O ídolo em construção

Como o tímido Casemiro, abandonado pelo pai, virou rei no Real Madrid e fundamental para a seleção

Luiza Oliveira Do UOL, em São Paulo
Juan Medina/Reuters

Carlos Henrique, Carlinhos, Kaisermiro, Casemarra, Casemito: tantas facetas de um mesmo jogador. Cada uma delas para uma fase da vida. Nem parece que ele só tem 24 anos e uma carreira toda para viver.

Hoje ele é o craque que desabrochou no Real Madrid, com dois títulos da Liga dos Campeões no currículo. A estrela que fez o técnico Zinedine Zidane encontrar o equilíbrio do time e deixou Tite impressionado. Ainda que uma lesão tenha aparecido no meio do caminho.

Porém, o tal caminho para o estrelato fugiu do script original e foi cheio de obstáculos desde cedo. Viu o pai sair de casa para nunca mais voltar aos três anos de idade e viveu todos os perrengues com a família por falta de dinheiro. As coisas pareciam ter acalmado quando chegou no São Paulo, mas novas tempestades estavam por vir. Erram com ele, mas ele também cometeu erros. Ainda adolescente se deslumbrou com um novo mundo, perdeu o foco, foi escalado fora de sua posição, julgado precocemente, perseguido pela torcida. Chorou, mas aprendeu. Hoje, brilha.

 

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Foi abandonado pelo pai e virou o chefe da família cedo

Casemiro sempre teve grandes responsabilidades. Ainda criança, viu o pai ir embora de casa e nunca mais voltar. Até hoje não gosta de tocar no assunto nem com os amigos mais próximos. Mas a experiência o fez crescer e trouxe maturidade.

A mãe, dona Magda, conta que apenas recentemente ele abriu o jogo sobre o buraco que ficou internamente. "Ele sempre foi muito quietinho, muito reservado. Faz pouco tempo que ele falou que, quando ia para os jogos, via os pais com os filhos torcendo por eles e pensava. 'Nossa, porque meu pai não está aqui?'. Eu acho que foi uma época muito difícil. Ele não tinha a presença de um homem, um homem como referência. Era eu, ele, a minha irmã e a minha mãe". 

Sem a figura masculina presente, Casemiro virou o chefe da família na adolescência e se sentiu responsável pela mãe e pelos irmãos mais novos Lucas e Bianca. Cuidava deles quando criança e esquentava a comida para a mãe trabalhar. Por isso, toda vez que entrava em campo, era neles que pensava. Sempre priorizou as necessidades da família aos caprichos pessoais.

“Ele falava: ‘tenho que ser pé no freio. Não posso ser apavorado para comprar. Já que eu sou o pai, eu tenho que traçar um caminho que é mais difícil. Não posso só me agradar, tenho que seguir meu sonho, mas tenho uma família atrás de mim por quem vou lutar com unhas e dentes. Lá em casa sou o pai da família, a última palavra é minha. Vou sempre mandar primeiro para casa, depois o que sobrar é meu' ”, conta o amigo Bruno dos Anjos, que jogou com ele na base do São Paulo. 

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Hepatite e o medo de ser dispensado pelo São Paulo

O primeiro percalço de Casemiro no futebol foi logo cedo, aos 14 anos. Assim que chegou ao São Paulo, o volante contraiu uma hepatite e ficou três meses sem treinar. Sozinho na capital, viveu a angústia de estar longe da família e o medo de ser dispensado pelo clube em sua primeira chance.

“Ele ficava na beira do campo assistindo aos treinos todos os dias. Às vezes até chorava, ficava com medo. Como ele tinha acabado de chegar, ele vivia o receio de que mandassem ele embora. Ele sempre perguntava isso. Eu ainda brincava com ele: ‘não posso encostar em você porque posso pegar.  Mas pode ficar tranquilo que a gente vai esperar. E ele perguntava: ‘vai esperar mesmo, professor?’”, conta Bruno Petri, que foi técnico do jogador entre seus 14 e 16 anos.

Em São José dos Campos, a mãe Magda quase morreu de preocupação. Mas a turbulência passou, Casemiro voltou a ser o menino saudável de antes e o São Paulo cumpriu a promessa de esperar. A doença fez ele criar ainda mais forças para seguir o sonho. Tanto que assim que se recuperou começou a ser convocado para as seleções de base.

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O deslumbramento no profissional

Títulos nas seleções de base, campeão da Copa São Paulo de futebol júnior e adorado por Juvenal Juvêncio. Casemiro teve um início promissor no São Paulo, mas não conseguiu deslanchar com rapidez no profissional e alternou bons e maus momentos. Quem conviveu com o volante na época reconhece que o universo que se abriu para ele mexeu com a cabeça. Casemiro se deslumbrou. 

É ao menos o que pensa o diretor executivo de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha. Na época, ele ocupava o cargo de superintendente e dava muitos conselhos ao atleta. "Ele era menino, imaturo, gostava de fazer as presepadas dele, de sair, beber, essas coisas de moleque. Era mais imaturidade mesmo e ele não percebia”, diz. “Ele sempre teve muita qualidade, a ponto de estrear no São Paulo muito cedo e com muita eficiência. Mas estava no começo de carreira, muito deslumbrado, coisa de jogador novo, começa a ter o assédio, começa a badalação e ele não foi um cara muito persistente no trabalho".

Nilton Moreia foi o primeiro técnico de Casemiro e também acompanhou aquela fase. Ele acredita que o pupilo acabou se empolgando demais na transição da base para o profissional. "Ele se deslumbrou com o São Paulo vendo todos os jogadores famosos, como Rogério Ceni, andando no carrão, aí também quis comprar", conta. "Você chega e também passa a querer ser igual a eles. Ele quis antecipar toda essa coisa, sair com os mais velhos, e as amizades também não foram as melhores. E aí, o que aconteceu? Caiu de rendimento, começou a ser cobrado e quando começou a ser cobrado não estava com a experiência de segurar a barra", analisa.

O cenário também não era dos mais favoráveis. O São Paulo vivia um momento difícil em campo com resultados ruins, e os atletas mais novos acabaram pagando o pato. Na visão de Sérgio Baresi, técnico dele na base e no profissional, Casemiro não soube lidar com a pressão e perdeu o foco. "O Casemiro perdeu o foco. Consequentemente, ele não teve o desempenho que todos nós esperávamos".

Leandro Moraes/UOL Leandro Moraes/UOL

Timidez confundida com marra. E a fama pegou

Casemiro cometeu seus erros e já admitiu isso publicamente. Mas pagou um preço alto. O jovem atleta acabou rotulado como marrento e virou o Casemarra para a torcida. Ainda sofreu com as comparações com Lucas Moura, que fazia mais o estilo bom moço. Quem conhece Casemiro de perto garante que nunca houve soberba, mas sim um excesso de timidez que foi mal interpretado. 

"Ele é um menino simples, humilde, muito tímido, muito fechado, e isso dificultou quando ele subiu. Ele sofria comparação com o Lucas, que era da mesma geração, ano 92. O Lucas falava, se enturmou muito fácil. E quando você é quieto e não transmite isso, acaba ficando taxado de marrento”, conta o amigo e ex-treinador na base, Bruno Petri.

O técnico Ney Franco trabalhou com Casemiro nas seleções de base e no São Paulo, em 2012, e tem a mesma opinião. “O Casemiro é um cara tímido no meio de um grupo, ele é na dele. Esses momentos podem ser confundidos, ou algumas pessoas confundiram, com essa palavra marrento”.

Casemiro também sofreu com a fama de preguiçoso. Mas foi muitas vezes utilizado em uma função que não estava habituado. O atleta jogava na base como um volante mais defensivo, atuando à frente da zaga, e é nessa posição que brilha hoje no Real Madrid. No time principal do São Paulo, era escalado mais à frente.

“Quando ele subiu para o profissional ele subiu como primeiro volante. Posteriormente, talvez se tenha cobrado uma posição que ele não poderia render tanto. Ele não estava preparado”, conta Baresi. Bruno Petri é mais incisivo. “As dificuldades dele no São Paulo foram duas: relacionamento e posicionamento. Sempre foi claro na formação desde que veio do São José que era primeiro volante. No profissional, jogou em outra posição...” 

Rodrigo Paiva/UOL Rodrigo Paiva/UOL

Lágrimas e oração com a mãe para espantar a má fase

Os rótulos, a irregularidade em campo, a torcida que pegava no pé, a desconfiança da diretoria, o sonho de fazer história no clube... tudo esse turbilhão abalou o jovem atleta. Em alguns momentos, Casemiro deixou os sentimentos transbordarem. Chorou com a família, com os amigos e até em campo depois de um clássico contra o Corinthians em 2012.

Os amigos relatam que foi um dos piores momentos da vida do atleta. “Teve um jogo no Morumbi que ele estava no vestiário e me ligou dizendo que tinha sido cortado, quase chorando, e pediu para eu ir para a casa dele para a gente conversar. Ele dizia: ‘fui cortado. Nunca pensei que isso fosse acontecer. Não acredito que estou passando por isso.’ Ele ficava mal, dava para ver que estava sem chão”, relata Bruno dos Anjos, que jogou com ele na base.

Nesse período contou com o apoio e as orações da mãe Magda que sofria muito com a situação. “Ele ficava triste, a gente como mãe sofre. Foi um momento difícil, ele vinha e falava e eu: ‘vamos, filho. Vamos orar que Deus vai arrumar um jeito de melhorar a situação. E ele continuava o trabalho’”.

Hoje, o próprio São Paulo reconhece que não soube lidar com o menino talentoso que estava em um processo natural de amadurecimento. No fim, cuidou mal da joia e a acabou 'perdendo' para o Real Madrid B. Baresi avalia:

Houve um desleixo ou uma falta de atenção, uma falta de carinho em relação a ele na época. E talvez isso tenha desmotivado a pessoa Casemiro, que tinha condições totais de ser titular do São Paulo na época e por algum motivo acabou não sendo

Marco Aurélio Cunha aponta o erro do Tricolor. “Ele ficou um pouco na reserva e aí se aborreceu, não estava preparado para isso. Mas no final ele mostrou que tinha muita qualidade, ele nunca deveria ter saído para o time B do Real Madrid como ele saiu. O São Paulo errou. Para ele foi bom no final, para o São Paulo foi razoável”.

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A grande guinada no Porto

Casemiro foi negociado com o Real Madrid B em 2013 e deixou os tempos difíceis para trás. Não demorou a ser promovido por José Mourinho e foi bem com o sucessor Carlo Ancelotti. Mas não era fácil para o novato estrangeiro disputar posição com Xabi Alonso, Khedira e Modric. Foi quando tomou uma das decisões mais difíceis de sua vida. Fez questão de ser emprestado ao Porto para ter mais chances de jogar mesmo com medo de não voltar a vestir a camisa merengue. A ousadia se mostrou um grande acerto.

Foi no Porto que ele deu a grande guinada na carreira. “Ele chegou com o pensamento: ‘agora é a hora de mostrar. Se não mostrar agora para mim e para todo mundo que eu sou jogador do Real Madrid, não vai ser mais’”, conta Bruno dos Anjos que chegou a morar em Portugal com o amigo.

Determinação virou palavra de ordem para Casemiro. Mas ele não conquistou nada sozinho e teve uma pessoa fundamental nesse processo: Julen Lopetegui, treinador da seleção espanhola. O então técnico do Porto pediu a contratação e acompanhou cada passo. Ele se reunia sozinho com Casemiro, mostrava vídeos, apontava acertos e erros, indicava trabalhos fora dos horários de treinamento e deu uma verdadeira aula na posição. Foi com ele que Casemiro evoluiu na marcação e conquistou um posicionamento quase perfeito à frente da zaga.

Os resultados logo vieram em campo. O Porto não foi campeão da Liga dos Campeões, mas chegou às quartas depois de seis anos tendo Casemiro como destaque. O volante marcou um golaço nas oitavas de final contra o Basel. E foi o segundo maior ladrão de bolas do torneio, atrás apenas do sérvio Matic, do Chelsea. O sucesso nos 41 jogos em que atuou foi tanto que o Real Madrid pagou € 7,5 milhões (R$ 26,4 milhões) ao Porto para pegá-lo de volta em uma espécie de cancelamento da cláusula de prioridade dos portugueses.

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Novo status ao colocar Messi no bolso... mas o dia terminou triste

Um jogo em especial representou um salto na carreira de Casemiro e o fez atingir outro patamar na Europa. Bem no seu primeiro clássico como titular do Real Madrid, o volante anulou o ataque do Barcelona e não deu chances a Lionel Messi. Foi peça fundamental na vitória por 2 a 1 em pleno Camp Nou pelo Espanhol, em abril deste ano.

Casemiro chamou a atenção e foi considerado o melhor da partida pelos desarmes e pelo posicionamento em campo. Não deu a menor chance a Messi. Não à toa, o volante se tornou o homem de confiança de Zidane e recebeu vários elogios do técnico. Virou manchete em jornais e programas de TV do mundo inteiro e estampou a capa do Marca com o apelido tanque.

A internet também não perdoou. Vários memes com Messi no bolso de Casemiro começaram a surgir. O jogador manteve os pés no chão e não quis se gabar. Comemorou o bom desempenho com discrição e disse estar feliz por se tornar um orgulho da torcida.

Mas por ironia do destino, um dos dias mais felizes da vida profissional do jogador acabou com muita tristeza. Pouco depois do jogo ainda no vestiário, Casemiro recebeu a notícia da morte de Pupo Gimenez. Pupo havia sido técnico e um grande incentivador do atleta na base do São Paulo e o ajudou em vários momentos, principalmente quando teve hepatite. A alegria de destruir o trio MSN ficou para trás naquele momento e ele caiu no choro. Em meio às comemorações, o dia havia acabado com a morte de alguém que era leal a ele.

Super caxias! Vício em estatística, treino extra e devoção a Zidane

Casemiro virou peça chave de um dos maiores times do mundo e queridinho de Tite na seleção brasileira. O segredo é uma boa dose de inspiração, mas muito mais transpiração. O volante faz o tipo super caxias no trabalho. Realiza treinos extra, tem vício em estatísticas e escuta atentamente cada conselho do técnico e ídolo Zidane.

As pessoas mais próximas a Casemiro são unânimes em dizer que a dedicação é o que mais impressiona no atleta. Além dos treinos no Real, ele montou uma academia em sua casa e faz um trabalho diário com um fisioterapeuta espanhol para acelerar sua recuperação. Não fica parado nem quando está de férias em São José dos Campos. Hoje em dia sua condição física é considerada um de seus pontos fortes.

Mas outros aspectos também merecem atenção. O volante crê que errar é quase proibido no Real e faz de tudo para diminuir essa margem. Depois dos jogos, revê suas partidas e faz uma observação minuciosa de sua atuação. Não à toa tem uma consciência tática e de seu posicionamento que impressiona os treinadores. “Ele fica nervoso em todo lance que erra. Ele pensa que o scout tem que estar bom, se cobra para sempre melhorar. Se errou quatro passes no jogo, poderia ter errado dois. Errar dois passes seguidos é a morte para ele”, conta o amigo Bruno dos Anjos.

E é nos treinos que ele põe todo o estudo em prática. Gosta de chegar mais cedo e sair mais tarde. Vê em Zidane um mestre que ele idolatra desde criança e o ajudou bastante quando era auxiliar. “Ele diz assim: ‘eu olho para um cara que fui fã, o que o cara falar para mim, não tenho como resmungar. Eu só aprendo mais a cada dia que passa. Ele já ganhou tudo na vida. É nosso espelho ali fora, uma das pessoas que mais sabem o que é o futebol’”, conta Bruno.

A dedicação também passa pelos estudos. O jogador tem tido aulas individuais com um professor de inglês em sua casa em Madri. A ideia é se preparar e se comunicar com os árbitros. "Todos os árbitros conversam em inglês. E ele joga em uma função em que se fala muito com o juiz, que toma cartão. Então é importante que o juiz entenda o que ele diz e que ele consiga conversar com o árbitro para mostrar seus argumentos. Numa dessas, o juiz pode relevar algumas coisas", conta o amigo.

A Espanha se rende a Casemiro

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"Parça" do Cristiano Ronaldo e homem do presidente

Um menino tímido e com poucos amigos na infância. Assim Casemiro é definido por todos que conviveram com ele. Mas aquele garoto cresceu e amadureceu não só com a bola nos pés. Hoje, Casemiro ainda é um sujeito reservado, mas sabe muito bem como se relacionar e se posicionar. Virou amigo de ninguém menos que Cristiano Ronaldo e é homem de confiança do presidente Florentino Pérez.

Casemiro chegou ao Real e logo se entrosou com os brasileiros Danilo e Marcelo. A amizade com o desinibido lateral carioca abriu portas para o restante do elenco. Em pouco tempo acabou conquistando CR7. É comum ver os dois entre brincadeiras e gozações durante os treinos. A mãe do volante já conhece o português e até tira onda com as amigas.

“O Cristiano é muito gente boa. Quando fui assistir à final da Champions, voltei no voo com ele. Ele falava comigo toda hora. (...) Eu abracei ele e sem querer passei a mão na barriga dele. Falei: ‘ai, desculpa’. As amigas lá de São José ficaram doidas”, brinca Magda.

Em campo, Casemiro também já se mostra mais solto do que anos atrás. Cada dia mais confiante em suas atuações, tem liberdade para cobrar os companheiros, passar orientações, dar bronca quando preciso ou intimidar um adversário.

O volante conseguiu conquistar até o presidente Florentino Pérez. O mandatário do Real sempre acompanhou de perto os passos de Casemiro e é comum os dois se falarem por telefone. Até quando ele estava emprestado ao Porto, Pérez dava moral dizendo que estava acompanhando ou dava parabéns por suas atuações. 

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Como encantou Tite em dois jogos

Na seleção brasileira, Casemiro tem história na base com títulos sul-americanos e mundiais. Recentemente, foi convocado por Dunga para a disputa das Copas América de 2015 e 2016. Mas foi com Tite que ele mostrou a que veio. Em apenas dois jogos, deu uma aula de marcação e dedicação em campo a ponto de deixar o treinador encantado.

“Não imaginava que ele pudesse ter um domínio do setor tanto quanto ele tem. Na conversa que eu tive com Zidane, ele colocou que era ele quem dava equilíbrio à equipe”, disse Tite impressionado após ver o pupilo como titular nas vitórias sobre o Equador, por 3 a 0, e a Colômbia, por 2 a 1, pelas Eliminatórias da Copa.

Tite ficou surpreso com o nível de atenção do jogador até no vestiário depois que ele interveio em uma conversa do treinador com o auxiliar Matheus Bacchi e deu palpites sobre como James Rodrigues atuaria pela Colômbia, como revelou em entrevista à ESPN. Nas duas partidas, Casemiro conseguiu 14 desarmes e foi o melhor do time no quesito. Cometeu só três faltas em 180 minutos, número bem baixo para um volante, e alcançou 93% de aproveitamento nos passes. 

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O susto com a lesão e a queda do Real

Tudo corria bem. Casemiro vivia a melhor fase da carreira e caminhava para mais uma convocação de Tite para os jogos contra Bolívia e Venezuela. Mas no último mês sofreu uma lesão chata que atrapalhou seus planos. Em uma disputa de bola acabou com uma fissura no osso da perna esquerda e foi substituído por Toni Kroos no primeiro tempo do jogo contra o Espanyol pelo campeonato nacional. Previsão de pelo menos um mês fora.

A tristeza bateu forte. Nessas horas ele conta com o apoio da sua companheira inseparável, a esposa Anna: "Ele ficou bem chateado, ele está em um momento ótimo da carreira dele. No momento em que aconteceu, ele ficou assustado. Mas agora ele está tratando. Eu estou sempre do lado dele fazendo tudo que for preciso”, disse. “No começo falei para ele que aconteceu o que era para acontecer, graças a Deus não foi nada pior", conta Anna Mariana.

Mas se Casemiro saiu perdendo, foi pior ainda para o Real. Sem o volante, a equipe não conseguiu mais vencer e perdeu a liderança do Espanhol. Foram quatro empates em quatro jogos, sendo três pelo nacional e um pela Liga dos Campeões, além de seis gols sofridos. Agora o time está em segundo lugar atrás do Atlético de Madri. O técnico Zidane definiu bem. "Está claro que não há outro que jogue como Casemiro".

O jornal Marca também destacou a falta que ele faz com a manchete 'Sem Vitamina C'. “Fundamental no aspecto defensivo para dar equilíbrio, a equipe de Zidane fica mais vulnerável sem Casemiro, sofre mais gols, e sofre a consequência dos resultados: perdeu a sua vantagem na Liga”, destacou o periódico.

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O porto seguro e a saudade da mãe que não passa

Casemiro vive voltado para o trabalho. Mas é na família que ele vê seu porto seguro e encontra forças para ser cada dia melhor. O jogador agora é pai da bebê Sara. A mulher Anna Mariana sempre foi a conselheira e considerada uma das chaves para o amadurecimento desde os tempos de São Paulo.

“Eu vejo que tenho minha contribuição, não que também não seja mérito dele. Mas o relacionamento que a gente tem é forte, seguro, um apoia o outro. Sempre conversamos. A gente se ajuda e amadurece com a vida”, conta ela.

Hoje a cabeça de Casemiro fica parte em Madri e parte em São José dos Campos onde mora a mãe e os dois irmãos. A ligação com dona Magda é tão forte que eles se falam todo santo dia por telefone ou por Whatsapp. Ainda é duro lidar com a saudade mesmo morando fora de casa há 20 anos:

“Quando eu vou embora de lá e quando ele vai embora daqui eu choro. Muito. E ele também fica sentido. Ele fala: ‘mãe, já já a gente vai se ver’", conta. "Ele é tão bom para mim, para os irmãos, tem um coração enorme. Ele não deixa faltar nada aqui em casa, e não me deixa gastar nada. Aqueles tempos que eu passei... hoje estou no paraíso. Ele me dá tudo do bom e do melhor.  Vai comprar um carro? É o melhor. 'Para a senhora, mãe, é o melhor’. Eu vejo o quanto ele é bom, nasceu com esse caráter iluminado por Deus”, orgulha-se.

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