Vale muito

Vencer clássicos é sempre bom. Mas Palmeiras e Inter mostram que há vitórias mais especiais

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Lucas Sabino/AGIF Lucas Sabino/AGIF

Reviravolta

Clássico é clássico, certo? Já disseram vários filósofos. Mas nem todo clássico é igual ao outro. Basta ver a comemoração de jogadores de Internacional e Palmeiras ao final da jornada em domingo. Bater seus arquirrivais seria suficiente para fazer a festa. Essas fotos mostram que o nível de exaltação no gramado do Allianz Parque e do Beira-Rio (favor incluir aqui também o túnel do estádio...) parecia mais o de uma final do que uma partida pela 24ª rodada do Brasileirão.

Pois as vitórias, ambas por 1 a 0, valeram mais que três pontos e a mera oportunidade de importunar o adversário nesta segunda-feira. Foram jogos de volta por cima tanto para Inter e Palmeiras no universo desses confrontos. Corinthians e Grêmio estavam ditando as regras nesses duelos com frequência anormal. Mais que isso, têm conquistado títulos. Havia tanta frustração e tensão acumuladas, que não foi de se estranhar a ocorrência de tumulto. 

As torcidas colorada e alviverde esperam agora que os jogos possam marcar uma virada nessa história. Para fins práticos, de todo modo, vale adicionar: a rodada mantém o Inter na liderança, por ter um gol a mais de saldo que o São Paulo, ao passo que o Palmeiras segue a dupla de perto. A fase já era boa. Só melhorou.

Classificação atualizada

Veja os gols da rodada

Foram bem

  • Diego (Flamengo)

    Empolgado, o meia deu assistência estilosa para Renê. Depois marcou o dele de pênalti na vitória sobre a Chapecoense

    Imagem: Luciano Belford/AGIF
  • Marcos Rocha (Palmeiras)

    Deyverson roubou a cena, dentro e fora de campo, mas o impacto do jogo do lateral foi enorme, marcando e apoiando

    Imagem: PETER LEONE/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
  • Marcelo Lomba (Internacional)

    O experiente goleiro fez duas excelentes defesas para garantir a vitória no Gre-Nal, quando o rival tentava reagir

    Imagem: Pedro Vale/AGIF
  • Ayrton Lucas (Fluminense)

    O rendimento do lateral vem crescendo de modo considerável nas últimas rodadas, desequilibrando

    Imagem: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C

Foram mal

  • André (Grêmio)

    Apoiado por Renato Gaúcho, o centroavante desapareceu em meio à zaga do Internacional. Não finalizou e não armou

    Imagem: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA
  • Yago Pikachu (Vasco)

    De sensação a vilão? O meia-atacante saiu do banco, perdeu grande chance, arrumou confusão e foi expulso

    Imagem: Pedro Vale/AGIF
  • Everton Felipe (São Paulo)

    Ganhou chance como titular e realmente não aproveitou: pela ponta direita, faltou arrojo, finalizações e criação

    Imagem: Daniel Vorley/AGIF
  • Roger (Corinthians)

    Apareceu mais quando se irritou com Deyverson, do que em campo. O atacante não conseguiu dar sequência às jogadas. Mas estava isolado

    Imagem: Daniel Vorley/AGIF

Frases da rodada

Vocês não dão uma falta para nós. É tudo contra a gente. Baita palhaçada
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Luiz Felipe Scolari

Luiz Felipe Scolari, segundo relato do árbitro Jean Pierre Gonçalves Lima em súmula. Censuramos aqui o xingamento

Deyverson é um cara puro, mas tem essas reações dentro de campo
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Willian

Willian, descrevendo seu companheiro de ataque, que chorou e fez de tudo um pouco no clássico

O Gre-Nal ferveu

O sr. Renato Portaluppi sai de seu vestiário, atravessa a zona mista e tenta adentrar o vestiário do Internacional, gerando novo conflito
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Péricles Bassols

Péricles Bassols, árbitro do Beira-Rio, descrevendo parte do caos no estádio

Foi um Gre-Nal disputado, e o Grêmio poderia ter vencido. Tem gente que não sabe ganhar e quere tirar onda. E onda com o Grêmio, ninguém vai tirar
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Renato Gaúcho

Renato Gaúcho, técnico gremista, que chegou a mexer com a torcida rival durante o jogo

O Maicon jogou? Não vi. Primeiro tem de jogar para falar gracinha. Tomei duas injeções para jogar. Não fujo do Gre-Nal
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Rodrigo Dourado

Rodrigo Dourado, volante do Inter, respondendo a gritos do gremista

Tem um jogador ou outro que quer aparecer para a torcida, em vez de trazer a paz. Algo que sempre acontece

Pedro Geromel

Pedro Geromel, zagueiro gremista, destoando do clima tenso no Beira-Rio

Ricardo Duarte/Internacional Ricardo Duarte/Internacional
RODOLFO BUHRER/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO RODOLFO BUHRER/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Gabriel, artilharia em rodada de poucos gols

Se Atlético-MG  e Atlético-PR não somarem quatro gols nesta segunda, em Belo Horizonte, a 24ª rodada será a de menor produção ofensiva deste Brasileirão.

Até o momento, são apenas nove gols computados. Mesmo que cheguem a esta marca, dá para dizer de qualquer forma que os setores criativos não foram muito generosos. Excluindo, claro, a participação do atacante Gabriel, que levou o Santos à vitória sobre o Paraná, fora de casa, com os dois gols da vitória. Ele foi a 12 do campeonato, se isolando na artilharia. Sua fase é boa a ponto de ter conseguido quase metade de sua contagem (cinco) só neste mês de setembro.

De resto, vejamos a dureza que tem sido a jornada:

  • só Flamengo e Santos fizeram mais de um gol em 90 minutos, e seus jogos também foram os únicos com dois gols na rodada, o máximo registrado;
  • São Paulo, Fluminense, Palmeiras, Internacional e Vitória venceram pelo placar mínimo --obviamente seus torcedores não estão reclamando muito;
  • Sport x Cruzeiro e América-MG x Ceará ficaram no zero;
  • as 17ª e 20ª rodadas tiveram 13 gols no total, mas é bom registrar que a 20ª teve uma partida adiada (Chapecoense x Atlético-PR);
  • o máximo de gols marcados até o momento? As quarta, quinta e 11ª rodadas nos brincaram com 31 tentos, média de 3,1 por jogo;
  • 18, 19 e 20 gols anotados: estas foram as marcas das últimas três rodadas, para comparar.
Arte UOL

Nas estatísticas: gol improvável de lateral do Fla e pênaltis perdidos

Arte UOL

Barco à deriva

Já documentamos bem aqui nestes resumos do Brasileirão as dificuldades enfrentadas por Hernán Barcos com a camisa do Cruzeiro. O argentino simplesmente não consegue encontrar a rota do gol. Ele não marca um desde julho, para se ter ideia. Quer dizer: marcar, ele marcou no duelo com o Sport... Mas o árbitro Vinicius Gonçalves Dias Araújo tratou de anular. De modo equivocado.

Com 19 gols em 24 jogos, é inegável que o Cruzeiro vem tendo certa dificuldades com balançar a rede pelo Brasileirão. Mas também pode reclamar de uma certa falta de atenção dos homens do apito.

De todo modo, não custa lembrar que, no Recife, o time ainda perdeu um pênalti, com o veterano Magrão ainda fazendo das suas. Não deixa de ser curioso, já que, quando vaiam Barcos no  Mineirão, os cruzeirenses costumam pedir automaticamente a entrada do jovem Raniel, quem desperdiçou a cobrança.

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O Barcos fez o gol que fazia tempo que não fazia. Para você ver que até nisso atrapalha. Seria muito positivo para ele

Mano Menezes, técnico do Cruzeiro, desa vez sem sua típica ironia

Jogo de dez pontos

Quem dera ao torcedor são-paulino que a vitória sobre o Bahia tivesse valido dez pontos, mesmo. O time viraria, em uma rodada, o grande favorito ao título. Na verdade, a piada --um tanto batida, admitimos-- diz respeito às cicatrizes que o jogo deixou em Diego Souza e no zagueiro Bruno Alves. Os dois tiveram colisões aéreas no Morumbi e saíram de campo com a cabeça enfaixada. 

Diego levou três pontos no vestiário. Para Bruno foram sete. Sim, sete! Haja curativo. É o preço para brigar pela liderança do campeonato?

Gilvan de Souza / Flamengo Gilvan de Souza / Flamengo

Até breve?

O time vinha perdendo rendimento e se distanciando da ponta. A Libertadores? Coisa do passado. Como se não bastasse, um ídolo como Juan sofre lesão complicadíssima (ruptura no tendão de Aquiles), aos 39 anos. O período esperado para sua recuperação pode variar de seis a oito meses

No Maracanã, pelo menos dessa vez o Flamengo conseguiu dar uma resposta ao bater a Chapecoense por 2 a 0. 

As imagens que ficaram do jogo foram as homenagens dos jogadores, ainda em campo, ao ex-jogador da seleção brasileira. Deu para ter uma ideia do respeito e da influência que o veterano exerce sobre o vestiário. Muitos encararam o gesto como um adeus a Juan, é verdade. Da sua parte, porém, o jogador disse aos seus companheiros que ainda quer ir em frente com sua carreira. "Ele é um exemplo. Humilde, deu aula para a agente", afirmou o defensor Réver. 

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