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Um conto de duas cidades

A alegria do Rock in Rio contrasta com a violência da guerra na Rocinha

Do UOL No Rio
Leonardo Coelho/Estadão Conteúdo e Bruna Prado/UOL

De um lado, tiros e terror. Do outro, música e alegria. A vida e a morte em essência, separadas por uma realidade muito mais distante do que os 20 quilômetros entre a Rocinha e a nova Cidade do Rock. 

Mais do que nunca, a divisão no Rio de Janeiro ficou latente. A guerra urbana na favela mais emblemática do Brasil, que deixou acuada uma população já acostumada à barbárie, foi o contraste perfeito de um festival em que quase tudo funcionou perfeitamente, até mesmo com protestos feitos de maneira organizada.

Dois finais de semana, uma cidade dividida em duas. Um retrato nítido do país em que vivemos.

A violência e os artistas

Enquanto parte da população sai de um festival de música que poderia facilmente ser colocado entre os mais bem civilizados do mundo, outra parte se refugia onde pode para fugir dos tiros de fuzil disparados a esmo. O Rio não merece isso.
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Luciano Huck

Luciano Huck

Estou acostumada, o que me assusta é que a violência acontece há muitos anos. Hoje foi maior, mas os problemas vêm se agravando gradativamente. Há falta de responsabilidade dos políticos.
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Elba Ramalho

Elba Ramalho

Não é de hoje. Infelizmente, é uma cena que a gente tem visto várias vezes. Fiquei o dia inteiro em casa e só vim porque é bem perto. Se morasse na zona sul, não viria ao Rock in Rio.
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Fernanda Gentil

Fernanda Gentil

A violência e o público

Fiquei com medo de bala perdida. Passei pela Linha Amarela e estava a maior confusão. Cheio de exército na rua. O clima estava muito tenso.

Gabriela Dantona

Gabriela Dantona, de Recife

Viemos de ônibus e ele passou em frente à Rocinha. Eu fico preocupado porque já fui assaltado mais de uma vez. Infelizmente, nós já estamos acostumados com essa violência, mas nada disso é normal.

Rafael Barbastefano

Rafael Barbastefano, morador de Botafogo, no Rio

A presença ostensiva das Forças Armadas dá uma sensação de segurança. O Rio é maravilhoso, acho que esse problema é pontual. O Rock in Rio está bastante seguro.

Dario Figueiredo

Dario Figueiredo, de Manaus

Bruna Prado/UOL Bruna Prado/UOL

Um espaço para a celebração

O medo da violência ficou do lado de fora da Cidade do Rock. Dentro, o festival brindou o público com algumas apresentações memoráveis e muitos discursos políticos.

Depois de 50 anos, os fãs puderam ver, pela primeira vez no Brasil, o The Who. Um momento histórico. Os veteranos Aerosmith, Bon Jovi, Guns N'Roses (apesar da voz de Axl falhar em alguns momentos), Offspring e Red Hot Chili Peppers também levantaram o público.

Entre os brasileiros, os discursos fortes de Capital Inicial, Skank e Blitz puxaram o "Fora, Temer", coro mais ouvido no Parque Olímpico. O Titãs também deu o seu recado, com o repertório mais político do festival.

A diversidade também marcou presença. É sintomático que um dos grandes sucessos do Rock in Rio foi uma drag queen. Pabllo Vittar fez um show concorridíssimo no palco de um patrocinador e acabou convidada para se apresentar ao lado de Fergie no palco principal. Ela ajudou os fãs a esquecerem um pouco o cancelamento do show de Lady Gaga e a ausência de Anitta.

O que funcionou

  • Pouca muvuca

    Com muito espaço, o público circulou pela Cidade do Rock com tranquilidade. Os dois dias realmente cheios foram os sábados. Nos outros dias, foi praticamente um passeio no parque.

  • Saída rápida

    Com portões amplos e com toda a infra-estrutura do Parque Olímpico, a saída do público do festival foi tranquila. Mesmo nos momentos mais cheios, não teve aperto nem empurra-empurra.

  • Transporte eficiente

    O transporte de metrô e BRT 24 horas funcionou perfeitamente. Em todos os dias, com um pouquinho de espera, era possível voltar sentado tanto no BRT quanto no metrô e, o melhor, a viagem saía mais barata e mais rápida do que por táxi ou Uber.

  • Banheiros

    Com painéis em tempo real da ocupação das cabines, a pessoa teve a opção de ir até o banheiro que estava mais vazio na Cidade do Rock. As filas, nos horários de pico, andavam rapidamente. E em geral os banheiros estavam limpos.

O que não deu certo

  • Longas distâncias entre palcos

    O espaço da Cidade do Rock dobrou de tamanho em comparação a 2015. Se por um lado evitou a multidão, por outro exigiu preparo físico do público que, facilmente, caminhou mais de 10 quilômetros durante todo o dia.

  • Preços caros

    Embora o público tivesse à disposição a Gourmet Square, caso quisesse um lanche mais rápido, teria que se contentar em pagar caro por um hambúrguer do Bob's a R$ 20 ou uma esfiha do Habib's a R$ 7.

  • Filas

    Fila pra agendar a roda gigante, fila para andar, fila para tirolesa, montanha russa, para retirar copos, para ir na Gourmet Square. Para fazer qualquer coisa na Cidade do Rock o fã precisou ter paciência.

  • Temperatura

    Muitos fãs ansiosos para ver seus ídolos de perto chegam cedo na fila. Com um sol de rachar, as pessoas improvisam proteção com cangas e camisas na cabeça. Faltou um espaço para que as pessoas se protejam do sol e até da chuva se ela chegar.

Bruna Prado/UOL Bruna Prado/UOL

Eles mandaram bem - Gringos

  • Tears for Fears

    Em uma época que os anos 80 estão em alta, os britânicos fizeram um show repleto de nostalgia.

    Imagem: Bruna Prado/UOL
  • Alice Cooper

    Exuberância macabra e uma banda afinadíssima garantiram um excelente espetáculo.

    Imagem: Marco Antonio Teixeira/UOL
  • Alicia Keys

    Showzaço de responsa e uma índia no palco detonando o descaso com a Amazônia.

    Imagem: Marco Antonio Teixeira/UOL
  • Nile Rodgers

    Um show dançante que mostrou porque ele trabalhou com os grande nomes da música.

    Imagem: Bruna Prado/UOL
  • Maroon 5

    Assumiram a responsabilidade de substituir Lady Gaga e fizeram bonito duas vezes no Rio.

    Imagem: Bruna Prado/UOL
  • The Who

    A espera de mais de 50 anos valeu a pena. Os vovôs do rock mostraram vitalidade e sacudiram o Rock in Rio.

    Imagem: Agnews
  • Red Hot Chili Peppers

    Em sua 3ª participação no Rock in Rio, o Red Hot fez o seu melhor show. Redondinho!

    Imagem: Bruna Prado/UOL

Eles mandaram bem - Brasileiros

  • Fernanda Abreu

    Com 56 anos, a cantora carioca mostrou um pique de adolescente no Palco Sunset.

    Imagem: Daniel Pinheiro/Agnews
  • Titãs

    Os cabeças-dinossauro do rock usaram seus clássicos para fazer um belo discurso político.

    Imagem: Marco Antonio Teixeira/UOL
  • Johnny Hooker e Liniker

    Música empolgante, público vibrante e um beijaço para amar sem temer.

    Imagem: Marco Antonio Teixeira/UOL
  • Cidade Negra

    A banda veterana acertou em cheio com o repertório de Gilberto Gil.

    Imagem: Reprodução
  • Capital Inicial

    Dinho Ouro Preto comandou o público como quis e levou o Rio à loucura ao dedicar "Que País É Este?" para o presidente Temer.

    Imagem: AP
  • Karol Conka

    A rapper arrebentou no ótimo show dos colombianos Bomba Estéreo

    Imagem: Rodrigo Chadí/ FotoArena/ Estadão Conteúdo
  • Sepultura

    A banda fez o que sabe de melhor. Um metal pesada pra bater a cabeça da galera.

    Imagem: Marco Antônio Teixeira/UOL

Eles mandaram mal - Gringos

  • Fergie

    A melhor coisa do show da Fergie foi a participação da Pabllo Vittar.

    Imagem: Marco Antonio Teixeira/UOL
  • Guns N'Roses

    Slash e Duff mostraram valor, mas a voz de Axl colocou tudo a perder.

    Imagem: Bruna Prado/UOL

Eles mandaram mal - Brasileiros

  • Nação Zumbi e Ney Matogrosso

    A ideia era ótima, mas a parceria não deu liga. Ficou muito fora do tom.

    Imagem: Zanone Fraissat/Folhapress
  • Scalene

    A banda que se destacou no Superstar não empolgou ninguém em sua estreia no Palco Mundo.

    Imagem: Ricardo Borges/Folhapress
Marcello Sa Barretto/AgNews Marcello Sa Barretto/AgNews

Foram dias de rock, bebê!

Cuma?!?

"Se eu pudesse eu fazia família com a Alicia Keys."
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Caio Castro

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"Eu vim com esse colar de Beyoncé. Estou Fabeyoncé".
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"O povo não tira o meu nome da boca."
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Eu não bebo. Eu nunca estou sóbria, estou sempre alegre. Não estou louca, nem sou louca. Não preciso beber, mas adoro falar besteira e que vocês riam das minhas besteiras.
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Marco Antonio Teixeira/ UOL Marco Antonio Teixeira/ UOL

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