, atrás do São Paulo, o Santos não consegue ficar nem sequer no G-4 do Campeonato Brasileiro.
E os motivos que levam a isso variam desde simplesmente campanhas fracas até desempenhos prejudicados pelo excesso de jogos da seleção brasileira, que tem constantemente desfalcado o elenco santista.
Título sobre o Santo André. Prejudicado pelas constantes convocações de Neymar para a seleção brasileira, o Santos terminou o Brasileirão em 8º.
Imagem: Marcelo Justo/Folhapress
Título sobre o Corinthians. Após grande 1º semestre, com título paulista e da Libertadores, o Santos ficou apenas em 10º no Brasileiro.
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Título sobre o Guarani. O 3º título paulista consecutivo veio junto, também, com a 3ª fraca campanha no Campeonato Brasileiro: 8º lugar.
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Derrota para o Corinthians. A sequência de finais estaduais continuou, assim como as campanhas discretas no Brasileirão: apenas o 7º lugar.
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Derrota para o Ituano. Depois de mais uma final de Campeonato Paulista, o Santos voltou a decepcionar no Brasileiro, ficando em 9º.
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Mesmo dividido com a disputa da Copa do Brasil, o Santos conseguiu sua melhor campanha recente no Brasileiro, com um 5º lugar.
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Raphael Alves-9.out.2015/AFP A seleção brasileira é a grande preocupação para o Santos no Campeonato Brasileiro. Com três de seus jogadores convocados para a Copa América Centenário, o time da Vila Belmiro ficará desfalcado de Gabigol, Lucas Lima e Ricardo Oliveira em até nove rodadas, da terceira a 11ª.
E a situação santista pode ficar ainda pior por causa dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Caso Gabigol seja convocado também para o torneio, perderá até 18 rodadas do torneio nacional, praticamente um turno inteiro.
A novela vivida pelo Santos em 2016, no entanto, não é uma novidade. Em 2011, logo após ser campeão da Libertadores, o time da Vila Belmiro viveu situação bastante parecida. Naquela ocasião, Elano, Paulo Henrique Ganso e Neymar foram convocados para a Copa América, enquanto Danilo e Alex Sandro foram chamados para disputar o Mundial Sub-20.
Grande nome do Santos na época, Neymar foi o que mais fez o clube sofrer com as constantes convocações. Em 2011, o atacante estrou no Campeonato Brasileiro apenas na 12ª rodada, quando a equipe ocupava uma modesta 13ª posição – o Santos terminou na 10ª colocação, com Neymar entrando em campo apenas 21 vezes. No período, o atacante jogou pela seleção 10 vezes.
O ápice das convocações de Neymar, no entanto, aconteceu no ano seguinte. Em 2012, o atacante fez quase o mesmo número de partidas pelo Santos, no Campeonato Brasileiro, e pela seleção: 17 e 15 jogos, respectivamente. O time da Vila Belmiro terminou na 8ª colocação, com Neymar participando da conquista de 32 dos 53 pontos do Santos na competição.
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Eduardo Knapp/Folhapress Além dos desfalques com a seleção brasileira, o Santos poderá ter problemas com um possível desmanche no elenco. Os principais nomes do time se esquivam de perguntas sobre o futuro e não confirmam presença no restante da temporada.
Herói do título paulista, Ricardo Oliveira quase deixou a equipe em janeiro para o futebol chinês, que deve voltar à carga para levar o jogador na próxima janela de transferência. “Não trabalho com possibilidades, quero trabalhar com certezas. Não vou ser hipócrita e dizer que a proposta não voltará, mas não é com isso que tenho que me preocupar. É com o Santos, é em comemorar, em ajudar a Seleção Brasileira. Todo trabalho tem sua recompensa”, esquivou-se o artilheiro.
Outros dois jogadores importantes especulados para deixar são Gabigol e Lucas Lima. O meia, inclusive, já afirmou em diversos momentos que aguarda por uma transferência para o exterior. “Sempre falei que tenho o desejo de jogar na Europa, mas não para pressionar. Se quisesse sair, já tinha saído. Fiquei pelos objetivos, pelos meus sonhos. Sinto-me sinto em casa aqui, estou muito feliz”.
Até agora, o único com proposta oficial para sair é o lateral Zeca. O Atlético de Madri já ofereceu 8 milhões de euros (cerca de R$ 30 milhões) ao Santos. O clube paulista, porém, fez uma contraproposta ao Atlético de Madri e avisou que aceita vender seu titular por 10 milhões de euros (aproximadamente R$ 39 milhões). Agora, o presidente Modesto Roma e companhia aguardam uma posição do clube espanhol.
Diego Padgurschi /Folhapress Sabendo das dificuldades que terá com os convocados para a seleção brasileira, o Santos espera acertar com até sete jogadores para a disputa do Campeonato Brasileiro. Três deles já estão contratados e, inclusive, já assinaram contrato com o clube paulista – o atacante Rodrigão, do Campinense, e os zagueiros Fabián Noguera, do Banfield, da Argentina, e Renan Montanha, do ABC, de Natal.
Além do trio, o atacante argentino, Emiliano Vecchio, que estava no futebol do Qatar, acertou salários e tempo de contrato com o clube. A expectativa é que ele chegue ao Brasil no início da semana para oficializar a negociação. “Vamos atrás do Vecchio. Dorival pediu e trabalhamos para atender”, afirmou o presidente Modesto Roma Júnior.
O outro jogador com quem o clube já iniciou negociação é o volante Yuri, justamente do Audax, adversário na final. Após a partida em Osasco, o jogador conversou em particular com o técnico Dorival Júnior. Para evitar polêmicas, a diretoria santista 'escondeu' a negociação, mas espera anunciar a revelação do Audax junto com os demais contratados no 'pacotão'.
Juntam-se à lista o meia-atacante Thiago Galhardo, que se destacou no Campeonato Paulista pelo Red Bull Brasil, mas pertence ao Coritiba, e o atacante Bruno Lopes, revelação do Criciúma.