! Entrevista com Deusmar de Queirós, fundador e presidente do Conselho de Administração da rede de farmácias PagueMenos - UOL Líderes

20 assaltos todos os dias

Das cerca de mil farmácias PagueMenos, 10 a 20 são roubadas diariamente, revela o fundador do grupo

Do UOL, em São Paulo
Marcelo Justo e Arte/UOL
Marcelo Justo/UOL Marcelo Justo/UOL

Tem remédio?

Violência é um dos maiores problemas do país, diz Deusmar de Queirós, fundador e presidente do Conselho de Administração das farmácias PagueMenos. Em entrevista na série UOL Líderes, ele conta sobre os assaltos diários nas lojas.

Fala dos desafios do setor ("muito regulado"), diz que os empresários precisam de tranquilidade política ("com Temer ou sem Temer") e afirma que os farmacêuticos não substituem os médicos, mas podem ter um papel mais decisivo na saúde.

O medo de assaltos todos os dias

Deusmar de Queirós, fundador e presidente do Conselho de Administração da PagueMenos, fala abaixo das dificuldades do setor, com regulações restritas e violência, e conta dos planos de expansão, que incluem até farmácia flutuante na Amazônia.

O segmento farmacêutico tem uma série de exigências a mais do que as de outros setores, e hoje em dia as autoridades sanitárias colocam muitos obstáculos. Autoridades municipais também.

Outra dificuldade é a violência. Diria que o grande problema hoje é a violência, os assaltos que acontecem.

Nós temos de 10 a 20 assaltos por noite em mil lojas, 1% ou 2% das lojas são assaltadas diariamente

Não é um prejuízo muito grande, porque nós temos um cofre boca de lobo. Quando acumula R$ 500, guardamos dentro dele. Mas, mesmo levando pouco, R$ 100 ou R$ 200, cria-se um clima de muita insegurança junto aos funcionários e aos clientes também.

Mas não é privilégio da PagueMenos. Todas as outras redes são assaltadas e todos os outros segmentos também. Essa violência que existe no Brasil hoje, e que era menor há dez anos, preocupa muito. 

Tive um filho que ficou 12 dias no cativeiro. É um trauma muito grande ver a sua família sequestrada, e isso o obriga a se precaver. Ter carro blindado, escolta. É um martírio, mas é o preço que você paga pelo sucesso. Ninguém sequestra um filho de uma pessoa que não tenha posses. Faz parte

Pensa em abrir até farmácia flutuante no Amazonas

Disseram que o cearense era o judeu brasileiro, e eu acreditei. E saí abrindo loja pelo Brasil afora. Temos loja em Manacapuru, você tem ideia onde é Manacapuru? Fica entre o rio Negro e o Solimões. Está dando resultado, espetacular.

Acabamos de inaugurar uma em Tabatinga que fica na tríplice fronteira de Brasil, Colômbia e Peru, a divisa passa a dez metros da nossa rua. Temos esse espírito aventureiro, e tem dado certo. O nosso crescimento é contínuo, uma média anual de 18%, desde 2000 até hoje.

Estamos pensando seriamente em uma farmácia flutuante no Amazonas, mas o problema é que a Vigilância Sanitária ainda não autorizou. Eu teria que levar um barco, ir parando, uma semana indo, outra semana voltando, é uma ideia interessante.

Mas nós já abastecemos de barco alguns lugares. Manacapuru é uma cidade que a gente abastece de barco. Maranhão, Parintins também. Há algumas com os três modais, vai de avião até certo local, terrestre, rodoviário e depois fluvial.

No ano passado, abrimos 146 lojas, e neste ano vamos abrir 188.

Empresário tem de acreditar no país

Nós acreditamos muito na retomada do crescimento do Brasil e por isso estamos abrindo 188 lojas. Significa um investimento em instalações e reformas de prédio, algo em torno de R$ 200 milhões. Nós devemos criar entre 2.500 e 3.000 empregos. Alguns colegas dizem que sou um ponto fora da curva, porque está todo mundo desempregando, e eu digo que não acredito que se resolva a crise econômica deixando de investir.

O empresário consciente tem de continuar abrindo novas unidades produtivas, acreditando no país, porque o governo pode, mas não pode tudo. Cabe ao empresário tomar a frente dessa retomada

É isso que estamos fazendo e acreditamos muito nisso. Enquanto houver recursos e der para fazer, claro que sem comprometer a saúde financeira da empresa, nós temos que abrir lojas e gerar empregos.

Educação na cidade natal só tinha a professora Rita

Minha juventude e minha infância foram muito ricas. Meu pai era um comerciante de secos e molhados no interior, um homem muito rico, porque homem rico no interior, na década de 40, tinha cavalo, boi, vaca, uns quatro porcos, galinha, pato e um local para plantar milho, feijão, e era uma fartura imensa. Vendia tudo e não dava para comprar um apartamento na capital, porque ali é o mundo dele.

Eu tinha uma irmã já 10 anos mais velha estudando num colégio interno em Fortaleza. Ele queria que eu fosse doutor. Dizia: “esse garoto tem que ser doutor”, e na minha cidade não dava porque só tinha a professora Rita. Era a alfabetização, o abc, tudo era ela que ensinava ali.

Então, com oito anos, eu vim para a capital, e meu pai teve a sabedoria de me colocar em um dos melhores colégios de Fortaleza, o Sete de Setembro, que era caro também, particular. E aí o que aconteceu? Ele veio e montou um comércio na periferia de Fortaleza.

Vendia laranja, banana e rapadura para pagar escola

E vamos supor que a mensalidade custasse 30, e ele dizia: “você tem que ganhar um por dia. Então, você vai vender laranja, banana, rapadura, frutas de porta em porta”.

Eu ia para o colégio e, quando voltava, ia vender frutas com oito ou dez anos de idade. Depois, com 12, 13, 14 anos, assumi a mercearia e aprendi a comprar uma saca de feijão e açúcar para vender no retalho, de quilo em quilo. Isso para mim foi muito rico. E continuei estudando, fiz faculdade de economia, fui professor da universidade

Meu primeiro emprego formal foi na IBM do Brasil. Logo em seguida entrei numa companhia de crédito imobiliário, uma distribuidora de valores e, em 1976, fui convidado a montar a Bolsa de Valores do Ceará, que era uma das maiores Bolsas do mundo, porque ia do Rio Grande do Norte ao Amazonas. Grande em área geográfica. Em negócios não, era muito pouco.

Visitei as Bolsas de Minas, de São Paulo, do Rio, fiz estágio nelas para ver a qual me adaptava e claro que era a menor, a de Belo Horizonte, que ainda não era informatizada em 1977. Começou em 76 e inauguramos em janeiro de 77. Em maio de 77, fui convidado por um empresário e montei uma corretora. Logo em seguida, comprei a parte dele e fiquei controlador.

Minha infância e adolescência foi com muito trabalho. Saía às 7h e voltava às 23h. Ia dar aula e fui coordenador do curso de economia na universidade. Para mim, foi maravilhoso. Isso não me impediu de ter quatro filhos maravilhosos, que estão trabalhando comigo

Mais de mil farmácias até o fim do ano

Temos um projeto que começou em 2012, quando nós tínhamos 580 lojas. Em 2002, nós tínhamos 290, e fizemos um projeto que até 2012 chegaríamos a 580. Em 2012, nós falamos que, em 2017, íamos chegar a mil. Chegamos, vamos até ultrapassar. Provavelmente vamos terminar o ano com 1.070, 1.080 lojas.

Queremos ser uma loja de conveniência, de vizinhança. Fomos um dos primeiros a vender refrigerante, biscoitos, sorvete nas lojas, porque a legislação de 1973 diz que farmácia é para vender medicamentos, produtos de higiene e beleza, e eu nunca aceitei essa limitação. Por que não poder vender um refrigerante, um biscoito, um chocolate? Nós sempre pendemos para o modelo de drugstores americanas, que vende muitos outros produtos além de medicamentos.

Outro negócio muito forte é inovação: temos no nosso DNA fazer coisas que os outros não fazem. Um exemplo muito forte: em 1989, criamos o recebimento de conta de água, luz, telefone na farmácia.

Doze anos depois o Banco Central criou o correspondente bancário. Nós fomos o embrião de hoje: supermercados, padarias, lotéricas recebem contas. Na época, não existia, fomos nós que iniciamos isso lá em Fortaleza.

Programas sociais com mulheres, ambulâncias e detentos

Temos hoje um encontro de mulheres. Já foram realizadas 12 etapas, com 20 mil mulheres. Levamos os melhores palestrantes do Brasil para falar sobre câncer de mama, doenças inerentes às mulheres, mas também sobre beleza, como ter melhor qualidade de vida. São eventos interessantíssimos.

Batemos muito forte também na área de cidadania, dezenas de ambulâncias, milhares de cadeiras de rodas. Um trabalho muito forte na recuperação de detentos de bom comportamento. Temos um centro de ressocialização que chamamos de fábrica escola: o detento vai às 7h e fica até 17h. São 30 detentos em cada turma, e eles podem conviver com a família. Já recuperamos 180, seis turmas de detentos. 

Neste ano, acabamos de fazer um circuito de corrida de rua, porque acho que a corrida é o esporte mais democrático que existe. Um par de tênis e um calção, e você ajuda na sua saúde, faz um exercício barato. Nós promovemos isso. São seis ou sete etapas por ano, já vamos para o oitavo ano.

Crescimento mesmo na crise

As farmácias associadas à Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) [da qual Queirós é presidente] deverão crescer acima de 5%, 6% neste ano, e o mercado farmacêutico como um todo vai crescer nessa faixa acima de 6%. No ano passado, foram 12%.

Claro que estamos sentindo a crise, aumentou o desemprego e acabou aquela indenização dos seis meses, acabou o FGTS, o seguro-desemprego. Agora a coisa está pegando e, se não houver algo que influencie a retomada do crescimento econômico, não vemos como diminuir esse desemprego do Brasil, e precisa diminuir muito.

A PagueMenos espera crescer pelo menos 10% ou 12%. Normalmente, crescemos o dobro da média das outras redes de farmácia. No ano passado, crescemos 21%.

10 a 20 assaltos todos os dias

"Precisamos de tranquilidade. Com Temer ou sem Temer"

Os empresários precisam de tranquilidade para investir, diz o fundador da PagueMenos, que descarta entrar para a política. Na opinião dele, os políticos deviam ter uma profissão antes de virarem homens públicos:

Sou um observador privilegiado porque faço parte do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), que é um órgão que assessora a Presidência da República, o famoso conselhão. Lá se reúnem alguns empresários do porte de Roberto Setúbal,  Luiz Carlos Trabuco, Abílio Diniz, Jorge Paulo Lemann, Nizan Guanaes, Luiza Trajano, muitos grandes empresários que procuram encontrar um caminho.

Apresentamos 15 indicações para o presidente da República e 16 ministros para a retomada do crescimento. Claro que você fala em investimentos em infraestrutura, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, você fala em facilitar o financiamento da construção civil, que é um grande gerador de empregos, flexibilizar a legislação trabalhista. Algumas coisas estão sendo colocadas em prática.

E esse conselhão continua. Houve algumas reuniões, agora está mais ou menos. Uma reunião foi suspensa porque há uma insegurança muito grande em relação a quem tem o poder do país e se esse poder continua ou não.

Precisamos urgentemente de uma tranquilidade. Com Temer, sem Temer. E como as coisas mudam. Antes eu diria: 'deixa o Temer terminar o mandato dele porque bem ou mal ele vai tocar as reformas'. Fatos novos surgiram, e hoje eu já não teria coragem de dizer 'deixa o Temer', porque acho que é uma afronta

A receita para a retomada do crescimento econômico é uma tranquilidade política que refletirá na economia.

Muitos empresários dizem que em 2014 viram que a coisa ia ficar ruim e seguraram seus investimentos, não investiram em 2015 nem em 2016. Estão esperando passar a crise. Pelo amor de Deus. Se a gente ficar nesse compasso de espera, esperando que a crise passe, ela não passa

Só que a maioria dos empreendedores do Brasil não quer correr o risco agora, é uma insegurança muito grande. Não só as pessoas físicas não querem consumir, estão se segurando porque não sabem o dia de amanhã, como as empresas também. E aí precisamos dar um horizonte, mostrar o que vai acontecer.

Pode ser uma convocação para antecipar uma eleição para a Presidência da República. Seria um caminho, porque nada mais legal do que você ter um presidente eleito pelo povo. Já com tanta mazela que tem acontecido, talvez o povo aprenda a julgar e a eleger um bom líder. Mas acho que precisamos de uma decisão política para a retomada do crescimento econômico.

Está difícil tirar lá do meio do mundo de Brasília alguém que você diga 'este daqui é diferente'. Deve haver, tenho esperança de que haja. Não me arriscaria a dar um nome, mas vai haver, vai aparecer uma saída, não pode ficar desta forma por muito tempo

Já pensou em entrar para a política?

Não, não, a mosca azul [da política] nunca picou e, se Deus quiser, vou colocar muito repelente para que ela não encoste. Prefiro ser amigo, ou pelo menos ser bem recebido e ter um bom relacionamento com os políticos. Tenho o privilégio de ser amigo do Tasso Jereissati, do Ciro Gomes, do Eunício de Oliveira, dos grandes governadores que passaram pelo Ceará e de outros Estados, mas nada de envolvimento. Nem me filio a partido político que é para não dizer que tenho alguma tendência.

Acho que o empresário deve se envolver. Aquele que tiver uma veia política deve ajudar, não vou dizer tipo Doria, mas o Brasil peca muito em não ter líder com experiência empresarial, ou melhor, políticos com experiência empresarial.

Seria muito bom que esses deputados e senadores que legislam dando direitos aos trabalhadores, tirando direito de um e de outro, vejam qual é a implicação que tem quem está na linha de frente. Alguns benefícios que são criados, o impacto, o custo que acontece

Não precisa de conhecimento científico para se eleger, mas tem de ter um mínimo de conhecimento de mundo, das coisas. É fundamental a experiência de ter sido empregado ou ter sido patrão, que não seja um político puro, como vemos. O cara nunca teve uma atividade, um emprego que não fosse o público e vai ser vereador, deputado estadual, deputado federal e, de repente, está mandando, legislando na vida de 200 milhões de pessoas. Acredito que seria muito importante a pessoa ter o conhecimento de uma atividade econômica antes da política. Antes de um cargo público.

Esperando tranquilidade política

Não é só médico, farmacêutico também combate doenças

Os farmacêuticos podem ajudar a melhorar a saúde do brasileiro, e parte das farmácias PagueMenos já está com espaço de atendimento feito por esses profissionais. Deusmar de Queirós diz que a ideia não é substituir os médicos, mas complementar o serviço:

O Brasil tem 100 mil farmacêuticos, a Abrafarma tem 20 mil. Quando eu era menino e vim do interior para Fortaleza, na minha infância e adolescência, o meu médico era o sr. Teixeira da farmácia São João. Há 50 anos, você usava muito os farmacêuticos, que têm um conhecimento muito bom.

Depois de quatro anos no balcão, ouvindo as pessoas, conhecendo a bula dos medicamentos, eles podem dar uma ajuda muito grande. Estamos montando em nossas lojas ambientes onde o farmacêutico pode fazer um atendimento individual e orientar sobre hipertensão, diabetes, tabagismo, obesidade, sobre uma série de coisas de tal forma que ele melhore inclusive essa história da automedicação. A pessoa chega, mostra as receitas, e ele orienta se um remédio combina com o outro.

Farmácias já têm espaço para farmacêutico atender

Nós podemos fazer uma revolução no Brasil e tornar o farmacêutico um protagonista na melhoria da saúde dos brasileiros. Vamos fazer isso, já estamos fazendo, já temos 500 lojas preparadas com os farmacêuticos atendendo num espaço que chamo de clinic farma. As outras redes também já estão fazendo.

Acho que no futuro do Brasil nós vamos usar melhor o conhecimento do farmacêutico. Não existe essa história da automedicação. Todas as farmácias têm ou devem ter um farmacêutico para dar uma orientação. A pessoa confere com ele o que está sentindo, o que pretende tomar e, em cinco minutos, ele vai dizer. Não é substituir o médico, de maneira nenhuma. É uma função de orientação, e eu acho que isso vai funcionar bem.

Já estamos fazendo desde o ano passado. Fazemos uns 50 mil atendimentos por mês.

Farmacêutico não substitui médico, mas orienta

O farmacêutico não substitui o médico. Antigamente, você era atendido no balcão. Agora você chega com uma dor aqui ou ali e vai para um local isolado, com computador, faz o seu cadastro para o caso de voltar, consulta a última vez em que esteve lá. O farmacêutico dá uma orientação, mas jamais vai poder dar um remédio para alguém que chegue com angina. Vai encaminhá-lo para um médico. O farmacêutico não vai substituir o médico.

Se não for nada grave, ele pode orientar e perguntar o que você usa normalmente para ver se é condizente, se combina. E tem havido um avanço muito grande, hoje já estamos bem adiantados na prescrição eletrônica. 

Você vai ao médico, e ele deposita numa nuvem, e você vem com seu CPF e uma senha. Você chega à farmácia e diz que já vem se consultando com tal médico... A tecnologia está aí a serviço das pessoas. Isso é fácil, está sendo desenvolvido.

O Hospital Albert Einstein e a Amil estão à frente disso, vários players, empresas que atuam no setor da medicina estão se preparando para essa revolução na área digital. E é claro que as farmácias, as redes que estiverem preparadas, vão fazer isso também. Nós já estamos nos preparando para isso de ter um credenciamento para poder consultar uma receita que está num determinado endereço eletrônico e facilitar a vida das pessoas.

A legislação brasileira não permite que o farmacêutico prescreva ou receite, salvo genérico, medicamentos de uso comum e isentos de prescrição. Ainda há um campo nebuloso nisso, precisa ser regulamentado. Existe uma boa vontade da Anvisa, de regulamentar, de deixar isso claro. A Anvisa tem hoje um presidente com cabeça aberta para solucionar esses problemas e está sendo bem trabalhado isso.

Continuo dizendo que não precisa substituir o médico, há determinados sintomas que dá para você identificar com certa facilidade. É o futuro, vai ter que ser assim mesmo.

Não pode confundir balconista com farmacêutico

Existem algumas redes que deliberadamente vestem o balconista com a mesma bata do farmacêutico, algumas empresas, algumas farmácias, ninguém da Abrafarma deve fazer isso. E aí confunde.

Mas acho que essa confusão não é saudável. Farmacêutico é farmacêutico, e nós orientamos os nossos para treinar o nosso pessoal com esclarecimento, para não haver troca de receita, não haver substituição. Hoje com os genéricos você tem muitas alternativas, há remédio de marca e outro que tem a bioequivalência, a biodisponibilidade. Às vezes a pessoa não tem R$ 100, mas tem R$ 60 e dá para fazer a substituição, que é permitida com a permissão do médico. Há como fazer.

Uma das vantagens da Abrafarma é que ela prega muito bem que não aceita esse tipo de comportamento de você substituir. O remédio está prescrito e, então, é aquele que vai ser vendido. Claro que, se não há, o farmacêutico tem o poder de, com autorização do médico, colocar o outro produto com o mesmo sal  [princípio ativo].

É um negócio complicado. Já foi mais, acredito, mas em pequenas farmácias que não têm controle de qualidade, que não têm um compliance, que não estão muito preocupadas com a consequência. Mas uma rede da Abrafarma não pode correr o risco de ser envolvida num escândalo de que recebeu dinheiro para passar um remédio.

Claro que há padre que se desvia, policial que se desvia, qualquer profissional em qualquer categoria há um que se desvia, mas isso não é a regra, não é o normal. A grande maioria se comporta perfeitamente com bastante ética.

Farmacêutico revoluciona saúde

A PagueMenos é assim

  • Fundação

    1981

  • Funcionários

    22 mil (diretos), 66 mil (indiretos)

  • Clientes

    10 milhões por mês (média do primeiro trimestre/17)

  • Número de farmácias

    995 (junho/17)

  • Faturamento em 2016

    R$ 5,8 bilhões

  • Lucro em 2016

    R$ 100 milhões

  • Porcentagem de mercado

    6,3%

  • Principais concorrentes

    Raia Drogasil, Extrafarma e Drogaria São Paulo

Filhos pequenos carregavam caixas nas férias

Fazer os filhos buscarem seu sustento e trabalharem desde pequenos é a melhor forma de educá-los, diz o fundador da PagueMenos, que também dá dicas para jovens profissionais: acredite nos seus sonhos e se prepare. Leia abaixo:

Com dez anos, a metade das férias dos meus filhos era dentro da empresa carregando caixas. Sempre achei que a escassez é um grande instrumento de educação e de vida. Acho que a abundância acostuma muito mal. A escassez o ajuda a valorizar as coisas. Sempre procurei mostrar isso para os meus filhos, e tem dado certo. Estou muito feliz com o comportamento deles como pessoa, como família.

Obstáculos são importantes para crescer na carreira

Acho que todo mundo que tiver uma meta, tiver um sonho deve acreditar nesse sonho e se preparar para isso. A maioria desiste no primeiro obstáculo. As coisas não foram fáceis para a minha vida, nem acredito que tenha sido fácil para a vida dos grandes empresários que existem por aí. Até que ter dificuldade é bom, ela consolida a sua vontade de crescer.

Quem quer realmente chegar lá precisa desses obstáculos. Eles são importantes. Quando vem muito fácil, você não valoriza. A pessoa tem que acreditar nos seus sonhos e se preparar. Não é só acreditar e ficar esperando que caia do céu. Ele tem que ir à luta, se preparar intelectualmente, se preparar de uma forma prática, treinando, vendo, participando de eventos, seminários, convenções, congressos, onde são mostradas experiências sobre aquilo que você escolheu para a sua atividade. O conhecimento acadêmico é muito importante, o prático também, e força de vontade.

Às vezes você não dá o esforço todo que poderia dar, não tem transpiração, não renuncia a determinados prazeres. O Jorge Paulo Lemann no livro dele “Sonho Grande” diz que, quando a sua mulher reclamar, diga que você está comprando o conforto do futuro. Você está se sacrificando hoje para ter uma condição de vida melhor, mas tem que se sacrificar hoje, trabalhar um pouco mais hoje, economizar hoje, para poder ter um futuro diferente. Acho que toda carreira é uma boa carreira, e quem se dedica tem sucesso garantido.

Marcelo Justo e Arte/UOL

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