Déjà vu

Resumo da 2ª rodada: Corinthians abre Brasileirão com duas vitórias. Rivais já devem temer nova arrancada?

Bruno Doro Do UOL, em São Paulo
Rodolfo Buhrer/Estadão Conteúdo

Vai despencar, Corinthians?

No Brasileirão de 2017, ninguém acreditava no Corinthians. Mas aquele time improvável, liderado por Jô e comandado por Fábio Carille ignorou críticos e foi vencendo. O empate na estreia, contra a Chapecoense, foi o primeiro de 19 jogos sem derrotas. Foi o melhor primeiro turno da história do torneio.

A edição de 2018 ainda tem apenas duas rodadas, mas para os corintianos a história é bem parecida: o time começou o ano questionado, venceu o Paulistão de forma surpreendente e, agora, abre o Brasileirão com uma sequência de vitórias.

Para aumentar ainda mais a confiança, os principais rivais já tropeçaram. Palmeiras e Flamengo só empataram na estreia, Cruzeiro ainda não venceu no torneio, o Grêmio parou no Atlético-PR. Será que Renato Gaúcho já questiona se o Corinthians vai despencar, como fez no ano passado?

Você até pode duvidar que a história pode se repetir, mas os corintianos, como o técnico Fábio Carille, não:

É muito difícil, mas aconteceu uma vez”.

Veja os gols da rodada

Arte UOL
Thiago Ribeiro/AGIF Thiago Ribeiro/AGIF

Foram bem

  • Sidcley (Corinthians)

    Deu assistência para Rodriguinho marcar o primeiro e fez o segundo nos 4 a 0 sobre o Paraná. Primeiro bom jogo do lateral pelo Corinthians.

    Imagem: Jason Silva/AGIF
  • Pedro (Fluminense)

    Fez o gol da vitória sobre o Cruzeiro sem querer, mas foi vital para segurar a bola no ataque. O Flu jogou com um a menos desde os 15min do 1º tempo.

    Imagem: Reprodução/Lucas Merçon/UOL
  • Henrique Dourado (Flamengo)

    Vinha sendo criticado, mas marcou duas vezes contra o América-MG. Já é o artilheiro do Flamengo no ano, com oito gols (cinco deles de pênalti).

    Imagem: Gilvan de Souza/Flamengo
  • Gustavo Blanco (Atlético-MG)

    Virou titular na vaga de Elias e não decepcionou. Deu uma assistência (para R.Oliveira) e foi o principal nome do meio-campo contra o Vitória.

    Imagem: Bruno Cantini/Clube Atlético Mineiro

Foram mal

  • Gabigol (Santos)

    O jejum de dois meses sem marcar parece incomodar o atacante. Na derrota por 1 a 0 para o Bahia, ele só finalizou uma vez. E para fora.

    Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
  • Mancuello (Cruzeiro)

    O Flu jogou com um a menos, mas o argentino não criou, não chegou à frente e acabou substituído por Arrascaeta aos 15min do 2º tempo.

    Imagem: © Washington Alves/Light Press/Cruzeiro
  • Willian Arão (Flamengo)

    O volante foi titular nos 2 a 0 sobre o América-MG, mas deixou o campo criticado. Além de erros nos passes, deu espaço para o rival.

    Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
  • Liziero (São Paulo)

    Um dos mais regulares do tricolor, o volante foi mal no 0 a 0 contra o Ceará. Tanto que acabou saindo ainda no intervalo.

    Imagem: Stephan Eilert/AGIF
Ale Cabral/AGIF Ale Cabral/AGIF

Frases da rodada

Eu sou um cara muito emotivo. Às vezes, quando você empata dois jogos, você não presta, não vale nada. Então acho que não quis comemorar por isso

Dudu

Dudu, autor do gol da vitória do Palmeiras contra o Inter

Erramos muitas bolas no último passe. Eu mesmo errei. Até troquei de chuteira pra ver se era isso. Não era (risos)

Nenê

Nenê, atacante do São Paulo, após o 0 a 0 com o Ceará

Muito ruim. Um homem a mais desde o primeiro tempo e não soubemos aproveitar

Thiago Neves

Thiago Neves, sobre o desempenho do Cruzeiro, que perdeu do Fluminense mesmo jogando com um a mais por 75 minutos

A bola bateu na minha boca e entrou

Pedro

Pedro, autor do gol da vitória do Flu sobre o Cruzeiro

Fui bater e a linha de fundo estava meio molhada, escorregando

Clayson

Clayson, do Corinthians, sobre escorregão batendo escanteio

Lucas Uebel/Grêmio FBPA Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Um jeito diferente de jogar futebol

Grêmio e Atlético-PR fecharam o domingo do Campeonato Brasileiro com um dos melhores jogos do torneio até agora. E o placar ficou no 0 a 0. Quem olhar apenas para a falta de gols pode até comparar a partida com outro empate, Ceará 0 x 0 São Paulo. Mas as duas partidas não poderiam ser mais diferentes.

Em Fortaleza, cearenses e paulistas fizeram um duelo sem graça, com poucas chances de gols e futebol abaixo do esperado. Em Porto Alegre, gaúchos e paranaenses mostraram um jeito de jogar bola diferente do que se vê em gramados verde-amarelos ultimamente.

Os dois treinadores, Renato Gaúcho e Fernando Diniz, pregam um futebol de troca de passes, que prioriza a posse de bola. Isso pode ser visto no número de passes. Foram 1149 bolas trocadas pelas duas equipes. A média do Brasileirão após 19 jogos? Apenas 835.

Outros dois números mostram essa diferença:

Lucas Uebel/Grêmio FBPA Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Distribuição de jogo

Maicon, volante do Grêmio, tocou a bola 99 vezes - e errou apenas cinco passes. Na semana passada, Arthur já tinha dado 98 passes, com dois errados.

Donaldo Hadlich/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO Donaldo Hadlich/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

Goleiro-linha

Do outro lado, Santos, goleiro do Atlético-PR, deu 25 passes certos. É o mesmo número de passes, por exemplo, de Rodriguinho na vitória do Corinthians sobre o Paraná.

O resultado disso? Um jogo cheio de alternativas, com duas equipes no ataque e muitas chances de gol. Luan, do Grêmio, por exemplo, colocou uma bola na trave e teve pelo menos mais três chances de marcar. O Atlético-PR, mesmo com um a menos a partir da metade do segundo tempo, também ameaçou o goleiro Marcelo Grohe.

Não à toa, os dois técnicos deixaram o campo satisfeitos com o que seus times fizeram:

Eu vi muitos jogos e este, disparado, foi o melhor jogo do campeonato”.

Renato Gaúcho, técnico do Grêmio.

Foi um belo jogo. Tivemos as chances e a bola não quis entrar. Mas eu tenho certeza que quem gosta de futebol, independentemente do clube que torce, ficou feliz

Renato Gaúcho

Renato Gaúcho, do Grêmio

No primeiro tempo, o Grêmio teve mais chances. No segundo tempo, qualquer uma das equipes poderia ter marcado

Fernando Diniz

Fernando Diniz, do Atlético-PR

Arte UOL
Arte/UOL
Reprodução Reprodução

O choro de Rodrigo Caio

Rodrigo Caio deixou o Castelão neste domingo chorando. Ele chegou a dizer ao médico do São Paulo, José Sanchez, que tinha quebrado o pé esquerdo – ele teria ouvido um estalo durante um lance do empate em 0 a 0 com o Ceará. A cena tocou quem assistiu ao fim do jogo – afinal, o zagueiro luta por uma vaga na seleção brasileira que vai jogar a Copa do Mundo da Rússia e uma fratura representaria o fim do sonho. Exames preliminares, porém, descartaram a lesão mais grave.

Gilvan de Souza / Site oficial do Flamengo Gilvan de Souza / Site oficial do Flamengo

O adeus gigante de Julio Cesar

Julio Cesar fez, no sábado, sua última partida como jogador profissional. No Maracanã, o goleiro foi titular na vitória do Flamengo por 2 a 0 contra o América-MG e agradeceu o carinho dos mais de 50 mil torcedores que compareceram ao estádio.

“Eu não consigo mensurar na minha cabeça o carinho que a torcida do Flamengo tem pelo Julio Cesar. É indescritível. Só tenho a agradecer a todos que estiveram presente, mas gosto de colocar o Flamengo acima de todos. A instituição é o mais importante, e o objetivo era reencontrar a vitória, porque traz um ambiente leve para trabalhar. Mas claro que coincidiu com a despedida, e eu tive participação importante, com defesas importantes”, disse.

Em campo, ele foi um dos destaques do time. Segundo o Footstats, ele fez três defesas difíceis no confronto, maior índice da rodada.

O tombo de Clayson

O atacante começou no banco de reservas, mas foi um dos destaques do segundo tempo de Corinthians 4 x 0 Paraná. E não só por seu gol, após cruzamento de Fágner. No fim do jogo, ele foi cobrar um escanteio e levou um tombo – que, infelizmente, não conseguimos captar no vídeo acima. “Fui bater, e a linha [de fundo] estava meio molhada, estava escorregando".

Um lance pra galera dar risada em casa”.

Daniel Vorley/AGIF Daniel Vorley/AGIF

A reclamação do Inter

Após uma rodada de abertura do Brasileirão com muitas polêmicas de arbitragem, a segunda rodada foi tranquila. Ou melhor: tranquila para quase todo mundo. Se você é torcedor do Inter, pode reclamar. Na derrota por 1 a 0 para o Palmeiras, os gaúchos reclamaram de dois lances: uma dividida de Nico Lopes com Marcos Rocha e Lucas Lima e o gol anulado de Leandro Damião.

“Não podemos colocar uma venda nos olhos e ser prejudicado a cada jogo”, reclamou Roberto Melo, vice-presidente de futebol colorado, lembrando de um pênalti polêmico contra o Vitória, no meio de semana, na eliminação do clube na Copa do Brasil. “Hoje, uma derrota com um pênalti que alguns dizem que é duvidoso, mas é muito mais pênalti do que foi dado contra nós em Salvador. E um gol válido anulado. Não é focar na arbitragem ou transferir responsabilidade. Não podemos ser prejudicados todo jogo e aplaudir”.

Fecha a perna!

Qual a maior humilhação do futebol? Se você pensou em levar uma caneta (a tradicional bola pelo meio das pernas), Neilton, do Vitória, e Vinícius Júnior, do Flamengo, são seu tipo de jogador. Olhe os dois vídeos (acima e abaixo) e escolha o mais legal.

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