A taça e o líder

Sem poder jogar por uma lesão, CR7 reforça papel de capitão com título inédito

Do UOL, em São Paulo
Matthias Hangst/Getty Images
AFP PHOTO / MIGUEL MEDINA AFP PHOTO / MIGUEL MEDINA

Entre palavrões e ordens

Nani se aproxima da linha de fundo para ouvir instruções de um lesionado Cristiano Ronaldo. A ordem é para atue na lateral esquerda nos minutos finais. A cena curiosa foi apenas uma mostra da importância do craque português também fora de campo na conquista da Eurocopa.

Liderança que já havia ficado famosa quando intimou o companheiro João Moutinho a bater pênalti contra a Polônia nas quartas de final. "Anda a bater, anda a bater, anda! Tu bates bem! Se perder que se f...".

Cristiano Ronaldo passou todo o 2º segundo tempo da prorrogação contra a França na beira do campo como um treinador. Gestos eram feitos na tentativa de ditar o ritmo da seleção. Esforço reconhecido pelos companheiros, que 'jogaram por ele' e romperam protocolo ao coloca-lo para erguer a taça.

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Desde 2004, pedi sempre a Deus que me desse mais uma oportunidade, porque os portugueses merecem, os nossos jogadores merecem. Sempre disse que precisava ganhar algo por Portugal, para entrar na história. E consegui
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Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo

Ele [Cristiano Ronaldo] me disse que eu faria o gol da vitória. Foi muito importante ter marcado, ter trabalhado com essa seleção desde o início da Euro. Fomos espetaculares, e todo o povo português merece isso
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Éder

Éder

Segunda final perdida em um mês. É uma m... As derrotas vão me fazer mais forte
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Antoine Griezmann

Antoine Griezmann

Stu Forster/Getty Images Stu Forster/Getty Images

Os melhores britânicos

Com o título de Portugal, País de Gales ficou com o terceiro lugar da Euro por ter caído diante do campeão. Embora simbólica, a posição marca o tamanho do sucesso do pequeno país no torneio. Sob o comando de Gareth Bale, a seleção britânica surpreendeu em sua primeira participação no torneio e foi bem mais longe que a Inglaterra, teoricamente a grande força do Reino Unido e eliminada nas oitavas. 

Somos uma nação orgulhosa e estamos orgulhosos do que conseguimos

Foi o que disse Bale após e eliminação diante de Portugal. A torcida nem ligou para a derrota. Na volta para casa, lotou as ruas de Cardiff para receber o time, que agora sonha com a Copa do Mundo de 2018. 

Islândia 'conquista' a Europa

País insular do Atlântico Norte tomado em parte pelo gelo, com apenas 320 mil habitantes e que tem uma seleção de futebol formada por jogadores semiprofissionais. A Islândia esbanjou carisma na Eurocopa 2016 e foi a principal sensação nas ruas e estádios da França.

A começar pela “saudação viking” entre jogadores e torcedores. A batida de palma com braços erguidos somada ao uníssono grito de “uh!” será lembrada como uma das principais marcas da Euro-16. O gesto transcendeu os islandeses e virou moda a ponto de ser copiado pelas torcidas francesa e alemã na semifinal da competição.

Mas não foi somente nas cadeiras dos estádios que a Islândia fez bonito. Com a bola rolando também. No grupo F, arrancou empates de Portugal e Hungria e venceu a Áustria na partida decisiva para classificar-se pela primeira vez ao mata-mata na história da Eurocopa.

Como se não bastasse, a Islândia eliminou a Inglaterra com vitória heroica por 1 a 0 nas oitavas de final, terminando a Euro-16 no grupo das oito melhores. Nas quartas, ainda conseguiu fazer dois gols na anfitriã França. Diante de tamanha campanha, com toda a justiça, os jogadores islandeses foram recebidos como heróis, com festa e multidão nas ruas da capital Reykjavík. 

Torcidas em contraste

REUTERS/Pascal Rossignol REUTERS/Pascal Rossignol

Hooligans marcam a Euro-16

A Eurocopa da França ficou marcada também por torcedores violentos, principalmente os hooligans ingleses. Eles protagonizaram conflito à parte com os russos, como na batalha campal na primeira rodada no estádio de Marselha. Mas os hooligans também arranjaram confusão nas ruas francesas, onde quebraram cadeiras de bares e entraram em conflito com as forças policiais.

João Henrique Marques (UOL Esporte) João Henrique Marques (UOL Esporte)

Irlandas dão show de torcida

Os torcedores da Irlanda e da Irlanda do Norte, por outro lado, deram exemplo de alegria e civilidade na Eurocopa. Sem grandes expectativas esportivas na competição, as torcidas irlandesas propiciaram muitos momentos a serem recordados. Teve bebês irlandeses enchendo de fofura os estádios, torcedores ajudando idosos nas ruas e metrôs da França e os beberrões da paz.

Norte-irlandeses cantam, bebem e fazem festa na Eurocopa

Quem foi bem

John Sibley/Reuters John Sibley/Reuters

Itália

A tetracampeã mundial Itália chegou à Euro-16 desacreditada. Algumas publicações italianas chegaram a falar na pior geração de jogadores da história. Mas a Azzuri fez bonito na competição, mesmo ante tamanho rótulo. Comandada pelo vibrante Antonio Conte, estruturada na forte zaga da Juventus e com perigosa dupla de ataque, os Italianos só caíram na disputa de pênaltis, contra a Alemanha, nas quartas de final.

Kai Pfaffenbach/Reuters Kai Pfaffenbach/Reuters

Alemanha

Os atuais campeões mundiais não chegaram à decisão, mas também não decepcionaram nesta Eurocopa. A Alemanha foi eliminada apenas na semifinal pela anfitriã França, em partida que jogava melhor até levar gol de pênalti em lance polêmico. Ainda sofreu com lesões importantes para a partida, caso de Hummels, Khedira e Gómez, perdendo parte de sua estrutura defensiva e seu melhor finalizador na Euro-16.

Tibor Illyes/AP Tibor Illyes/AP

Hungria

Sim, é fato, os húngaros foram atropelados por 4 a 0 pela Bélgica nas oitavas de final, mas cumpriram bom papel na Eurocopa. A Hungria classificou-se na primeira colocação do grupo F, com uma vitória e dois empates, à frente de Islândia e Portugal. Além disso, foi a única das seleções sem grande tradição que não se fechou com montes de zagueiros e jogou bom futebol, para frente, na edição 2016.

Quem foi mal

Thanassis Stavrakis/AP Thanassis Stavrakis/AP

Inglaterra

Os ingleses mais uma vez decepcionaram-se com sua seleção. Mas dessa vez foi pior. A eliminação para a Islândia, país com futebol semiprofissional e 330 mil habitantes, por 1 a 0 nas oitavas de final da Eurocopa foi encarada pela Inglaterra como maior decepção de sua história. Além disso, o English Team não conseguiu jogar bom futebol nem encaixar os jovens talentos que despontam na Premier League. E Roy Hodgson pediu demissão.

Charles Platiau/Reuters Charles Platiau/Reuters

Espanha

Os espanhóis foram eliminados pela Itália com derrota por 2 a 0 nas oitavas de final. Até aí, pelo peso da camisa italiana, nenhum absurdo. Mas a Espanha só pegou a tetracampeã mundial na primeira partida de mata-mata porque ficou em segundo lugar do grupo D. Indolente, perdeu de virada para a Croácia na última partida da fase de grupos, ficou um ponto atrás da rival e por isso enfrentou a Itália. Poderia ter chegado mais longe na Eurocopa.

Reprodução/Instagram Reprodução/Instagram

Suécia

A seleção sueca não gerava muita expectativa para a Eurocopa, mas Ibrahimovic, sim. E o maior artilheiro da história da seleção deixou a França em branco. O mais novo atacante do Manchester United até buscou o jogo, esforçou-se na criação de jogadas, mas esteve pouco inspirado na competição. Assim, a Suécia virou presa fácil: empatou uma, perdeu duas e terminou na lanterna do grupo E com um ponto, no mesmo patamar de Áustria e Romênia.

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