Não foram poucos os palmeirenses que, após os 2 a 0 de sábado contra o São Paulo, foram recepcionados por torcedores de outros times com um sonoro “parabéns pelo título”. Era uma provocação carregada de superstição após o time abrir três pontos na liderança do torneio, vencer um clássico, quebrar um tabu (de 16 anos se vitória no Morumbi) e ver rivais mais próximos (como Inter, Grêmio e o próprio São Paulo) tropeçarem.
Afinal, todo torcedor de futebol que se preza evita cantar vitória antes do tempo, reclama de quem grita gol antes que a bola entre e odeia ver alguém falando em título antes que a matemática diga que ele está conquistado. O problema é que esse Palmeiras de 2018 parece, cada vez mais, o grande favorito para a conquista do título do Brasileirão de 2018.
Vitinho fez sua melhor atuação desde que chegou ao Fla, mas foi o meia quem marcou duas vezes na vitória por 3 a 0 sobre o Corinthians.
Imagem: Daniel Vorley/AGIF
O Bahia não segurou a vantagem e empatou, no sul, com o Grêmio em 2 a 2, mas o atacante aproveitou as duas chances que teve para marcar.
Imagem: Reprodução
Depois do show contra o Colo Colo, comandou as melhores oportunidades do Palmeiras. Participou dos dois gols nos 2 a 0 sobre o São Paulo.
Imagem: REUTERS/Paulo Whitaker
Com gol e assistência, foi o nome dos 4 a 0 sobre o América-MG. No 1º tempo, deu assistência para Cirino. Na etapa final, fez o seu.
Imagem: Jason Silva/AGIF
Teve participação nos dois gols do adversário. No primeiro, errou o tempo de bola. No segundo, se posicionou mal. Pior da derrota para o Palmeiras.
Imagem: Rubens Chiri/saopaulofc.net
Voltou a fazer um jogo ruim na derrota por 1 a 0 para a Chape. Teve dificuldades no setor de criação e não usou a velocidade como de costume.
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Entrou no segundo tempo e foi vilão do jogo: errou uma saída de bola que deixou o Sport criar a jogada do segundo gol da vitória por 2 a 1.
Imagem: Ricardo Duarte/Inter
Com Fágner lesionado, foi improvisado na lateral. Vitinho, que ainda não tinha jogado bem, fez seu melhor jogo pelo Fla em seu setor.
Imagem: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians
Na regra, não existe histórico. O que tem quer ser levado em conta é o lance. O critério tem que ser o mesmo. Poderia citar Jucilei e Anderson Martins, que fizeram faltas. Não pode ter essa diferenciação
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Pelo que se apresentou, acredito que ganhamos um ponto e não perdemos dois. As coisas estavam difíceis, mas buscamos o empate. Não era o que queríamos, mas às vezes o brabo é o nada
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Quem almeja coisas grandes não pode levar essa virada
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Não fizemos um bom jogo e era uma decisão. Temos que assumir o momento e reverter rapidamente. Estamos todos doídos e eu entendo a torcida brava
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Já tinha passado da hora, né? A gente sabe que o São Paulo é um adversário muito duro aqui no estádio deles, mas a gente fez um jogo praticamente perfeito
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Alexandre Schneider/Getty Images O cenário era todo favorável ao São Paulo. O Palmeiras não vencia no Morumbi há 16 anos, o estádio estava lotado de são-paulinos e Diego Aguirre contava, novamente, com Everton, o jogador que, ao sair do time por contusão, se mostrou o ponto de equilíbrio que colocou o tricolor na liderança do torneio por oito rodadas. Mas o Palmeiras ignorou tudo isso, fez 2 a 0 com dois gols de cabeça e não foi ameaçado em campo.
Mais do que isso, a vitória no clássico marcou o 13º jogo sem derrotas do time no Brasileirão. O último revés no torneio foi em julho, 1 a 0 para o Fluminense – jogo que derrubou o técnico Roger Machado e abriu caminho para a volta de Luiz Felipe Scolari para o clube. Com 56 pontos contra os 53 do Internacional, o Palmeiras abre três pontos na liderança, a maior vantagem do primeiro colocado desde a pausa para a Copa do Mundo (o São Paulo também fechou três rodadas com três pontos de frente no mesmo período).
Além disso, palmeirenses tem um bom argumento para quem diz que o clube pode sentir o ritmo – afinal, chegou até a semifinal da Copa do Brasil, disputa, com o Boca Juniors, a semifinal da Copa Libertadores e ainda precisa se focar no Brasileirão. Felipão tem usado times bem diferentes no Brasileirão e nas duas Copas. Lucas Lima, por exemplo, é um dos meias mais eficientes do Brasileirão. Tem cinco gols marcados, três assistências e 15 passes para finalização. Mas é reserva de Moisés na Libertadores. O mesmo vale para a dupla de zaga: Luan e Gustavo Gómez jogaram nove partidas juntos. Levaram apenas três gols.
Daniel Vorley/AGIF Agora, antes que você acuse este texto de ter sido escrito com tinta verde, vem a ressalva que todos os rivais fazem: a sequência de duelos do Palmeiras nas próximas semanas é das mais complicadas. Depois de já encarar Cruzeiro e São Paulo, o time tem, até 17 de novembro, quando enfrenta o lanterna Paraná, Grêmio, Flamengo, Atlético-MG e Santos, todos no top-7 da classificação, pela frente (além de Ceará e Fluminense). Tudo isso com um duelo de semifinal da Copa Libertadores no meio:
(Número de pontos equivale à soma da pontuação dos rivais no Brasileirão)
Palmeiras: 251 pontos
Grêmio (51), Ceará (30), Flamengo (52), Santos (39), Atlético-MG (45) e Fluminense (34).
Internacional: 219 pontos
São Paulo (52), Santos (39), Vasco (30), Atlético-PR (36), Ceará (30), América-MG (32).
Flamengo: 231 pontos
Fluminense (34), Paraná (17), Palmeiras (56), São Paulo (52), Botafogo (33), Santos (39).
São Paulo: 256 pontos
Internacional (53), Atlético-PR (36), Vitória (29), Flamengo (52), Corinthians (35) e Grêmio (51).
Grêmio: 242 pontos
Palmeiras (56), América-MG (32), Sport (27), Atlético-MG (45), Vasco (30) e São Paulo (52).
Ninguém sabe se Luiz Felipe Scolari, do Palmeiras, e Renato Gaúcho, do Grêmio, escalariam força máxima para o duelo do próximo domingo, pelo Brasileirão. Nenhum deles, porém, terá a opção de fazê-lo. Com amistosos de seleções marcados para o fim de semana, mais uma vez o Campeonato Brasileiro jogará sem algumas de suas estrelas por marcar jogos no meio de uma data Fifa.
O líder Palmeiras, por exemplo, não poderá escalar o zagueiro paraguaio Gustavo Gómez e o atacante colombiano Miguel Borja. Já Renato não contará com o zagueiro argentino Walter Kannemann (que forçou o terceiro cartão amarelo e não jogaria de qualquer maneira) e o atacante brasileiro Everton (que sofreu uma lesão muscular e virou dúvida para a seleção brasileira de Tite).
No total, nove times tiveram atletas convocados para os amistosos dessa semana. Além dos quatro de Palmeiras e Grêmio, foram chamados os paraguaios Piris da Motta (Flamengo), Derlis González (Santos), Diaz e Romero (ambos do Corinthians), os equatorianos Arboleda (São Paulo) e Sornoza (Fluminense), o uruguaio De Arrascaeta (Cruzeiro), o peruano Trauco (Flamengo) e o colombiano Chará (Atlético-MG).
Até mesmo seleção sub-20 pode desfalcar a rodada: o atacante Rodrygo, do Santos, está convocado, mas o Santos tenta a liberação: "A gente preservou o Rodrygo para não perdê-lo para o clássico contra o Corinthians. Aí a gente não consegue liberação da seleção sub-20 para ele jogar o clássico... Vamos ver se as coisas vão se encaminhar", pediu o técnico Cuca, após vencer o Vitória.
Não há como negar que Deyverson, o atacante de cabelos tingidos do Palmeiras, é um dos personagens do Brasileirão. Nesta semana, ele admitiu que, às vezes, nem mesmo ele entende o que está fazendo.
“Sou um menino muito humilde, muito tranquilo e pé no chão, mas às vezes solta um chip na minha cabeça e acontecem algumas coisas que me prejudicam”.
No sábado, no clássico, contra o São Paulo, o chip ficou no lugar - ele até deu um belo chapéu na zaga são-paulina para comemorar. Chegou, inclusive, a evitar que Lucas Lima, seu companheiro mais calmo, se envolvesse em uma confusão. “O moleque é do bem, meu parceirão. Às vezes o chip dele esquenta demais. Tem todo o nosso apoio”, elogiou Lucas Lima.
Mas como Deyverson é sempre Deyverson, ele foi o autor de uma das imagens mais curiosas do dia: quando Sidão parou com as mãos fora da área uma conclusão sua, ele fez o gesto do VAR (o árbitro de vídeo). Primeiro, jogadores não podem fazer isso. Segundo, o Brasileirão não tem o VAR. “Eu esqueci”, admitiu.
O menino do vídeo é Lucca, filho mais novo do lateral-direito do Corinthians, Fagner. E ele demonstrou já amar o clube defendido pelo pai, mesmo tão novo. Em vídeo publicado no dia de Corinthians x Flamengo, ele é perguntado onde nasceu. "Lucca, você nasceu em São Paulo?", perguntam ao menino. E a criança responde, com um ar inconformado: "Não, Corinthians".
REINALDO REGINATO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Na véspera da eleição, o Atlético-PR demonstrou apoio ao candidato à presidência Jair Bolsonaro, do PSL. Com exceção do zagueiro Paulo André, vestindo um agasalho preto, todos os jogadores do Atlético-PR entraram em campo para a partida contra o América-MG com uma camiseta amarela com a frase “Vamos todos juntos por amor ao Brasil”, usada como slogan pelos apoiadores do candidato.
O fato foi citado na súmula pelo árbitro Raphael Claus e o time paranaense pode ser punido. O blogueiro do UOL Marcel Rizzo ouviu especialistas que dizem que a Fifa deve investigar o caso. A entidade proíbe que seus filiados, clubes ou confederações, façam manifestações políticas durante as partidas.