A prova mais temida

Incerteza jurídica aumenta tensão, mas não se preocupe: a redação do Enem não é um bicho de 7 cabeças

Do UOL, em São Paulo
Di Vasca/ UOL

Nem suspeitas de fraudes, nem ameaça de adiamento. Neste ano, a redação é o grande centro da polêmica no Enem. Uma decisão judicial tomada a menos de duas semanas da realização da prova pôs em xeque o que os alunos aprenderam ao longo de meses de aulas nas escolas e cursinhos: afinal, pode ou não escrever livremente suas opiniões correndo o risco de desrespeitar os direitos humanos?

A decisão da 5ª turma do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), do dia 25 de outubro, derrubou a regra que zerava as redações que ferissem os direitos humanos. Pelo critério do Inep, textos nessas condições não deveriam ser sequer avaliados. Por ordem judicial, porém, eles serão.

Aos alunos, ficou a dúvida entre seguir o edital ou confiar na decisão judicial. Uma incerteza jurídica, porém, pode complicar os candidatos que se arriscarem. Isso porque a determinação da 5ª turma ainda poderá ser contestada nas instâncias judiciais superiores. O caso pode chegar até ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Como as redações feitas no dia 5 de novembro serão corrigidas semanas depois e terão os resultados divulgados somente no ano que vem, é possível que a decisão válida neste final de semana seja diferente daquela usada no momento da avaliação.

"Se a decisão judicial suspende o ponto do edital que anula a redação pela violação de direitos humanos, no momento de correção da prova, ela não poderá ter a nota zerada", afirmou o consultor jurídico do MEC, Emmanuel Felipe. "[Mas] Essa decisão pode perseverar, ela pode eventualmente ser cassada, ou ela pode eventualmente ser restabelecida. Isso é do trâmite natural de um processo judicial. A gente, lá na frente, vai ter que observar o que está acontecendo do ponto de vista do aluno".

Professores opinam: devo mudar minha redação após a decisão judicial?

O Brasil é signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, é um preceito que vai além da prova. Apesar dessa decisão, nós orientamos é que prevaleça em qualquer redação o respeito aos direitos humanos

Maria Aparecida Custódio, responsável pelo laboratório de redação do colégio e curso Objetivo

O aluno que se preocupar com isso só vai ficar nervoso. Acho que é um pouco de alarde o que a Escola Sem Partido está fazendo.

Ana Paula Dibbern, professora e coordenadora do cursinho Maximize

As orientações para as redações são as mesmas: que respeitem os direitos humanos, a diversidade étnica, de gênero, religiosa. Isso é um dos pilares que fundamentam a sociedade

Tom Junior, coordenador pedagógico nacional do Educafro

Frases contra Direitos Humanos em 2016

Na Cartilha da Redação para o Enem 2017, o Inep apresentou frases de redações que desrespeitaram os direitos humanos na prova do ano passado e acabaram zeradas. A proposta foi: "Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil".

Veja exemplos:

  • "para combater a intolerância religiosa, deveria acabar com a liberdade de expressão"
  • "podemos combater a intolerância religiosa acabando com as religiões e implantando uma doutrina única"
  • "o Estado deve paralisar as superexposições de crenças e proibir as manifestações religiosas ao público"
  • "a pessoa que não respeita a devoção do próximo não deveria ter direito social, como o voto"
  • "a única maneira de punir o intolerante é o obrigando a frequentar a igreja daquele que foi ofendido, para que aprenda a respeitar a crença do outro"
  • "que o indivíduo que não respeitar a lei seja punido com a perda do direito de participação de sua religião, que ele seja retirado da sua religião como punição"
  • "por haver tanta discriminação, o caminho certo que se tem a tomar é acabar com todas as religiões"
  • "que a cada agressão cometida o agressor recebesse na mesma proporção, tanto agressão física como mental"
  • "o governo deveria punir e banir essas outras 'crenças', que não sejam referentes a Bíblia"
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Luiz Cláudio Barbosa/Código19/Estadão Conteúdo Luiz Cláudio Barbosa/Código19/Estadão Conteúdo

A hora da prova

Pela primeira vez desde que a aplicação do Enem foi desmembrada em dois dias, a redação já estará logo na primeira etapa da prova.

Os especialistas indicam que não há uma receita certa sobre por qual parte começar: pela redação ou pelas questões alternativas. Uma dica, porém, é fazer as duas de maneira intercalada.

"Comece lendo a proposta, leia a coletânea de textos, pense nos primeiros argumentos, faça metade das questões e aí comece o rascunho do texto, sem esquecer de separar um tempo no final para passar a limpo e rever o que escreveu", sugere Patrícia Lacerda, psicóloga e orientadora do cursinho Anglo Vestibulares.

Mateus Alves, que tirou nota 850 no Enem 2016, seguiu estratégia semelhante. "Eu comecei lendo a proposta, os textos de coletânea, tive um brainstorming de uns cinco minutos no máximo juntando tudo que eu sabia. Depois disso, eu comecei a fazer a prova normal e deixei as ideias fermentando na minha cabeça. Eu voltava e escrevia rapidamente no canto da folha o que eu tinha lembrado. Deixava essas ideias fermentando até o final da prova, aí começava a fazer a redação".

Apesar das sugestões, cada aluno deve seguir a estratégia com a qual se sentir mais confortável, sempre administrando o tempo para responder as perguntas, escrever a redação e passar as alternativas corretas para o gabarito.

Quer uma redação arrasadora no Enem? Veja 5 dicas matadoras

Marion Thibaut/AFP Marion Thibaut/AFP

Temas que podem cair

Reconhecido por trazer para a redação temas sociais, o Enem deve repetir a dose em 2017. É a previsão de especialistas consultados pelo UOL.

Fique ligado, porque a temática deste ano pode estar entre essas opções:

  • Corrupção na sociedade e Lava Jato;
  • Meio ambiente e Acordo de Paris;
  • Migração e refugiados;
  • Socialismo e 100 anos da Revolução Russa;
  • Intolerância religiosa e 500 anos da Reforma;
  • Liberdade de expressão.
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Getty Images/iStockphoto

Exemplos de redações nota 1.000 no Enem 2016

Texto de Vinícius Oliveira de Lima, divulgado pelo Inep

Tolerância na prática

A Constituição Federal de 1988 – norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro – assegura a todos a liberdade de crença. Entretanto, os frequentes casos de intolerância religiosa mostram que os indivíduos ainda não experimentam esse direito na prática. Com efeito, um diálogo entre sociedade e Estado sobre os caminhos para combater a intolerância religiosa é medida que se impõe.

Em primeiro plano, é necessário que a sociedade não seja uma reprodução da casa colonial , como disserta Gilberto Freyre em “Casa-grande e Senzala”. O autor ensina que a realidade do Brasil até o século XIX estava compactada no interior da casa-grande , cuja religião oficial era católica , e as demais crenças – sobretudo africanas – eram marginalizadas e se mantiveram vivas porque os negros lhes deram aparência cristã , conhecida hoje por sincretismo religioso. No entanto, não é razoável que ainda haja uma religião que subjugue as outras, o que deve , pois, ser repudiado em um Estado laico, a fim de que se combata a intolerância de crença.

De outra parte , o sociólogo Zygmunt Bauman defende , na obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é uma das principais características – e o maior conflito – da pós- modernidade , e , consequentemente , parcela da população tende a ser incapaz de tolerar diferenças. Esse problema assume contornos específicos no Brasil , onde , apesar do multiculturalismo, há quem exija do outro a mesma postura religiosa e seja intolerante àqueles que dela divergem. Nesse sentido, um caminho possível para combater a rejeição à diversidade de crença é desconstruir o principal problema da pós-modernidade , segundo Zygmunt Bauman: o individualismo.

Urge , portanto, que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigar a intolerância religiosa. Cabe aos cidadãos repudiar a inferiorização das crenças e dos costumes presentes no território brasileiro, por meio de debates nas mídias sociais capazes de desconstruir a prevalência de uma religião sobre as demais. Ao Ministério Público, por sua vez, compete promover as ações judiciais pertinentes contra atitudes individualistas ofensivas à diversidade de crença. Assim, observada a ação conjunta entre população e poder público, alçará o país a verdadeira posição de Estado Democrático de Direito.

Comentários dos avaliadores:

O participante demonstra excelente domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, uma vez que a estrutura sintática é excelente e há desvio apenas na última linha, em que o participante não usa o sinal grave indicativo de crase em “alçará o país à verdadeira posição de Estado Democrático de Direito”.

Em relação aos princípios da estruturação do texto dissertativo-argumentativo, percebe-se que o participante apresenta tese, desenvolvimento de justificativas que comprovem essa tese e conclusão. Ou seja, o participante apresenta excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo. Além disso, o tema é abordado de forma completa: já no primeiro parágrafo, trata-se tanto da intolerância religiosa quanto dos caminhos para combatê-la, os quais são desenvolvidos ao longo do texto.

Observa-se no texto a presença de repertório sociocultural no 2º parágrafo, em que se faz referência à obra de Gilberto Freyre, e no 3º parágrafo, em que cita a obra de Zygmunt Baumann. Destaca-se que o participante faz uso produtivo desse repertório sociocultural, uma vez que as informações são trazidas ao texto com um propósito e estão articuladas à discussão apresentada.

Percebe-se, ao longo da redação, a presença de projeto de texto estratégico, que se configura na organização e no desenvolvimento do texto. O participante apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, de forma consistente e organizada para defender seu ponto de vista de que, na prática, os brasileiros não possuem de fato o direito à liberdade religiosa e, para mudar esse contexto, é necessário haver um diálogo entre sociedade e Estado.

Há também, nesta redação, um repertório diversificado de recursos coesivos, sem inadequações. Há articulação entre os parágrafos (“em primeiro plano”, “de outra parte”, “portanto”) e entre as ideias dentro de um mesmo parágrafo (1º parágrafo: “entretanto”, “esse”, “com efeito”; 2º parágrafo: “no entanto”, “pois”; 3º parágrafo: “esse”, “onde”, “nesse sentido”; 4º parágrafo: “por sua vez”, “assim”; etc.).

Por fim, o participante elabora excelente proposta de intervenção, concreta, detalhada e que respeita os direitos humanos. As propostas apresentadas têm como agentes a sociedade e o Estado, como o participante já havia adiantado na apresentação de sua tese.

Texto de Jordana Bottin Ecco, divulgado pelo Inep

Prática religiosa um direito de todos

A curiosidade humana acerca do desconhecido e a sua incapacidade de explicá-lo através da razão fez com que , desde os primórdios, o homem atribuísse acontecimentos do seu cotidiano à vontade de seres sobrenaturais. Apesar dos avanços científicos e de suas respostas lógicas para fatos da realidade , as crenças em divindades perpassaram a história e continuam muito presentes nas sociedades, talvez por suprirem a necessidade humana de reconforto, talvez por levarem à transcendência espiritual . Atualmente , a grande diversidade religiosa existente traz a possibilidade de escolha a cada cidadão e essa liberdade é , ou deveria ser, garantida a todos os membros de uma população. Contudo, práticas de intolerância religiosa vêm impedindo um número cada vez maior de pessoas de exercitarem tal direito, ferindo sua dignidade e devendo, portanto, serem combatidas veementemente.

O contexto histórico brasileiro indubitavelmente influencia essa questão. A colonização portuguesa buscou catequizar os nativos de acordo com a religião europeia da época: a católica. Com a chegada dos negros africanos, décadas depois, houve repressão cultural e , consequentemente , religiosa que , infelizmente , perpetua até os dias de hoje. Prova disso é o caso de uma menina carioca praticante do candomblé que , em junho de 2015, foi ferida com pedradas, e seus acompanhantes, alvos de provocações e xingamentos. Ainda que a violência verbal , assim como a f ísica , vá contra a Constituição Federal , os agressores fugiram e , como em outras ocorrências, não foram punidos.

Além disso, é importante destacar que intolerância religiosa é crime de ódio: não é sobre ter a liberdade de expressar um descontentamento ou criticar certa crença , mas sim sobre a tentativa de imposição, a partir da agressão, de entendimentos pessoais acerca do assunto em detrimento dos julgamentos individuais do outro sobre o que ele acredita ser certo ou errado para sua própria vida. Tal visão etnocêntrica tem por consequência a falta de respeito para com o próximo, acarretando em episódios imprescritíveis e humilhantes para aqueles que os vivenciam.

Conclui-se , então, que o combate à discriminação religiosa é de suma importância para que se assegure um dos direitos mais antigos a todas as pessoas e , por conseguinte , seu bem-estar. Para isso, é preciso que os órgãos especializados, em parceria às delegacias de denúncia , ajam de acordo com a lei , investigando e punindo os agressores de forma adequada. Ademais, o governo deve promover campanhas contra condutas de intolerância e as escolas devem gerar debates, informando seus alunos sobre o tema e desconstruindo preconceitos desde cedo. Por fim, a mídia pode abordar a intolerância religiosa como assunto de suas novelas, visto que causa forte impacto na vida social . Assim, o respeito será base para a construção de um Brasil mais tolerante e preocupado com a garantia dos direitos humanos de sua população.

Comentários dos avaliadores:

A participante demonstra excelente domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, uma vez que a estrutura sintática é excelente e há apenas dois desvios ao longo do texto: a regência de acarretar no 3º parágrafo – “acarretando em episódios” – e de parceria no último parágrafo – “em parceria às delegacias”.

Em relação aos princípios da estruturação do texto dissertativo-argumentativo, percebe-se que a participante apresenta tese, desenvolvimento de justificativas que comprovem essa tese e conclusão. Ou seja, a participante apresenta excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo. Além disso, o tema é abordado de forma completa: já no primeiro parágrafo, trata-se tanto da intolerância religiosa quanto da necessidade de combatê-la.

Observa-se a presença de repertório sociocultural no 2º parágrafo, quando a participante aponta o contexto histórico de colonização no Brasil. Destaca-se o uso produtivo dessa informação, uma vez que ela está articulada à discussão apresentada no texto.

Percebe-se também, ao longo da redação, a presença de projeto de texto estratégico, que se configura na organização e no desenvolvimento do texto. A participante apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, de forma consistente e organizada para defender seu ponto de vista de que, apesar da grande diversidade de religião e da necessidade de garantir a liberdade à população, a intolerância impede essa garantia e deve ser combatida.

Em relação à coesão, encontra-se, nesta redação, repertório diversificado de recursos coesivos, sem inadequações. Há articulação entre os parágrafos (“essa questão”, “além disso”, “então”) e entre as ideias dentro de um mesmo parágrafo (1º parágrafo: “explicá-lo”, “apesar de”, “contudo”; 2º parágrafo: “disso”, “assim como”; 3º parágrafo: “mas sim”, “tal”; 4º parágrafo: “por conseguinte”, “para isso”, “ademais”, “por fim”, “visto que”, “assim”).

Além disso, a participante elabora excelente proposta de intervenção, concreta, detalhada e que respeita os direitos humanos: ela propõe a investigação e a punição dos agressores de forma adequada, a promoção de campanhas e debates e, por fim, a divulgação do assunto pela mídia.

Texto de Giovanna Tami Soares Takahashi, divulgado pelo Inep

Segundo a atual Constituição Federal, o Brasil é um país de Estado laico, ou seja, a sociedade possui o direito de exercer qualquer religião, crença ou culto. Entretanto, essa liberdade religiosa encontra-se afetada, uma vez que é notório o crescimento da taxa de violência com relação à falta de tolerância às diferentes crenças. Assim, diversas medidas precisam ser tomadas para tentar combater esse problema, incitando uma maior atenção do Poder Público, juntamente com os setores socialmente engajados, e das instituições formadoras de opinião.

Nesse contexto, vale ressaltar que a intolerância religiosa é um problema existente no Brasil desde séculos passados. Com a chegada das caravelas portuguesas, as quais trouxeram os padres jesuítas, os índios perderam a sua liberdade de crença e foram obrigados, de maneira violenta, a se converter ao catolicismo, religião a qual era predominante na Europa. Além disso, os africanos escravizados que aqui se encontravam também foram impedidos de praticar seus cultos religiosos, sendo punidos de forma desumana caso desrespeitassem essa imposição. Atualmente, constata-se que grande parcela da população brasileira herdou essa forma de pensar e de agir, tratando pessoas que acreditam em outras religiões de maneira desrespeitosa e, muitas vezes, violenta , levando instituições públicas e privadas à busca de soluções para reverter isso.

Sob esse viés, ressalta-se que algumas ações já foram realizadas, como a criação da lei de proteção ao sentimento religioso e à prática de diferentes cultos. Entretanto, as medidas tomadas até então não são suficientes para inibir essa problemática, uma vez que a fraca punição aos criminosos e a falta de conscientização da sociedade são alguns dos principais motivos que ocasionam a persistência de atos violentos em decorrência da intolerância religiosa. Outrossim, a falta de comunicação dos pais e das escolas com os jovens sobre esse assunto é um agravante do problema, aumentando as possibilidades destes agirem de maneira desrespeitosa.

Diante disso, para combater a intolerância religiosa, cabe ao Governo intensificar esforços, criando leis específicas e aumentando o tempo de punição para quem comete qualquer tipo de violência devido à religião. Ademais, é necessária a criação de campanhas midiáticas governamentais de conscientização, com o apoio da imprensa socialmente engajada, e a divulgação destas através dos diversos meios de comunicação e das redes sociais, que mostrem a importância do respeito à liberdade de escolha e às diferentes crenças, uma vez que o Brasil é um país com inúmeros grupos e povos, cada um com seus costumes. Além disso, a participação das instituições formadoras de opinião é de grande importância para a educação dos jovens com relação ao respeito às diferentes religiões, com as escolas realizando palestras e seminários sobre o assunto e as famílias intensificando os diálogos em casa.

Comentários dos avaliadores:

A participante demonstra excelente domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, uma vez que a estrutura sintática é excelente e há apenas desvio pontual em “aumentando as possibilidades destes agirem de maneira desrespeitosa” uma vez que, por ser sujeito da oração seguinte, o pronome “estes” deveria vir separado da preposição “de”: “aumentando as possibilidades de estes agirem de maneira desrespeitosa”.

Em relação aos princípios da estruturação do texto dissertativo-argumentativo, percebe-se que a participante apresenta tese, desenvolvimento de justificativas que comprovem essa tese e conclusão. Ou seja, a participante apresenta excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo. Além disso, o tema é abordado de forma completa: já no primeiro parágrafo, trata-se tanto da intolerância religiosa quanto dos caminhos para combatê-la, os quais serão desenvolvidos ao longo do texto.

Observa-se no texto a presença de repertório sociocultural no 2º parágrafo, em que a participante faz referência ao contexto histórico de conversão ao catolicismo dos índios e dos africanos escravizados no Brasil.

Percebe-se, ao longo da redação, a presença de projeto de texto estratégico, que se configura na organização e no desenvolvimento do texto. A participante apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, de forma consistente e organizada para defender seu ponto de vista de que a liberdade religiosa está afetada e são necessárias medidas do poder público e das instituições formadoras de opinião.

Há também, nesta redação, repertório diversificado de recursos coesivos, sem inadequações. Há articulação entre os parágrafos (“nesse contexto”, “sob esse viés”, “diante disso”) e entre as ideias dentro de um mesmo parágrafo (1º parágrafo: “ou seja”, “entretanto”, “essa”, “uma vez que”, “assim”; 2º parágrafo: “as quais”, “além disso”, “atualmente”; 3º parágrafo: “entretanto”, “uma vez que”, “outrossim”; 4º parágrafo: “ademais”, “além disso”).

Por fim, a participante elabora excelente proposta de intervenção, concreta, detalhada e que respeita os direitos humanos. As propostas apresentadas têm como agentes a sociedade e o Estado, como a participante já havia adiantado na apresentação de sua tese.

Reprodução/UOL Reprodução/UOL

E lembre-se: neste domingo (5), ao final da prova do Enem, o UOL transmitirá ao vivo um debate entre professores do Curso Objetivo sobre o tema da redação e as questões de linguagens e ciências humanas. Acompanhe também no UOL a divulgação do gabarito extraoficial da prova e a correção online comentada das 90 perguntas do primeiro dia do exame.

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