Reprodução As ruas de Monte Carlo são, provavelmente, o último lugar em que você imaginaria ver um buraco no asfalto, certo? Mas foi justamente isso que quem acompanhou o GP de Mônaco viu: em uma das curvas, o asfalto se soltou, abrindo buracos por onde os velozes carros de F-1 passavam.
A cena era tão inusitada que, quando viu o que estava acontecendo, Galvão Bueno, da Globo, soltou: “Rapaz, isso ai é sério, hein”. Quem explicou o problema (criticando o asfalto monegasco como se fosse o pavimentos das ruas de São Paulo ou Rio de Janeiro) foi o comentarista Luciano Burti: “Sabe o que é isso, Galvão? É óbvio que falta qualidade no asfalto, mas é excesso de aderência dos pneus desses carros. A pista deve estar quente, o asfalto fica menos resistente, vamos falar assim. O carro vai passando em cima, passando em cima, até descolar”.
Os pilotos também sofreram com isso. O francês Esteban Ocon, da Force India, disse que teve um pneu furado pelos detritos da pista e o dinamarquês Kevin Magnussen, da Haas, foi reto na curva ao passar por cima do buraco. Quando perguntado, via rádio, o que aconteceu, ele não soube responder. Mas Burti, novamente, entendeu: “Pelo que eu vi, ele passou em cima do asfalto que estava soltando e o carro saiu de frente”.
Então, da próxima vez que você passar por um buraco nas ruas da sua cidade, não fique tão indignado: os pilotos de F-1, dirigindo a 300 km por hora, também passam por isso...
Max Rossi/Reuters Primeira dobradinha da Ferrari desde 2010. Primeira vitória italiana em Mônaco desde 2001. O GP do domingo veio carregado de significados. Ao dar a Sebastian Vettel a oportunidade de superar Kimi Raikkonen mesmo com o finlandês na pole position e tendo liderado a primeira parte da prova, o time italiano deixa claro que vai trabalhar para que seu primeiro piloto fique em posição privilegiada na briga com Lewis Hamilton, da Mercedes.
Não que Vettel não tenha feito por merecer a vitória: o ritmo forte com pneus usados nas voltas entre a parada de Raikkonen e a sua mostraram isso. Mas não é a primeira vez que retardar a parada é a melhor estratégia. E é difícil imaginar que a Ferrari não sabia disso quando decidiu adotar essa tática com o tetracampeão. Kimi Raikkonen não escondeu sua frustração, mesmo após ter conquistado, com o segundo lugar, seu melhor resultado na temporada.
A conduta é, também, um recado à Mercedes, resistente a colocar Valtteri Bottas em um papel de segundo piloto. Em Mônaco, Hamilton dispensou a ajuda do finlandês e disse ser possível que, ao longo da temporada, ele próprio possa trabalhar em função de Bottas para maximizar as chances de a equipe levar o título de construtores.
No Principado, o inglês esteve longe de se colocar em posição de receber qualquer tipo de ajuda, perdido com o rendimento dos pneus na classificação. Mas com a Ferrari deixando claro como vai jogar o jogo, pode ser a hora de rever esses conceitos.
Não foi muito planejado. Tentamos abrir vantagem e conseguimos. Naquele momento de janela aberta, Kimi respondeu à parada do Valtteri [Bottas]. Tentei acelerar o máximo possível e fiquei surpreso por voltar à frente
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Eu acordei nesta manhã me sentindo horrível e não dormi nada ontem à noite. Mas sair daqui com os pontos que conquistei, posso dizer que estou contente e agora é uma questão de seguir em frente. Fiz o que tinha de fazer
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O australiano saiu decepcionado da classificação depois de ser apenas quinto, mas deu a volta por cima com um ritmo muito bom com os pneus ultramacios na primeira parte da prova, e ainda mais conseguindo ficar na pista por mais tempo que seus rivais diretos, Verstappen e Bottas. Com isso, Ricciardo conquistou seu segundo pódio consecutivo na temporada e, ao contrário de 2016, quando perdeu o GP de Mônaco por um erro da equipe, sorriu.
Imagem: Reprodução/AUSmotive
O espanhol costuma mostrar serviço em Mônaco e não foi diferente na etapa deste ano. Sainz foi o "melhor do resto", atrás de Ferrari, Mercedes e Red Bull, e ainda conseguiu segurar Lewis Hamilton na parte final da prova. Não é à toa que ele já começa a chamar a atenção de equipes grandes.
Imagem: AFP PHOTO / SAEED KHAN
Dentro das pistas, o resultado da equipe na corrida que, em teoria, seria sua melhor chance do ano, foi péssimo. Foram dois abandonos por acidentes. Mas fora dela o time foi bem, colocando Fernando Alonso para conversar com Jenson Button logo antes de o inglês largar e abrindo seu motorhome para que os jornalistas e demais membros do paddock pudessem assistir às 500 Milhas de Indianápolis.
Imagem: Mark Thompson/Getty Images
O sueco cometeu um erro bobo, batendo quando estava atrás do Safety Car - ao passar em cima do "buraco de Mônaco". Antes disso, já tinha sido superado pelo companheiro Pascal Wehrlein na classificação, seu único rival real devido ao péssimo desempenho da equipe Sauber.
Imagem: Mark Thompson/Getty Images
O mexicano já mostrou algumas vezes que é 8 ou 80 em Mônaco. Mesmo andando bem, comete muitos erros e já foi parar no muro algumas vezes. Neste domingo, o piloto da Force India se afobou na parte final da prova, quando estava tentando ganhar terreno com pneus novos, e acabou com a corrida de Daniil Kvyat, que vinha bem.
Imagem: Dan Istitene/Getty Images
O piloto da McLaren foi uma decepção neste final de semana, batendo na classificação e na corrida e desperdiçando uma oportunidade de ouro para o time marcar seus primeiros pontos na temporada.
Imagem: Mark Thompson/Getty Images
Shaun Botterill/Getty Images A Williams pode ter melhorado seu rendimento em curvas de baixa velocidade nesta temporada, mas ainda assim sofreu neste final de semana em Mônaco. A situação só piorou quando ambos os carros passaram a ter problemas de freios. Tendo isso em vista, Felipe Massa saiu contente com a nona colocação depois de ter largado em 14º, e destacou como sua experiência o ajudou a contornar a situação.
No final, vi que o Perez estava tentando de tudo com pneus novos e pensei: “deixa eu ficar na minha aqui porque é uma chance de ganhar mais algumas posições”.
Quando você fica dentro de um segundo para o carro da frente, é realmente difícil acompanhar. E os carros são muito largos, você não pode fazer nada
Eu vi a brecha [para passar Kvyat] e tentei. Infelizmente, não tinha espaço suficiente e nós tocamos, o que significa que eu arruinei a corrida dele e a minha também. Minha corrida foi um pesadelo desde a primeira volta
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Ele tentou tocar em mim como se fosse PlayStation, mas as coisas não funcionam desse jeito. Eu estava fazendo uma boa corrida, calmo, somando pontos e aí encontrei um cara que fodeu meu dia todo. E esse foi o Pérez
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Eu entrei por dentro e pensei que estava tudo certo, mas aí percebi que ele não tinha me visto. Esses carros agora estão mais difíceis de enxergar quem vem atrás. Nunca vi um carro levantar de lado assim
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Ele não estava em nenhum lugar. Aquela não era uma curva em que se pode ultrapassar. Foi uma manobra boba
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Max Rossi/Reuters Fernando Alonso deixou de lado a disputa do GP de Mônaco deste domingo para disputar as 500 Milhas de Indianápolis. Mas não esqueceu de acompanhar a F-1: com seu substituto, Jenson Button, saindo dos boxes (devido à punição), Alonso enviou mensagem via rádio da McLaren.
No comunicado bem humorado, o espanhol fez o seguinte pedido para o amigo inglês: “Cuide bem do meu carro”, pediu Alonso, via rádio, diretamente de Indianápolis.
Button, sempre bem humorado, respondeu assim:
Eu vou fazer xixi no banco do seu carro”.
McLaren Honda Andretti/Twitter/Divulgação Para quem não acompanhou, Alonso foi bem nas 500 milhas. Chegou a liderar e muita gente acreditou que ele iria chegar à parte final da corrida com chances de vitória. O UOL Esporte acompanhou a prova do motorhome da McLaren. Nele, a empolgação era clara.
Até que o comentário de um engenheiro da Honda acabou sendo profético: "Seria uma merda se esse motor quebrasse agora". E quebrou: ele abandonou a 20 voltas do final. Lembrando: na Fórmula 1, o espanhol já sofria com a confiabilidade dos propulsores japoneses, mas na Indy, teoricamente, os motores da marca eram mais confiáveis.
Para a Honda, porém, a vitória de Takuma Sato, a primeira de um japonês na prova, foi o prêmio de consolação.