Alguém vai segurar?

Resumo da 28ª rodada: após vitória no clássico, Palmeiras abre três pontos, mas encara sequência dura

Ale Cabral/AGIF

Não foram poucos os palmeirenses que, após os 2 a 0 de sábado contra o São Paulo, foram recepcionados por torcedores de outros times com um sonoro “parabéns pelo título”. Era uma provocação carregada de superstição após o time abrir três pontos na liderança do torneio, vencer um clássico, quebrar um tabu (de 16 anos se vitória no Morumbi) e ver rivais mais próximos (como Inter, Grêmio e o próprio São Paulo) tropeçarem.

Afinal, todo torcedor de futebol que se preza evita cantar vitória antes do tempo, reclama de quem grita gol antes que a bola entre e odeia ver alguém falando em título antes que a matemática diga que ele está conquistado. O problema é que esse Palmeiras de 2018 parece, cada vez mais, o grande favorito para a conquista do título do Brasileirão de 2018.

Classificação do Brasileirão

Assista aos gols da rodada

Foram bem

  • Paquetá (Flamengo)

    Vitinho fez sua melhor atuação desde que chegou ao Fla, mas foi o meia quem marcou duas vezes na vitória por 3 a 0 sobre o Corinthians.

    Imagem: Daniel Vorley/AGIF
  • Élber (Bahia)

    O Bahia não segurou a vantagem e empatou, no sul, com o Grêmio em 2 a 2, mas o atacante aproveitou as duas chances que teve para marcar.

    Imagem: Reprodução
  • Dudu (Palmeiras)

    Depois do show contra o Colo Colo, comandou as melhores oportunidades do Palmeiras. Participou dos dois gols nos 2 a 0 sobre o São Paulo.

    Imagem: REUTERS/Paulo Whitaker
  • Nikão (Atlético-PR)

    Com gol e assistência, foi o nome dos 4 a 0 sobre o América-MG. No 1º tempo, deu assistência para Cirino. Na etapa final, fez o seu.

    Imagem: Jason Silva/AGIF

Foram mal

  • A. Martins (São Paulo)

    Teve participação nos dois gols do adversário. No primeiro, errou o tempo de bola. No segundo, se posicionou mal. Pior da derrota para o Palmeiras.

    Imagem: Rubens Chiri/saopaulofc.net
  • Chará (Atlético-MG)

    Voltou a fazer um jogo ruim na derrota por 1 a 0 para a Chape. Teve dificuldades no setor de criação e não usou a velocidade como de costume.

    Imagem: Pedro Vilela/Getty Images
  • Charles (Inter)

    Entrou no segundo tempo e foi vilão do jogo: errou uma saída de bola que deixou o Sport criar a jogada do segundo gol da vitória por 2 a 1.

    Imagem: Ricardo Duarte/Inter
  • Gabriel (Corinthians)

    Com Fágner lesionado, foi improvisado na lateral. Vitinho, que ainda não tinha jogado bem, fez seu melhor jogo pelo Fla em seu setor.

    Imagem: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians
Alexandre Schneider/Getty Images Alexandre Schneider/Getty Images

Frases da rodada

Na regra, não existe histórico. O que tem quer ser levado em conta é o lance. O critério tem que ser o mesmo. Poderia citar Jucilei e Anderson Martins, que fizeram faltas. Não pode ter essa diferenciação

Alexandre Mattos

Alexandre Mattos, dirigente do Palmeiras, sobre mais um cartão amarelo de Felipe Melo, que cometeu só uma falta em todo o jogo

Pelo que se apresentou, acredito que ganhamos um ponto e não perdemos dois. As coisas estavam difíceis, mas buscamos o empate. Não era o que queríamos, mas às vezes o brabo é o nada

Renato Gaúcho

Renato Gaúcho, técnico do Grêmio, sobre o 2 a 2 com o Bahia

Quem almeja coisas grandes não pode levar essa virada

Klaus

Klaus, zagueiro do Internacional, sobre a derrota por 2 a 1 para o Sport

Não fizemos um bom jogo e era uma decisão. Temos que assumir o momento e reverter rapidamente. Estamos todos doídos e eu entendo a torcida brava

Diego Aguirre

Diego Aguirre, técnico do São Paulo, sobre a derrota no clássico

Já tinha passado da hora, né? A gente sabe que o São Paulo é um adversário muito duro aqui no estádio deles, mas a gente fez um jogo praticamente perfeito

Dudu

Dudu, do Palmeiras, lembrando da 1ª vitória em 16 anos no Morumbi

Alexandre Schneider/Getty Images Alexandre Schneider/Getty Images

Quem para o líder?

O cenário era todo favorável ao São Paulo. O Palmeiras não vencia no Morumbi há 16 anos, o estádio estava lotado de são-paulinos e Diego Aguirre contava, novamente, com Everton, o jogador que, ao sair do time por contusão, se mostrou o ponto de equilíbrio que colocou o tricolor na liderança do torneio por oito rodadas. Mas o Palmeiras ignorou tudo isso, fez 2 a 0 com dois gols de cabeça e não foi ameaçado em campo.

Mais do que isso, a vitória no clássico marcou o 13º jogo sem derrotas do time no Brasileirão. O último revés no torneio foi em julho, 1 a 0 para o Fluminense – jogo que derrubou o técnico Roger Machado e abriu caminho para a volta de Luiz Felipe Scolari para o clube. Com 56 pontos contra os 53 do Internacional, o Palmeiras abre três pontos na liderança, a maior vantagem do primeiro colocado desde a pausa para a Copa do Mundo (o São Paulo também fechou três rodadas com três pontos de frente no mesmo período).

Além disso, palmeirenses tem um bom argumento para quem diz que o clube pode sentir o ritmo – afinal, chegou até a semifinal da Copa do Brasil, disputa, com o Boca Juniors, a semifinal da Copa Libertadores e ainda precisa se focar no Brasileirão.  Felipão tem usado times bem diferentes no Brasileirão e nas duas Copas. Lucas Lima, por exemplo, é um dos meias mais eficientes do Brasileirão. Tem cinco gols marcados, três assistências e 15 passes para finalização. Mas é reserva de Moisés na Libertadores. O mesmo vale para a dupla de zaga: Luan e Gustavo Gómez jogaram nove partidas juntos. Levaram apenas três gols.

Daniel Vorley/AGIF Daniel Vorley/AGIF

Para os rivais sonharem

Agora, antes que você acuse este texto de ter sido escrito com tinta verde, vem a ressalva que todos os rivais fazem: a sequência de duelos do Palmeiras nas próximas semanas é das mais complicadas. Depois de já encarar Cruzeiro e São Paulo, o time tem, até 17 de novembro, quando enfrenta o lanterna Paraná, Grêmio, Flamengo, Atlético-MG e Santos, todos no top-7 da classificação, pela frente (além de Ceará e Fluminense). Tudo isso com um duelo de semifinal da Copa Libertadores no meio:

Qual a sequência mais difícil?

(Número de pontos equivale à soma da pontuação dos rivais no Brasileirão)

Palmeiras: 251 pontos

Grêmio (51), Ceará (30), Flamengo (52), Santos (39), Atlético-MG (45) e Fluminense (34).

Internacional: 219 pontos

São Paulo (52), Santos (39), Vasco (30), Atlético-PR (36), Ceará (30), América-MG (32).

Flamengo: 231 pontos

Fluminense (34), Paraná (17), Palmeiras (56), São Paulo (52), Botafogo (33), Santos (39).

São Paulo: 256 pontos

Internacional (53), Atlético-PR (36), Vitória (29), Flamengo (52), Corinthians (35) e Grêmio (51).

Grêmio: 242 pontos

Palmeiras (56), América-MG (32), Sport (27), Atlético-MG (45), Vasco (30) e São Paulo (52).

Alexandre Schneider/Getty Images Alexandre Schneider/Getty Images

Brasileirão volta a sofrer com seleções

Ninguém sabe se Luiz Felipe Scolari, do Palmeiras, e Renato Gaúcho, do Grêmio, escalariam força máxima para o duelo do próximo domingo, pelo Brasileirão. Nenhum deles, porém, terá a opção de fazê-lo. Com amistosos de seleções marcados para o fim de semana, mais uma vez o Campeonato Brasileiro jogará sem algumas de suas estrelas por marcar jogos no meio de uma data Fifa.

O líder Palmeiras, por exemplo, não poderá escalar o zagueiro paraguaio Gustavo Gómez e o atacante colombiano Miguel Borja. Já Renato não contará com o zagueiro argentino Walter Kannemann (que forçou o terceiro cartão amarelo e não jogaria de qualquer maneira) e o atacante brasileiro Everton (que sofreu uma lesão muscular e virou dúvida para a seleção brasileira de Tite).

No total, nove times tiveram atletas convocados para os amistosos dessa semana. Além dos quatro de Palmeiras e Grêmio, foram chamados os paraguaios Piris da Motta (Flamengo), Derlis González (Santos), Diaz e Romero (ambos do Corinthians), os equatorianos Arboleda (São Paulo) e Sornoza (Fluminense), o uruguaio De Arrascaeta (Cruzeiro), o peruano Trauco (Flamengo) e o colombiano Chará (Atlético-MG).

Até mesmo seleção sub-20 pode desfalcar a rodada: o atacante Rodrygo, do Santos, está convocado, mas o Santos tenta a liberação: "A gente preservou o Rodrygo para não perdê-lo para o clássico contra o Corinthians. Aí a gente não consegue liberação da seleção sub-20 para ele jogar o clássico... Vamos ver se as coisas vão se encaminhar", pediu o técnico Cuca, após vencer o Vitória.

Flamengo é o time que melhor aproveita escanteios no Brasileirão

O chip Deyverson

Não há como negar que Deyverson, o atacante de cabelos tingidos do Palmeiras, é um dos personagens do Brasileirão. Nesta semana, ele admitiu que, às vezes, nem mesmo ele entende o que está fazendo.

“Sou um menino muito humilde, muito tranquilo e pé no chão, mas às vezes solta um chip na minha cabeça e acontecem algumas coisas que me prejudicam”.

No sábado, no clássico, contra o São Paulo, o chip ficou no lugar - ele até deu um belo chapéu na zaga são-paulina para comemorar. Chegou, inclusive, a evitar que Lucas Lima, seu companheiro mais calmo, se envolvesse em uma confusão. “O moleque é do bem, meu parceirão. Às vezes o chip dele esquenta demais. Tem todo o nosso apoio”, elogiou Lucas Lima.

Mas como Deyverson é sempre Deyverson, ele foi o autor de uma das imagens mais curiosas do dia: quando Sidão parou com as mãos fora da área uma conclusão sua, ele fez o gesto do VAR (o árbitro de vídeo). Primeiro, jogadores não podem fazer isso. Segundo, o Brasileirão não tem o VAR. “Eu esqueci”, admitiu.

Corintiano não nasce em São Paulo

O menino do vídeo é Lucca, filho mais novo do lateral-direito do Corinthians, Fagner. E ele demonstrou já amar o clube defendido pelo pai, mesmo tão novo. Em vídeo publicado no dia de Corinthians x Flamengo, ele é perguntado onde nasceu. "Lucca, você nasceu em São Paulo?", perguntam ao menino. E a criança responde, com um ar inconformado: "Não, Corinthians".

REINALDO REGINATO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO REINALDO REGINATO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Eleição na hora errada

Na véspera da eleição, o Atlético-PR demonstrou apoio ao candidato à presidência Jair Bolsonaro, do PSL. Com exceção do zagueiro Paulo André, vestindo um agasalho preto, todos os jogadores do Atlético-PR entraram em campo para a partida contra o América-MG com uma camiseta amarela com a frase “Vamos todos juntos por amor ao Brasil”, usada como slogan pelos apoiadores do candidato.

O fato foi citado na súmula pelo árbitro Raphael Claus e o time paranaense pode ser punido. O blogueiro do UOL Marcel Rizzo ouviu especialistas que dizem que a Fifa deve investigar o caso. A entidade proíbe que seus filiados, clubes ou confederações, façam manifestações políticas durante as partidas.

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