De um lado, tiros e terror. Do outro, música e alegria. A vida e a morte em essência, separadas por uma realidade muito mais distante do que os 20 quilômetros entre a Rocinha e a nova Cidade do Rock.
Mais do que nunca, a divisão no Rio de Janeiro ficou latente. A guerra urbana na favela mais emblemática do Brasil, que deixou acuada uma população já acostumada à barbárie, foi o contraste perfeito de um festival em que quase tudo funcionou perfeitamente, até mesmo com protestos feitos de maneira organizada.
Dois finais de semana, uma cidade dividida em duas. Um retrato nítido do país em que vivemos.
Enquanto parte da população sai de um festival de música que poderia facilmente ser colocado entre os mais bem civilizados do mundo, outra parte se refugia onde pode para fugir dos tiros de fuzil disparados a esmo. O Rio não merece isso.
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Estou acostumada, o que me assusta é que a violência acontece há muitos anos. Hoje foi maior, mas os problemas vêm se agravando gradativamente. Há falta de responsabilidade dos políticos.
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Não é de hoje. Infelizmente, é uma cena que a gente tem visto várias vezes. Fiquei o dia inteiro em casa e só vim porque é bem perto. Se morasse na zona sul, não viria ao Rock in Rio.
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Fiquei com medo de bala perdida. Passei pela Linha Amarela e estava a maior confusão. Cheio de exército na rua. O clima estava muito tenso.
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Viemos de ônibus e ele passou em frente à Rocinha. Eu fico preocupado porque já fui assaltado mais de uma vez. Infelizmente, nós já estamos acostumados com essa violência, mas nada disso é normal.
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A presença ostensiva das Forças Armadas dá uma sensação de segurança. O Rio é maravilhoso, acho que esse problema é pontual. O Rock in Rio está bastante seguro.
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O medo da violência ficou do lado de fora da Cidade do Rock. Dentro, o festival brindou o público com algumas apresentações memoráveis e muitos discursos políticos.
Depois de 50 anos, os fãs puderam ver, pela primeira vez no Brasil, o The Who. Um momento histórico. Os veteranos Aerosmith, Bon Jovi, Guns N'Roses (apesar da voz de Axl falhar em alguns momentos), Offspring e Red Hot Chili Peppers também levantaram o público.
Entre os brasileiros, os discursos fortes de Capital Inicial, Skank e Blitz puxaram o "Fora, Temer", coro mais ouvido no Parque Olímpico. O Titãs também deu o seu recado, com o repertório mais político do festival.
A diversidade também marcou presença. É sintomático que um dos grandes sucessos do Rock in Rio foi uma drag queen. Pabllo Vittar fez um show concorridíssimo no palco de um patrocinador e acabou convidada para se apresentar ao lado de Fergie no palco principal. Ela ajudou os fãs a esquecerem um pouco o cancelamento do show de Lady Gaga e a ausência de Anitta.
Com muito espaço, o público circulou pela Cidade do Rock com tranquilidade. Os dois dias realmente cheios foram os sábados. Nos outros dias, foi praticamente um passeio no parque.
Com portões amplos e com toda a infra-estrutura do Parque Olímpico, a saída do público do festival foi tranquila. Mesmo nos momentos mais cheios, não teve aperto nem empurra-empurra.
O transporte de metrô e BRT 24 horas funcionou perfeitamente. Em todos os dias, com um pouquinho de espera, era possível voltar sentado tanto no BRT quanto no metrô e, o melhor, a viagem saía mais barata e mais rápida do que por táxi ou Uber.
Com painéis em tempo real da ocupação das cabines, a pessoa teve a opção de ir até o banheiro que estava mais vazio na Cidade do Rock. As filas, nos horários de pico, andavam rapidamente. E em geral os banheiros estavam limpos.
O espaço da Cidade do Rock dobrou de tamanho em comparação a 2015. Se por um lado evitou a multidão, por outro exigiu preparo físico do público que, facilmente, caminhou mais de 10 quilômetros durante todo o dia.
Embora o público tivesse à disposição a Gourmet Square, caso quisesse um lanche mais rápido, teria que se contentar em pagar caro por um hambúrguer do Bob's a R$ 20 ou uma esfiha do Habib's a R$ 7.
Fila pra agendar a roda gigante, fila para andar, fila para tirolesa, montanha russa, para retirar copos, para ir na Gourmet Square. Para fazer qualquer coisa na Cidade do Rock o fã precisou ter paciência.
Muitos fãs ansiosos para ver seus ídolos de perto chegam cedo na fila. Com um sol de rachar, as pessoas improvisam proteção com cangas e camisas na cabeça. Faltou um espaço para que as pessoas se protejam do sol e até da chuva se ela chegar.
Em uma época que os anos 80 estão em alta, os britânicos fizeram um show repleto de nostalgia.
Imagem: Bruna Prado/UOL
Exuberância macabra e uma banda afinadíssima garantiram um excelente espetáculo.
Imagem: Marco Antonio Teixeira/UOL
Showzaço de responsa e uma índia no palco detonando o descaso com a Amazônia.
Imagem: Marco Antonio Teixeira/UOL
Um show dançante que mostrou porque ele trabalhou com os grande nomes da música.
Imagem: Bruna Prado/UOL
Assumiram a responsabilidade de substituir Lady Gaga e fizeram bonito duas vezes no Rio.
Imagem: Bruna Prado/UOL
A espera de mais de 50 anos valeu a pena. Os vovôs do rock mostraram vitalidade e sacudiram o Rock in Rio.
Imagem: Agnews
Em sua 3ª participação no Rock in Rio, o Red Hot fez o seu melhor show. Redondinho!
Imagem: Bruna Prado/UOL
Com 56 anos, a cantora carioca mostrou um pique de adolescente no Palco Sunset.
Imagem: Daniel Pinheiro/Agnews
Os cabeças-dinossauro do rock usaram seus clássicos para fazer um belo discurso político.
Imagem: Marco Antonio Teixeira/UOL
Música empolgante, público vibrante e um beijaço para amar sem temer.
Imagem: Marco Antonio Teixeira/UOL
A banda veterana acertou em cheio com o repertório de Gilberto Gil.
Imagem: Reprodução
Dinho Ouro Preto comandou o público como quis e levou o Rio à loucura ao dedicar "Que País É Este?" para o presidente Temer.
Imagem: AP
A rapper arrebentou no ótimo show dos colombianos Bomba Estéreo
Imagem: Rodrigo Chadí/ FotoArena/ Estadão Conteúdo
A banda fez o que sabe de melhor. Um metal pesada pra bater a cabeça da galera.
Imagem: Marco Antônio Teixeira/UOL
A melhor coisa do show da Fergie foi a participação da Pabllo Vittar.
Imagem: Marco Antonio Teixeira/UOL
Slash e Duff mostraram valor, mas a voz de Axl colocou tudo a perder.
Imagem: Bruna Prado/UOL
A ideia era ótima, mas a parceria não deu liga. Ficou muito fora do tom.
Imagem: Zanone Fraissat/Folhapress
A banda que se destacou no Superstar não empolgou ninguém em sua estreia no Palco Mundo.
Imagem: Ricardo Borges/Folhapress
Eu não bebo. Eu nunca estou sóbria, estou sempre alegre. Não estou louca, nem sou louca. Não preciso beber, mas adoro falar besteira e que vocês riam das minhas besteiras.
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Estou grávida de Jared Leto e exijo ter meu filho no Rock in Rio.
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