Artilharia pesada

Diego Souza, Borja, Roger... Na 6ª rodada do Brasileirão, os centroavantes enfim decidiram

Marcello Zambrana/AGIF

"Procura-se artilheiros": esta poderia muito bem ser a manchete do mercado da bola brasileiro em tempos recentes, com uma busca um tanto desesperada pelo bom e velho centroavante. O UOL, mesmo, já buscou gente do ramo para entender esse fenômeno (veja no link abaixo). Na tabela de goleadores do Brasileirão, por sinal, nenhum dos três primeiros é um matador de ofício: Róger Guedes, Rodriguinho e Vinícius Júnior. Pois na sexta rodada, o metafórico "camisa nove" apareceu. 

Diego Souza, que custou R$ 10 milhões, fez o gol da vitória do São Paulo contra o Santos. Foi seu terceiro gol, aliás, nos seus últimos três jogos. Há menos de um mês, diretoria e Diego Aguirre discutiam a possibilidade de ele ser emprestado ao Vasco. No sábado, Miguel Borja, quem diria, saiu até aplaudido pelos palmeirenses depois de brilhar em triunfo sobre o Bahia. O atacante de mais de R$ 30 milhões já havia anotado três gols contra o Junior Barranquilla. Agora vai se apresentar em alta à seleção colombiana em busca de vaga na Copa. Diego Souza já está fora.

Mas talvez o gol de Roger, pelo Corinthians, contra o Sport, seja o mais emblemático dessa busca pelo homem-gol. Depois de longa busca, o Corinthians só contratou o veterano em 20 de abril. Insatisfeito com as demais alternativas do elenco, Fabio Carille já até redesenhou seu esquema, encontrando uma formação que não prevê um homem de área. Roger só jogou no Recife, por ora, porque o time principal foi poupado. É isso: claro que a atuação dos centroavantes tende a melhorar também à medida em que o coletivo de suas equipes evolua, com a progressão da temporada. Se as chances forem criadas, eles têm de aproveitar, de todo modo. Não só para justificar o investimento, mas para combater a extinção da função. 

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Veja os gols da rodada

Foram bem

  • Nenê (São Paulo)

    Contra sua ex-equipe, o meia ajudou na criação de boas jogadas para os parceiros e levou perigo com chutes de fora. Até acertou a trave

    Imagem: Daniel Vorley/AGIF
  • Neilton (Vitória)

    Parece um ano de afirmação para o atleta do Vitória, que articulou várias investidas contra o Ceará e ainda fez o gol do triunfo, de pênalti

    Imagem: Maurícia da Matta / Divulgação
  • Vinícius Júnior (Flamengo)

    Contra o Vasco, o caçula rubro-negro foi dos poucos a levantar a torcida e fez seu 1º gol no Maracanã. Quando o tirou, o técnico foi vaiado

    Imagem: Luciano Belford/Agif
  • Jadson (Fluminense)

    O volante já nem é tão mais discreto assim. Contra o Atlético-PR, não só deu sustentabilidade ao meio como foi ao ataque para fazer gol e dar assistência.

    Imagem: Lucas Merçon/Fluminense FC

Foram mal

  • Federico Mancuello (Cruzeiro)

    O argentino recebeu aguardada chance como titular, logo no clássico mineiro, e retribuiu com dois amarelos e uma expulsão em 48 minutos

    Imagem: © Washington Alves/Light Press/Cruzeiro
  • Anderson Martins (São Paulo)

    O zagueiro foi mais um a deixar seu time a perigo em um clássico, com um a menos. Detalhe: já poderia ter sido expluso no lance do 1º cartão

    Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
  • Juninho Capixaba (Corinthians)

    O lateral esquerdo pode ter queimado o filme com Carille: fraco na defesa, foi pelo seu lado que o Sport mais agrediu. No ataque, pouco criou

    Imagem: Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians
  • Maicosuel (Grêmio)

    Depois da lesão de Éverton, Renato Gaúcho talvez esperasse uma apresentação mais ativa ou lúcida do veterano, o reforço que ainda não se encontrou

    Imagem: Lucas Uebel/Grêmio

Frases da rodada

Nosso corpo de segurança detectou que um desses torcedores havia sido condenado pela morte de um conselheiro cruzeirense. Essa atitude leva o clássico ao fundo do poço
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Marcelo Dijan

Marcelo Dijan, diretor de futebol do Cruzeiro, explicando a decisão de a delegação do clube deixar o estádio sem dar entrevistas

O Atlético atendeu a todas as solicitações do clube visitante, até nos camarotes. Não havendo um incidente sequer, reputamos as reclamações do rival como um mero choro de perdedor
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Nota oficial do Atlético-MG

Nota oficial do Atlético-MG, na qual a diretoria respondeu ao primeiro comunicado emitido pelos cruzeirenses

Bem claro: existe a possibilidade de proposta. Se falou demais nessa semana, um monte de mentira. Não chegou nada oficial. Não sei se vai chegar

Fábio Carille

Fábio Carille, ainda treinador do Corinthians

Tivemos jogadores que terminaram com câimbras de tanto esforço, de tanta descarga emocional que tiveram na partida

Diego Aguirre

Diego Aguirre, técnico do São Paulo, após o San-São

O juiz exagerou, acho que ele quis aparecer mais que o jogo, demorou para tomar as atitudes, mas aconteceu, é do jogo. Não teve briga, aí ia ficar mais feio

Éverton Ribeiro

Éverton Ribeiro, meia do Flamengo, criticando o árbitro Ricardo Marques Ribeiro

Não precisava de todo esse rigor, apesar de as equipes terem se exaltado um pouco. Não sei se acertou, mas ao menos foram duas expulsões de cada
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Yago Pikachu

Yago Pikachu, polivalente vascaíno, fazendo eco às reclamações contra Ribeiro

Thiago Ribeiro/Agif Thiago Ribeiro/Agif

Nem tão clássico assim

Se o San-São viu o time do Morumbi fazer boa apresentação -- mesmo que no final do jogo, para variar, tenha titubeado, correndo risco de ceder o empate --, os clássicos de Minas Gerais e Rio de Janeiro ganharam destaque por suas polêmicas. Como podemos notar pelas frases destacadas acima.

De futebol, mesmo, foi pouco. Muito pouco. Em Belo Horizonte, o Cruzeiro já foi para campo com uma equipe reserva, penando na Libertadores. Com um homem a mais, o Atlético-MG venceu por 1 a 0, mas não foi dominante. Ao final, os rivais nem quiseram falar nada. Depois, comunicaram que se sentiram ameaçados no Independência pela presença de vizinhos supostamente violentos nos camarotes do Independência. Os atleticanos responderam, numa troca de cartas pouco produtiva.

No Rio, os primeiros minutos prometiam emoções para Flamengo x Vasco. Com o passar do tempo, porém, quem mandou em campo foi o marasmo. Até que, numa confusão daquelas entre os jogadores, o árbitro Ricardo Marques Ribeiro identificou "brutalidade", segundo sua súmula. Deu logo cartão vermelho para quatro jogadores. 

É certo que as rivalidades municipais se constroem também pelo que acontece com a bola parada ou ao redor do gramado. Mas esses deveriam ser meros ingredientes, e não a história toda. Do contrário, a 23 dias do início da Copa do Mundo, é quase um convite para mudar de assunto. 

Arte UOL
Arte UOL
Pedro Vale/AGIF Pedro Vale/AGIF

Quando dá tudo certo

Róger Guedes fez o domínio, acionou Ricardo Oliveira e partiu em velocidade para completar a tabela, já dentro da área cruzeirense. Acontece que o zagueiro Manuel estava ligado para fazer o corte. Quer dizer, talvez não estivesse tão atento assim: pressionado, o defensor tentou fazer o corte imediato e chutou a bola. Precisamente na perna de Guedes. Na rebatida, a bola foi em direção ao gol: 1 a 0, placar do clássico em Belo Horizonte definido. 

Foi com um pouco de sorte, é verdade, mas também foi o quinto gol de Guedes neste Brasileirão. "Todo mundo vive uma fase boa", resumiu o atacante. E pensar que, no início do campeonato, havia gente da diretoria atleticana cogitando repassar o atleta a outro clube, não só devido ao desempenho irregular em campo, mas também pelo que se considera um comportamento "explosivo" nos bastidores. Lembrando que ele está cedido pelo Palmeiras por empréstimo... 

Com o jogador em boa fase, o Atlético-MG lidera o Brasileirão pela primeira vez desde 2015. Ou, se preferir, pela primeira vez depois de 102 rodadas. Naquele ano, aos 18, Róger disputava a Série B pelo Criciúma. 

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Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

Obrigado, Willian

Já contamos aqui que Borja foi o homem da partida na vitória do Palmeiras sobre o Bahia. Mas sua história pela sexta rodada do Brasileiro ainda não está completa. Perigou que o colombiano encerrasse sem camisa sua participação no Allianz Parque, numa noite fria paulistana. Exultante, o centroavante atirou seu uniforme para a torcida na hora de comemorar. Tudo muito legal. Mas como ele poderia voltar a campo desta maneira?

Para tanto, contou com a boa vontade de um torcedor, e, também, um ato de diplomacia de seu companheiro de ataque, Willian. Encontrado pela reportagem do canal "Esporte Interativo", o palmeirense Adinam explicou a operação de devolução: "Eu  guardei a camisa. Só que o Willian a pediu de volta. Não sabia se ia ter uma punição... Amarelo eu já sabia que o Borja iria tomar. Mas pensei que ele poderia ser expulso. Então achei melhor devolver". 

Willian é de fato um jogador reconhecido por toda sua entrega e versatilidade. Marcou o primeiro gol do jogo. Sem Borja, porém, seus companheiros só esperam que ele não perca mais gols como este: 

Gilvan de Souza/Flamengo Gilvan de Souza/Flamengo

Avisa lá o Ceifador

Vinícius Júnior fez bela jogada pela direita e lançou de trivela. Henrique Dourado dominou a bola, entrou na área e teve a frieza para finalizar, superando o goleiro Martín Silva. Era o gol da vitória do Flamengo sobre o Vasco, por 2 a 1, no Maracanã. Tem de vibrar, né? Só que não. Na verdade, o trio de arbitragem já havia anotado impedimento do centroavante no lance. 

O problema foi avisar ao atacante de tudo isso, com toda a barulheira no estádio e a comemoração empolgadíssima do jogador, que só queria saber de olhar para a torcida rubro-negra, só parando para confraternizar com um reserva no caminho. 

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