Caça ao líder?

Todos esperavam um tropeço do Corinthians. Mas quando o líder empatou, só um dos rivais, o Grêmio, aproveitou

Bruno Doro Do UOL, em São Paulo
Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Marcello Zambrana/Agif Marcello Zambrana/Agif

Vantagem do líder Corinthians diminui. Mas a conta-gotas

Quando o Corinthians começou a abrir vantagem na liderança do Campeonato Brasileiro, muita gente previu que, hora ou outra, esse desempenho iria cair. O que ninguém sabia ao certo, porém, era se algum dos rivais conseguiria aproveitar quando o time, finalmente, tropeçasse. A 14ª rodada do torneio respondeu. E de forma negativa.

O Corinthians empatou (com o Atlético-PR em casa), mas dos quatro primeiros, o único que venceu foi o vice-líder Grêmio. E ainda assim foi sofrido: o time de Renato Gaúcho saiu atrás (com um gol contra) e teve correr muito para fazer 3 a 1 na Ponte Preta. Com o resultado, os 10 pontos atrás do líder viraram oito.

Flamengo e Santos, terceiro e quarto colocados, fracassaram. O primeiro tinha uma tarefa dura, o Cruzeiro no Mineirão, e não conseguiu passar do 1 a 1, mesmo saindo na frente. Já os paulistas jogaram no Rio de Janeiro, contra o Vasco e sem torcida, punido após a selvageria de São Januário no último fim de semana. O jogo terminou 0 a 0, sem muitas emoções. O resultado? Os 12 pontos de vantagem do Corinthians para o terceiro continuam fortes.

Não adianta o Corinthians tropeçar e o Grêmio não ganhar. E pode ter certeza, outros também vão chegar. Ninguém aqui está tirando os méritos do Corinthians, mas repito: não tem equipe no mundo que comece e siga assim. Vai tropeçar. Mas o Grêmio não pode tropeçar também

Renato Gaúcho

Renato Gaúcho, técnico do Grêmio, único que aproveitou o empate do Corinthians

Do jeito que está o campeonato hoje, o título chega com 72 pontos. Essa é a conta. Mas vai se definir, mesmo, faltando oito rodadas. Não acredito que alguém vai ser campeão com 80, pelos resultados que já aconteceram

Fábio Carille

Fábio Carille, do líder Corinthians, que já somou 36 pontos

Estamos trabalhando a concentração. Temos de criar os espaços e finalizar com efetividade. Jogamos contra duas grandes equipes e temos que continuar trabalhando. Não existe fórmula mirabolante. É trabalho duro

Zé Ricardo

Zé Ricardo, do Fla, que em duas rodadas só perdeu (Grêmio) e empatou (Cruzeiro)

O Santos tem uma boa estrutura, bom elenco, um time relativamente bom. Mas, se não melhorar, não vamos conquistar nenhum título dos três que vamos disputar. Temos que correr para dar uma melhorada e os jogadores estão conscientes disso

Levir Culpi

Levir Culpi, sobre o empate em 0 a 0 com o Vasco e a caça ao Corinthians

UOL UOL

Perrone: empate em casa não abala favoritismo corintiano

O Corinthians conquistou status de favorito ao título do Brasileiro depois do início da competição, pela campanha que faz. O empate com o Atlético-PR, em casa, por 2 a 2, é um tropeço, mas não abala esse favoritismo. Não abala porque o time de Fábio Carille construiu uma vantagem na tabela que lhe dá segurança nos momentos complicados. E também um jogo só, com três desfalques, é pouco para colocar em dúvida a consistência mostrada pela equipe até aqui.

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Bumerangue da rodada

O que foi melhor: pênalti de Henrique ou jogo de corpo de Richarlison?

Rubens Chiri/Saopaulofc.net Rubens Chiri/Saopaulofc.net

O São Paulo chegou ao fundo do poço?

Crise do São Paulo já tem recordes negativos

A sequência parecia favorável para Dorival Júnior. Ele assumiu o lugar que era de Rogério Ceni após o clássico contra o Santos e teria pela frente o lanterna Atlético-GO e a Chapecoense, que até este domingo não vencia há seis partidas. Torcida e diretoria olhavam para as duas partidas como o início da reação.

Só que o fundo do poço tricolor ainda não tinha chegado: no Morumbi, empate com a equipe goiana e, neste domingo, derrota para a Chape por 2 a 0. O resultado fez o time bater marcas negativas. Já são nove jogos sem vencer, segunda maior sequência da equipe no Brasileirão dos pontos corridos, como ressaltou PVC.

É, também, uma das piores campanha da história do time até a 14ª rodada. A equipe soma 12 pontos, apenas um a mais do que obteve nos 14 primeiros jogos em 2013, quando o time era comandado por Paulo Autuori.

E o futuro também não parece tão favorável: nas próximas rodadas, Vasco, Grêmio e Botafogo. Todos times da parte de cima da tabela.

É inaceitável. É natural que estejamos preocupados. Mas percebemos que, quando fizemos os gols contra o Atlético-GO, também houve um desarranjo. Quando sofremos o gol, houve um descontrole desnecessário

Dorival Júnior

Dorival Júnior, do São Paulo, sobre a derrota para a Chapecoense

A gente tem de tirar o ânimo de onde não tem. Agora, é ir para casa, fazer o nosso papel junto com o torcedor para sair dessa situação. Estamos treinando para ter consistência. Agora, é trabalhar para corrigir os erros

Bruno

Bruno, lateral são-paulino, admitindo falta de consistência da equipe

Caio corneta diretoria do São Paulo

As contratações foram muito mal feitas. O São Paulo está há nove anos sem conquistar nenhum título importante e o que a gente está vendo em campo é o reflexo da incompetência da atual diretoria. O campeonato do São Paulo é esse: tinha três jogos com confrontos diretos para respirar: Atlético-GO em casa, Chapecoense e Vasco. Dos nove pontos, o São Paulo está conquistando um. Preocupa muito a continuação do campeonato

Caio Ribeiro

Caio Ribeiro, comentarista da Globo, analisando a partida do clube

Foram bem

  • Barrios (Grêmio)

    Protagonizou a cena que simboliza a vitória: no pênalti, tomou a bola e não deu margem para discussão sobre quem bateria. Fez dois gols.

    Imagem: Wesley Santos/Estadão Conteúdo
  • Dudu (Palmeiras)

    O Palmeiras venceu bem, mas não jogou tão bem assim. Dudu foi o melhor, marcou duas vezes e mostrou muita raça nos 4 a 2 sobre o Vitória.

    Imagem: Alex Silva/Estadão Conteúdo
  • Eutrópio (Chapecoense)

    A vitória da Chapecoense por 2 a 0 sobre o São Paulo passa pelo técnico: ele mudou o jogou colocando Túlio de Melo no lugar de Perotti.

    Imagem: Chapecoense/Divulgação
  • Lucas Romero (Cruzeiro)

    No 1 a 1 com o Fla, o volante jogou improvisado na lateral, mas fez ótimas jogadas no ataque - em uma delas, deixou Alisson na cara do gol.

    Imagem: Lucas Bois/Light Press/Cruzeiro

Foram mal

  • W. Nem (São Paulo)

    Não conseguiu dar sequência às jogadas. No segundo tempo, acabou sendo substituído por Marcinho. É um dos alvos da torcida.

    Imagem: Reprodução/Divulgação
  • Ariel Cabral (Cruzeiro)

    Teve dificuldades para marcar Everton Ribeiro e Diego. Em um dos lances, tomou uma caneta desconcertante do camisa 7 do Flamengo.

    Imagem: Douglas Magno/AFP Photo
  • Leandro Donizete (Santos)

    Mais uma partida abaixo do esperado. Alguns passes errados, pouca produtividade e substituição já no intervalo do volante.

    Imagem: Reprodução/Divulgação
  • Henrique Almeida (Coritiba)

    Ao bater um pênalti contra o Fluminense, tomou pouca distância e cobrou um tiro de meta. Detalhe: o jogo ainda estava 0 a 0.

    Imagem: Comunicação CFC

Edmundo corneta o Fla: falta drible

Na minha opinião, faltou um pouco mais de coragem, drible, ousadia de time grande que tem aquele camisa 10 que chama o jogo. O Diego ficou um abaixo do que era esperado hoje. E Éverton Ribeiro também

Criticando os meias do Fla

Criticando os meias do Fla

Coloca o VT completo. É difícil ver um drible, ver o cara pelo lado do campo chamando a jogada. Não é só culpa do treinador. É dos atletas, que não se movimentam para encontrar espaço para o 1 a 1

Dizendo que a culpa não é de Zé Ricardo

Dizendo que a culpa não é de Zé Ricardo

Hoje, está muito pragmático. Toca, toca, toca, esperando um espaço que não aparece. Ou então se propõe a jogar em contra-ataque. Mas falta coragem do jogador chamar a responsabilidade

Analisando porque o fenômeno acontece

Analisando porque o fenômeno acontece

Arte/UOL
Luciano Belford/Agif Luciano Belford/Agif

#JogoSemGraça

O 0 a 0 entre Vasco e Santos no Nilton Santos, neste domingo, foi, de longe, o jogo mais sem graça da rodada. Não bastasse a falta de criatividade das duas equipes, ninguém subiu às arquibancadas. O time carioca foi punido pela selvageria do último fim de semana em São Januário e está jogando sem torcida até julgamento do STJD – que pode tirar a torcida do Vasco por até 25 partidas. As reações dos atores do espetáculo foram hilárias: 

O único lucro é que nem a torcida do Vasco e nem a do Santos conseguiram me xingar

Levir Culpi

Levir Culpi, técnico do Santos

Nenhum jogador está acostumado a jogar assim. Se a gente tivesse a torcida, teria vencido

Ramon

Ramon, lateral do Vasco

Futebol sem torcida é meio sem graça, mas acaba ajudando porque a gente orienta melhor a defesa

João Paulo

João Paulo, goleiro do Santos

Daniel Vorley/AGIF Daniel Vorley/AGIF

#ÓdioPersiste

O goleiro Aranha voltou a jogar na Arena do Grêmio, mesmo estádio em que, em 2014, protagonizou uma das cenas de racismo mais tristes do futebol brasileiro. Alguns torcedores até tentaram receber o jogador com carinho. Mas foram poucos. Durante a vitória do Grêmio sobre a Ponte por 3 a 1, Aranha se sentiu hostilizado.

"Quando eu volto aqui, evito olhar para a arquibancada. Mas não dá para evitar sempre. Sempre que olho, vejo ódio no rosto das pessoas. Eles têm certeza que eu sou o errado", disse o goleiro.

A questão é que Aranha, a vítima de racismo, está correto: após o jogo, o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr, afirmou que Aranha é culpado pela atitude dos torcedores gremistas por relembrar da história. E ainda afirmou que o goleiro encenou o problema. Para quem não se lembra, imagens de TV na época mostraram uma torcedora chamando o goleiro de macaco.

"Já pagamos caro e injustamente, injustamente, de modo coletivo para situação individual. Outros fatos posteriores não tiveram mesma repercussão e consequências. Mas da memória do torcedor não é possível apagar o fato. O torcedor também se dói pelo clube, tanto ou mais que o dirigente. Apagar da memória não dá, aquilo foi uma encenação. E teve clamor público de tal ordem que houve condenação. O Grêmio trata o assunto por encerrado há tempos, não entendemos que foi uma decisão justa. Foi injusta. Mas no jogo, quando o Aranha fala isso, revive isso. O Grêmio não fez referência alguma, mas ao falar isso mantém a situação. E com rejeição para jogar aqui. Espero que esse assunto passe, vá embora. Mas o torcedor não esqueceu a injustiça", disse o dirigente.

#GolPerdidoPodeSerBonito

Olhe a classe de Allione, do Bahia, na conclusão do cruzamento...

#DesgraçaPoucaÉBobagem

Não bastasse a derrota por 2 a 0 para a Chapecoense e as marcas negativas que estão sendo batidas, o São Paulo ainda tem um problema para adicionar à lista de contratempos: a equipe ficou presa em Chapecó após a partida. Por causa do mau tempo, o aeroporto da cidade está sem teto para voo - e a previsão é que a situação permaneça assim pelos próximos dias. A alternativa foi ficar por lá no domingo e tentar voltar na segunda-feira, provavelmente de ônibus.

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